Olhar Direto

Quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Opinião

PT e PMDB – Uma história de amor que virou música

Autor: Eustáquio Rodrigues Filho

05 Out 2018 - 08:00

Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas para as eleições? E quem irá dizer que não existe razão?

O PT abriu os olhos, mas não quis se levantar antes do início da greve geral no início dos anos 80, enquanto isso, em outro canto da cidade, o MDB tomava um conhaque em comemoração à sua troca de nome, pois dali em diante se chamaria PMDB.

Quando se encontraram pela primeira vez – meio que sem querer, numa festa estranha, com muita gente esquisita chamada Diretas Já – foi um encontro tumultuado, com muita bagunça e desorganização, embora muita gente achasse legal e quisesse se divertir. Depois de tanta manifestação, o PT não aguentava mais e decidiu se concentrar apenas no ABC paulista, embora o PMDB quisesse ficar mais na festa. Mas o PT disse que já estava meio tonto – esse problema com álcool seria uma constante ao longo dos anos – e precisava voltar para o sindicato, pois já eram quase 6 da tarde e precisava bater o ponto. Se despediram e trocaram telefone.

Logo depois telefonaram e decidiram se encontrar na Eleição seguinte, em 1986, ano em que resolveram morar em Brasília. O PT sugeriu se encontrar com o PMDB na lanchonete do Congresso para conversarem. Enquanto o PT queria discutir o socialismo, leninismo e imposto sindical, o PMDB queria discutir filmes do Godard, implante, tinta de cabelo e formas de se manter no poder eternamente. Vale dizer, que o PT se apaixonou por esse último assunto.

Embora fossem nada parecidos no início, acabaram se apaixonando e jurando amor eterno. Consultaram marqueteiros, intelectuais e astrólogos para verem se a relação entre eles dava "match". Descobriram que o PMDB gostava do Bandeira, do Bauhaus, de licitação fraudulenta, do Van Gogh, Mutantes, superfaturamento e ainda falava alemão, enquanto o PT gostava do Chico, da Sabatella, do Zé de Abreu e ainda estava nas aulas de alfabetização do Mobral. Ambos gostavam de magia – particularmente de fazer o dinheiro sumir em um lugar e aparecer em seus bolsos – e meditação, além do esquema "escola+saúde+cinema+televisão=desvio de dinheiro".

A primeira briga aconteceu nas eleições de 1989 pois ambos queriam a mesma coisa e, como em toda relação, quando não há diálogo, há briga e separação. Os dois se deram mal pois eram muito feios e perderam a eleição para um "bonitinho, mas ordinário". Mas mesmo com tudo diferente veio mesmo, de repente, uma vontade de se ver e os dois se encontravam todo dia e a vontade de fazer conchavos crescia como tinha de ser...

Entre o PT e o PMDB foram anos de namoro, natação, mensalão, prisão, fotografia, teatro e artesanato até que decidiram se casar em 2006. Enquanto o PMDB explicava para o PT coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar, exigiu para si alguns dos ministérios mais importantes do país para que o matrimônio continuasse em harmonia. Nesse meio tempo, o PT aprendeu a beber, deixou a corrupção crescer, botou panos quentes nos vários escândalos e desistiu de trabalhar. Depois que tudo se acalmou e o espólio ministerial foi dividido, os dois comemoraram juntos e também brigaram juntos muitas vezes depois. Em 2010 a união se fortaleceu tanto que todo mundo dizia que o PT completava o PMDB e vice-versa, que nem feijão com arroz, que nem 'presidente' e 'vice-presidente', que nem Dilma e Temer.

Os dois partidos construíram uma relação legal, mesmo quando assumiu a maluca. Batalharam muita grana, desviaram legal, mas não seguraram a barra mais pesada que tiveram. O PMDB cansou de ser o pau-mandado da história, quis assumir o protagonismo e a infidelidade chegou ao palácio. Brigaram feio, se separaram e, muito embora a amizade dê saudade no horário eleitoral, nessas eleições não vão disputar o primeiro turno juntos, pois o filhinho do PT está em recuperação no complexo penal ahahran...
 

Eustáquio Rodrigues Filho é Cristão, Servidor Público e Escritor. Autor do livro "Um instante para sempre". Instagram: @eustaquiojrf.
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