Olhar Direto

Terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Opinião

Eleição Esquisita

Autor: Sérgio Cintra

18 Dez 2016 - 10:13

Outro dia, um amigo interpelou-me pelo whatsaap: - Que eleição esquisita, Sérgio. Eu diria diferente apenas e explico: a propalada Reforma Política nada mais foi que uma tentativa de perpetuação no poder de alguns grupos que dominam a cena político-eleitoral a décadas no país. Penso que nem todos perceberam que as novas regras de campanha e de propaganda eleitoral beneficiaram e muito os que estão no exercício do mandato e, claro, essa era a intenção, além do mais, a manutenção do financiamento empresarial das campanhas (felizmente, derrubado pelo STF). Com isso a reforma política para beneficiar a maioria dos detentores de mandato, ficou irremediavelmente manca. Agora, mesmo com a vantagem de uma campanha curta, mas com gastos limitados, sem o dinheiro de empresas e, somado a isso, o mar de lama que assola a política brasileira fizeram com que a tentativa de continuidade no poder fosse, em parte, frustrada.

O que se vê, por exemplo, em Cuiabá é um quadro político marcado pela indefinição eleitoral, pela desmotivação do eleitor e pela “guerra” de pesquisas.A indefinição eleitoral nasceu da postura dúbia do prefeito Mauro Mendes (ora Pedro; ora Blairo), acendendo velas aqui e acolá fez com que todos o apoiassem à reeleição; ao desistir, deixou o cidadão e os partidos sem opção para o Alencastro. O PSDB não trabalhou um nome; o PMDB nem sequer cogitava a possibilidade de disputar  a cadeira do paço municipal. O resultado não poderia ser diferente: uma avalanche de candidaturas majoritárias: Renato Santanna (um ilustre desconhecido); Serys (tentando voltar ao cenário político); Procurador Mauro (eterno candidato a tudo sempre); Emanuel Pinheiro (na onda do RGA) Julier Sebastião (tentando ressuscitar os tempos de magistratura) e Wilson Santos (pra salvar a honra do PSDB e do governador).

Em um cenário em que as duas principais candidaturas foram quase impostas ( Wilson e Emanuel) por caciques políticos e as demais não empolgam ou se tem restrições, nada mais compreensível que o desencanto do eleitor, adiciona-se a isso a enorme decepção com a política nacional marcada pela corrupção, culminado com o impeachment da presidente e a cassação do ex-presidente da câmara federal.  Nessa conjuntura desoladora, impera a cautela e o bom senso do eleitor que se mostra indeciso diante desse quadro e reflexivo em relação a quem deve gerir os destinos da Cidade Verde nos próximos quatro anos e, especialmente, em nosso tricentenário.

Como não se tem recursos para campanha, restam aos candidatos as mídias sociais, a propaganda eleitoral (quase) gratuita, os debates organizados pelos veículos de comunicação social e pela sociedade civil organizada, além da “guerra” de pesquisas. Os números são os mais díspares, indo de rejeições absurdamente altas e com variações inacreditáveis, até com empates técnicos nem tão técnicos assim. Neste momento, há cinco registros de pesquisas na capital, desde conhecidos institutos até outros totalmente desconhecidos, pra não dizer duvidosos. Tudo no intuito de confundir os incautos  e os que querem “aproveitar” o voto.

Só há uma afirmação incontestável neste processo eleitoral: haverá segundo turno. Quem participará dele, é mera conjectura, mesmo assim acredito que sejam o procurador Mauro (menos pelo voto de protesto e mais pela insistência) e Wilson Santos (pela capacidade administrativa e pelas propostas exequíveis e realistas). No mais é pedir que escolhamos aquele que for melhor para a maioria dos cuiabanos para os 300 anos. É isso.

Sérgio Cintra é professor e está servidor da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.