Olhar Direto

Domingo, 18 de novembro de 2018

Opinião

E a esperança venceu o ódio e o escárnio

Autor: Edivaldo de Sá Teixeira

01 Nov 2018 - 08:00

Definitivamente as eleições de 2018 entram para a história política brasileira, como um divisor de águas, após a redemocratização do país, demonstrando principalmente, que o eleitor estava cansado do sistema perpetrado pelas elites politicas brasileiras, que ao longo dos anos, levou o Estado brasileiro ao caos econômico e porque não social.

Não tenho dúvidas de que o comportamento detectado no resultado das urnas, neste atual momento, pegou de surpresa a classe politica dominante que ainda acreditava no seu "poder de convencimento" e até mesmo os maiores estudiosos da ciência política democrática brasileira.

Os eleitores promoveram uma ampla e interessante reforma no quadro politico nacional, alçando novas forças políticas, e desbancando grandes nomes, partidos e forças políticas. O que vimos é uma cartada tipo xeque mate, tentando colocar um fim no sistema e abrir caminhos para novas ideais e personagens, estes até então, desconhecidos do eleitorado, mas que conquistaram a confiança do ávido eleitor.

Praticamente sumiram "os grandes" lideres nacionais e regionais, dando lugar aos novatos, dentre eles, o batizado de mito Jair Bolsonaro, alçado ao posto de maior mandatário politico nacional.

Havia 73 anos o eleitor brasileiro não escolhia pelo voto direto um militar para ocupar a Presidência da República, e Jair Bolsonaro (PSL) se torna o terceiro oficial do Exército brasileiro a obter assim o cargo. Apenas Hermes da Fonseca (1910) e Eurico Gaspar Dutra (1945) o haviam conquistado.

Impossível negar que foi uma eleição carregada de sentimentos como ódio e esperança, por exemplo.

A esperança se fez representada no candidato vencedor da eleição nacional, que planejou meticulosamente seus passos há mais de quatro anos, e encheu de expectativas 55,13% dos eleitores, que desejam e esperam uma ruptura do quadro atual.

Recebeu - por conta de suas entrevistas impulsivas ao longo dos anos - a pecha de homofóbico, ditador, racista, fascista, entre outros. Com esses adjetivos pretendeu-se desconstruir o mito criado através das redes sociais, porém, sem sucesso.

O país, impulsionado pela esquerda, se dividiu, incutidos pelo ódio e pela contra informação disseminada através das notícias falsas (fake news)que invadiram as redes sociais, gerando dúvidas e incertezas no eleitor.

Os mais crédulos assistiram estarrecidos, um pretendente ao mais alto cargo político do Brasil, se curvar a um presidiário, e buscar nele "orientações" para campanha eleitoral. E eu fico aqui a imaginar, como seria um presidente da república, visitando semanalmente um condenado pela justiça, atrás das grades, para receber orientações de como dirigir os destinos do país? Seria um escárnio com os poderes constituídos e principalmente com a população.

Me parece que o presidiário ex presidente desejava governar por intermédio de um procurador.

Tenho por mim, que a esperança venceu o ódio destilado pelos asseclas do que outrora foi o Partido dos Trabalhadores, e até mesmo o escárnio com as decisões emanadas da Justiça Brasileira, que conquistou a duras penas a sua independência institucional.

Mas terminada a eleição, eis que vejo um vídeo do ex presidenciável Guilherme Boulos circulando na internet, convocando a militância para ir as ruas "defender a democracia", mas que na verdade me parece pretender insufla-los contra o novo governo.

Doutro lado, o candidato derrotado Fernando Haddad, depois de desdenhar a eleição de Bolsonaro, refletiu melhor, mudou de ideia e resolver nesta segunda-feira parabeniza-lo pela vitória. Era o mínimo que se esperava de um estadista e democrata.

 A esquerda parece não querer reconhecer a derrota, e orquestra agora uma rebelião silenciosa visando causar embaraços ao 42º presidente eleito, o que certamente será um tiro no pé. O momento é de profunda reflexão para a esquerda, para encontrar o que se perdeu no caminho de seus ideais.  

O que se espera de toda classe política, seja ela qual for, é a unidade em torno dos interesses nacionais e da maioria, e mais, humildade em reconhecer o poder do sufrágio popular.

Neste momento, é necessário uma junção de esforços para re-unir os brasileiros, e que, todos juntos, possam construir uma nova história para a nação.   
 

Edivaldo de Sá Teixeira é Pós Graduado em Direito e Processo Civil e advogado em Nortelândia - edivaldodesa@hotmail.com