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Quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Opinião

A Black Friday, o Minhocão do Pari, o reajuste do judiciário e os poderes de Greyskull

Autor: Eustáquio Rodrigues Filho

28 Nov 2018 - 08:00

Quando se diz que algumas coisas só acontecem no Brasil, isso não é piada. É uma triste constatação. E mais! Que relação poderia ter todos os elementos do título? Oras, o fato de vivermos nesse país e fazer parte do povo brasileiro é resposta suficiente para essa pergunta.

Desde que foi importada, entre 2013 e 2014, a sexta-feira de promoções que acompanha o mercado americano tinha tudo para ser um sucesso tal qual é nos "States". Entretanto, como já escrevi em outro artigo, o brasileiro tem o grande talento de estragar quase tudo que é bom lá fora e que por acaso aterrissa em nossas savanas. Com a Black Friday não foi diferente. Inicialmente bem apelidada de "Black Fraude", essa data ficou marcada pela tentativa atroz de o empresariado brasileiro passar o consumidor para trás: promoções falsas, preços maquiados, metade do dobro, descontos inexistentes e liquidação de peças que nem o cachorro de rua mais desmilinguido iria desejar.

Após o aprimoramento dos instrumentos de monitoramento, redução da idiotia do povo e a melhora da amplitude das redes sociais, fraudar essa famosa data comercial ficou mais difícil. Resultado: neste ano de 2018 praticamente sumiram as boas ofertas e a famosa Black Friday fez mesmo a festa apenas dos fornecedores de faixas e de adesivos, das gráficas e dos meios de comunicação ao vender seus espaços publicitários. O consumidor, mais esperto e avisado, aliado a uma crônica falta de dinheiro, já não cai mais tão facilmente nas armadilhas espalhadas pelo mundo real e virtual. Acredito que no próximo ano a Black Friday brasileira virará lenda e gozará de tanta credibilidade quanto o Minhocão do Pari, o monstro colossal que habita as águas do Rio Cuiabá.

Tendo nada e tudo a ver ao mesmo tempo, a maior promoção da Black Friday brasileira não foi uma relação de compra e venda e sim um escambo: o governo Temer (graças a Deus em seu fim inglório juntamente com o PT) aproveitando a onda promocional fez a seguinte liquidação cambiária: trocou um reajuste salarial por um auxílio-moradia. Lembra daquele programa do Sílvio Santos em que as pessoas, inadvertidamente, trocavam uma bicicleta Caloi novinha por um rolo de papel higiênico? Aqui foi quase o mesmo. Temer trocou um gasto de 450 milhões de reais por outro de 4 bilhões. Ou seja, você não comprou nada na Black Friday mas ganhou esse belo boleto para o seu combalido orçamento.

A partir desse cenário fico pensando em como gostaria de viver em Etérnia, lugar em que para qualquer problema que surgisse eu poderia recorrer a um transformista que ao gritar "Pelos Poderes de Greyskull" liquidaria todos os problemas. Eu ficaria descansado e tudo se resolveria em um passe de mágica: desde o surgimento de promoções verídicas até a fabricação de dinheiro com lastro. Dá-lhe trabalho para Feiticeira e para o Gorpo.
 

Eustáquio Rodrigues Filho é Cristão, Servidor Público e Escritor. Autor do livro "Um instante para sempre". Instagram: @eustaquiojrf.
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