Olhar Direto

Quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Opinião

MULHER e poder Cultural

Autor: Graci Ourives de Miranda

09 Mar 2017 - 19:18

“Às vezes a gente enfrenta um pouco de preconceito, de todos os lados, por conta de ser mulher e ter um metro e meio, né!” Juíza Selma Rosane Arruda (2016). 

A Mulher batalhadora por um mundo com mais justiça, sendo uma combatente da corrupção do Estado, traz à luz para a sociedade que devemos ser engajados pelos nossos Direitos, tal como evidencia um dos objetivos da República (Art.3º da CF) em que visa o bem-estar de “TODOS”, isto para nós, representa que jamais poderá existir discriminação. Tal como a Juíza diz: “(...) muitas tentativas de realmente me afastar e eu não entendo muito o porquê” (ARRUDA, 2016). Com muita lucidez a sociedade carente, entende que existe a MULHER juíza que está buscando “reprimir quem já fez e inibir para que outros que estão não pensar em fazer.” (ARRUDA, 2016). 

Atendendo os requisitos da lei, sendo a Juíza Mulher rigorosa, trilhando nem pela esquerda nem pela direita, mais busca palmilhar o caminho JUSTO em suas ações. O Promotor de Justiça Marco A. Castro em 2016, evidencia que: “sonho de consumo dos corruptos de Mato Grosso é ter a Juíza Selma afastada dos processos deles” 

MULHERES, exemplo de caráter. 

A dinâmica dos movimentos sociais das MULHERES, o exercício de suas lideranças e bem como sua inclusão, por longa data ficou parcialmente silenciadas, porém, as maiorias das mulheres sempre fizeram e fazem parte de várias estruturas de poder nos seus bastidores: iniciando nos lares, nas instituições de ensino e como líderes de bairro, conseguindo grande número de eleitores para seus parceiros.  

Historicamente, é nas zonas periféricas que as relações sociais se afloram com mais intensidade, pois os contrastes sociais são gritantes, compreende que através do envolvimento e das relações sociais que nos faz mais humanos, essas ações manifesta no discurso da Líder politica Sarita Baracat - 2015, em que são reveladoras principalmente mulheres dos anos 1950, ao referir-se a sua parceira de organizações de movimentos para gerar maior participação das MULHERES na dinâmica do poder, elucida a postura das Mulheres como a Senhora, Sra. Yolanda Teixeira Bezerra, “Eu e Yolanda, nós trabalhávamos muito e sem dinheiro, com muita humildade e vencemos!” (BARACAT, 2015). Estas eram mulheres engajadas para transformar Assim, também foi o cotidiano da participante politica ativa de bairros, Senhora: Leuby Correa da Costa Barros, sempre atuante nas campanhas eleitorais do marido em (1976), seu marido, Gilson Duarte de Barros foi o mais votado, este, que era evocado como “pai dos favelados”, assim foi a dinâmica da Mulher de um grande líder político. 



Foto Nilo Alves Bezerra, advogado, filho da atuante política de bairro Sra. Yolanda Teixeira Bezerra, e do Sr. Vicente Bezerra Neto, Senador (1962-70) e Presidente da Assembleia Legislativa MT (1958). 

Segundo, Doutor Vicente Amaral Bezerra, diplomata, enfatizou os valores do Senador Bezerra Neto:  

“Ao longo de seus 88 anos de vida, Bezerra Neto, como era conhecido, erigiu um vasto legado intelectual, jurídico e politico, que lhe conferiram posição de relevo na história de Mato Grosso. Hábitos simples e firmeza de princípios caracterizam em sua vida. Espirituoso no trato com os amigos, sua trajetória profissional e politica esteve marcada pela ética, pela integridade e pelo rigoroso compromisso com o interesse público.” (BEZERRA, 27/05/2017) 

A labuta das MULHERES em seu cotidiano sempre foi de reivindicar arduamente por espaços nas esferas de poder, além de exercerem dupla jornada de trabalho. 

 Permite nos refletir sobre o percurso das mulheres inseridas nas relações e nos espaços tanto publico quanto privado. Analisando imagens e depoimentos é manifesto que as Mulheres surgiam timidamente, há de observar que nas estruturas de base, elas enfrentavam a periferia e na dinâmica vida universitária, as MULHERES, também são responsáveis e estruturavam as bases familiares unindo as competências em todos os pilares, contribuindo para que maridos estabelecerem por longa data em relevantes cargos. 

A Universidade Federal de MT, no alto da pirâmide o preconceito é menos suscetível; dos anos 1970 à 2017, tivemos 26,08% nestes 12 dos 47 anos de instituição, é fato que em se tratando de gêneros, os homens estabeleceram 73,92% sendo que 47,84%, foram a mais que as MULHERES. Atualmente temos uma Reitora, Dra. Myrian Serra, que visa “TODOS”, conforme a constituição, ou seja, o coletivo, voltando sempre para o social.  

Na UFMT, refletindo sobre algumas Diretorias, esquecem que existe democracia. Basta dizer que na FAET-UFMT, desde 1970 somente agora temos uma segunda Mulher no poder.  Os dados da FAET são reveladores, quanto aos gestores: 1970-2017, nestes 47 anos em que a Diretoria é administrada por homens, sendo 91,3% as Mulheres 8,7%, 04 anos e 82,6% a mais que ELAS. 

As mulheres enfrentavam barreiras, em que pareciam intransponíveis, mas nada faziam com que dissessem ‘perfeito’ ou esta na‘ santa paz’, a serenidade transitava através de posturas inteligentes, de lutarem nos bastidores, o fato comprova a importância da mulher inserida no PODER, pois (a primeira criação da Revista na Área de Educação na década de 80). Na Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia- FAET-UFMT, criada na década de 70, somente em 2013, após 43 anos de história, surge no cenário, uma MULHER coordenadora na Pós-graduação da FAET, Dra. Margarida Marchetto. A FAET, é uma Faculdade respeitada nacionalmente e considerada  uma das estruturas mais importantes para cultura do Estado, e para o mundo tecnológico, uma MULHER, com nome de flor,  pós doutora pela Universidade de São Paulo, USP-SP “Margarida”, baseada no conhecimento cientifico adquirido com seus projetos de pesquisa, percebeu a necessidade  e importância, pensar que o homem não somente nas estrutura metálicas e de concreto, ainda, com lindas obras arquitetônicas, mais se fazia premente pensar a  FAET no mundo com envolvimento “mental” e globalizado, envolver a comunidade acadêmica no mundo científico. Enfim, a prova da sua dedicação e ações de relevância perante o corpo discente, administrativo e docente, estes levaram ao reconhecimento através das urnas a Diretoria da FAET (2017-2020). A Revista científica internacional foi criada para atender a FAET e ICET proporcionará a divulgação do conhecimento entre os docentes. O preconceito era arraigado, mas, atualmente manifesta-se velado, e, inserido nas posturas da hipócrita sociedade e, em que os gráficos são cristalinos e vergonhosos, trazendo à lume um eclodir de postura preconceituosa. Estas que necessitam ser célere nas mudanças para que possamos inteligentemente sobreviver num mundo com um pouco mais de igualdade regadas de esperanças e possibilidades. Nós mulheres não necessitamos de ‘migalhas’. 

Enfim, temos outro exemplo cruel, tal como no TJ desde 1875-2015, somente uma única Mulher foi Presidente do Tribunal de Justiça-MT, desembargadora, Shelma Lombardi de Kato, sendo só 1,4% -  tempo que as Mulheres estiveram no poder. Há muitas juristas, e, comprova-se que existem Mulheres preparadas e competentes para exercer a função de presidente da casa, pois, são 10 mulheres Desembargadoras, dentre 30 Desembargadores. Elas ocupam 33% do TJ-MT. Então podemos observar o TRE de 1932-2017, só duas mulheres, unicamente 5% exerceram a brilhante função, atualmente Dra. Maria Helena Gargaglione. Além disso, temos o STF também que aponta uma discrepância e preconceito frente ao gênero, dentre os 127 anos, somente 04 anos foram exercidos por mulheres.  
 

Portanto, temos esperança que este texto, seja importante e célere para as autoridades  refletirem sobre o “TODOS”.  

Graci Ourives de Miranda, escritora/professora. 

08 obras publicadas, Artigos científicos. 

Referências: 

ARRUDA, SELMA, “Sérgio Moro é que é a Selma de calças”, In:CIRCUITOMATO GROSSO, por: Catia Alves/Cuiabá, 13 a 19/10/2017.p.7.  

BEZERRA, Vicente Amaral N 27/05/2015. In: “Vicente Bezerra Neto: in memoriam.”Acesso: 05/03/2017, às 22:05. Neto do senador e Sra. Yolanda Teixeira Bezerra. 

MIRANDA, G. O. Mulheres de Matto Grosso. 1ª Ed. Cuiabá: Ed. Gráfica Print, 2015. ISBN 978-85-8642256-0. V. 01. 150p.  
 
http://www.tyrannusmelancholicus.com.br/outras-palavras/5837/vicente-bezerra-neto-in-memoriam 

http://www.folhamax.com.br/politica/cai-numero-de-mulheres-no-comando-de-prefeituras/111211 

 
Sitevip Internet