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Sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Opinião

A reforma da previdência e seus reais interessados

Autor: Pedro Felix

05 Fev 2019 - 08:00

A Revolução Industrial criada inicialmente na Inglaterra nos meados do século XVII, juntamentecomas transformações intelectuais da RevoluçãoFrancesa transformaram+ o planetaterra, numa frenética máquina de trabalho e produção de riqueza como nunca visto,em tão pouco tempo da história da humanidade.

A produçãoda era da “maquinofatura” ofereceu as pessoas, mercadorias mais rápidas e mais baratas. Parecia que a humanidade iria acabar com todas as formas de desigualdades nascidas no início das civilizações, sendo que     a produçãochegaria a todos de forma mais humana que nos períodos anteriores.

No entanto, a bipolaridade entre os que produziam e os que se apropriavam do trabalho alheio continuava e patrões e trabalhadores enfrentaram acirradas lutas no século XIX e início do século XX, que juntamente com posições ideológicasde ambos os lados, trouxeram para os trabalhadores um crescentenúmero de direitos e garantias individuais e coletivos que foram traduzidos em leis por diversos países.

Ospós 1ª e 2ª guerras mundiaissão exemplos de fortalecimentos destes direitos.
Entre os anos 60 e 80do século XX as relações entres as forçasprodutivas e os lucros patronais começaram a mudar e os anos 80 no ápice da crise capitalista, foram chamados de “era perdida do capitalismo”. Entenda aqui o termo como muitos direitos trabalhistas e poucos lucros para as empresas.

Nos EUAneste período surgiram defensores das mudanças que até hoje ecoam suas ideias chegandoatrasadascomo de costume noBrasil, que agora quer radicalmente implantar o liberalismo econômico com base nas ideias de economista americano Milton Friedman, do grupo “consenso de Washington”, com fórmulas de acabar com a pobreza.
Esta é grosso modouma das propostasque o atual presidente Bolsonaro e sua equipe de economistas querem exportar para o Brasil.

A ideia central é de um Estado mínimo, com poucas funções ea Reforma da Previdência entra ai como a salvação da nossa economia. O futuro, no entanto nos mostra incertezas paraquem após 60e 65 anosapós trabalhar e se aposentarpossa receber menos do queum salário mínimo. Sim, menos que um salário mínimo.

O que se vê na propaganda é que precisamos salvar o Brasil da crise. No entanto.Esta ideia nacionalista esconde os vários tipos de salários e classes com diferentes interesses, como é o caso dos militares, juízes, procuradores, políticos.

A nossa atual aposentadoriaé o modelo tradicional, adotado pela maioria dos países,é chamada por muitos economistas de "Pay as you go" (Pague ao longo da vida).Foi criadapela Alemanha recém unificada, e em 1880 implantada pelo primeiro ministro da época Otto Von Bismarck.

A reforma de o ex-presidente Michel Temer não mexia com o conceito "Pay as you go", ou seja, a geração nova, paga aposentadoria dos mais velhos. Cada geração passa a conta para a geração seguinte.

 No entantocom uma população economicamente ativa (PEA) cada vez menor devido ao desemprego, aliado a uma longevidade maior do brasileiro, e menos jovens no mercado de trabalhoo sistema tende a se desequilibrar, afetando as aposentadorias atuais e as futuras.

Umadas propostaa liberal da equipe econômica atual é radical e oposta a anterior, aumentando a idade mínima para se aposentar e criandouma aposentadoriacomo a que foi implementada no Chile em 1981.

Como funciona lá? Cada trabalhador descontano mínimo10% duranteseu tempo de trabalho que é gerenciadopor um fundo de pensão de bancosprivados do país.  Em resumoseudescontoao longo do tempo será a sua aposentadoria. “Em tese, você teria um sistema em que cada geração economiza para sua própria aposentadoria”.

Teoricamente uma maravilha, pois cada um teráno final de sua vida de trabalho o que plantou.  Este tipo de aposentadorianão garante salário integral, ou garantia que você receberá uma aposentadoria digna para seu sustento e principalmente para sua saúde.

Quem ganha com isto? Duplamente os bancos que engordarão suas rendas ao movimentarem sua cota de aposentadoria de acordo com interesses deles e semfiscalizaçãosériae transparente. Se no decorrer do período um destes bancos quebrar, como ficasua aposentadoria? Os investimentos delesno decorrer dos anos de forma erradapode diminuirseu capital e vocêpessoa comum nunca vai saber disso. Ou seja, sua aposentadoria fica aosabor do mercado e a política de juros. Bem pense em algo atual, ondequando poupamos em um banco e qual é o juro cobrado, quando fazemos empréstimos?

A outra face da moeda é que além de ficar com nosso dinheiro correndo juros, você corre o risco de dar mais dinheiro para eles, buscando uma aposentadoria complementar. Entendeu Arnaldo?

No Chile, o resultado atualé que 90% dos aposentados estão ganhando menos que um salário mínimo e o governo já fez mudanças no sistema paratentar minimizar a situação.
Se o modelo for implantado no Brasil, não há dúvida que as desigualdades de hojeserão maiores e mais pobres e esfaimados cobrarãodas autoridades sua contribuição para o desenvolvimento da “Pátria Amada Brasil” (slogan do atual presidente) o retorno de seus esforços, com aposentadoria digna.

O mercado visa lucro e diminuição de custo, quem pensa em direito é a ponta que trabalha e esta, vê seus direitos conseguidos com suor, lutas e lágrimas no decorrer da história sendo “convertidos” em abusos.

Mas,um outro  problema e ainda maior,  não foi colocado para o atuais aposentados. Pense: “Seno novo sistema cada  um vai cuidar da sua  própria aposentadoria, quem vai pagar a aposentadoria dos que já se aposentaram? O governo vai dar calote?  

O “Brasil de verdade” começa a mostrar sua cara, cobrando dos trabalhadoresuma crise  que poderia ter sido evitada se tivéssemos   representantes com pensamento de estadista, de nação e  não de  seu grupo econômico ou social.  E esta visãocontinua!.

 Acorda Zé ninguém.


Pedro Felix é Historiador, escreve em Cuiabá.
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