Olhar Direto

Quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Opinião

Cuiabá: Das Lavras do Sutil a Megametrópole

Autor: Eduardo Póvoas

05 Abr 2017 - 12:07

Na metade do século 18, varias bandeiras partiram de São Paulo com destino ao interior do país, tendo como objetivo a captura de índios para escraviza-los.

Uma delas, chefiada pelo sertanista Pascoal Moreira Cabral saindo de Porto Feliz, navegou pelas águas dos rios Tiete, Paraná, Pardo, Taquarí, Paraguai e Cuiabá, até atingir a barra do rio Coxipó onde encontraram ouro em quantidade, fazendo com que Pascoal Moreira Cabral despachasse imediatamente para São Paulo o Capitão Antonio Antunes Maciel com amostras do precioso metal para transmitir ao Capitão General da Capitania, pois Mato Grosso pertencia a Capitania de São Paulo. Isso fez com que a expedição abandonasse o interesse à captura de indígenas. Fundou o sertanista nesse local, às margens do Rio Coxipó sob a invocação da Nossa Senhora da Penha de França, a oito de abril de 1719, uma povoação.

Três anos depois, outro bandeirante, Miguel Sutil encontrou ouro na encosta do morro da prainha nas imediações da Igreja de São Benedito. Estavam descoberta as “Lavras do Sutil”, a mais extraordinária mancha aurífera da qual ate então, se tivera noticia no Brasil.

Imaginem como deve estar remoendo no túmulo os ossos de Miguel Sutil ao ver a denominação de “Ilha da Banana” dada por algum idiota, ao local onde o Bandeirante descobriu a maior mancha aurífera do país.

Logo o “Arraial da Forquilha”, se despovoou, e toda população se transferiu para o vale do ribeirão da prainha onde o precioso metal se aflorava em quantidade impressionante.

Em 15 de novembro de 1726 baixou o ato à primeiro de janeiro de 1727 elevando à nova povoação a categoria de vila com o nome de Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá.

Em 1748 o governo português diante da fama dos lençóis de ouro por estas bandas e sabendo da presença dos Espanhóis que dominavam os altiplanos dos Andes, criou a Capitania de Mato Grosso, desligando-a da de São Paulo.

Entrando em decadência a atividade mineira pela quase exaustão das minas, Cuiabá só não desapareceu por três motivos: 1- porque o ouro nunca se esgotou inteiramente, existindo até hoje; 2- porque as fertilidades das terras das margens do Rio Cuiabá permitiram uma agricultura de manutenção que somada a abundancia do peixe, garantia o fácil sustento da população; 3- porque Cuiabá pela situação geográfica tornou-se ponto obrigatório da passagem para a capital, que era Vila Bela.

Em 1835 uma lei sancionada pelo Presidente Antonio Pedro de Alencastro oficializou Cuiabá como capital da província.

Cuiabá nascera predestinada a ser um grande centro cultural. Apenas 30 anos após o aparecimento da imprensa no Brasil, Cuiabá já tinha o seu primeiro periódico, o jornal THEMIS MATOGROSSENSE. Lembre-se que nossa cidade vivia a 2000 quilômetros dos maiores centros urbanos do país, com comunicação exclusivamente fluvial.

Após a retomada de Corumbá com o fim da guerra da Tríplice Aliança, foi restabelecida a navegação no Rio Paraguai, o que contribuiu com o desenvolvimento do comércio. A indústria extrativista da borracha no norte do estado impulsionou o comercio local.

Cuiabá passou a comercializar diretamente com a Europa exportando borracha e importando tecidos, utensílios domésticos, artigos manufaturados, vinho e cerveja. Itaici chegou a ser a quarta usina do país em produção.

Quando em 1936 o escritor Monteiro Lobato visitou Cuiabá, admirou-se ele do nível cultural da cidade e

escreveu: “A elite de Cuiabá é muito fina. Cuida bastante da educação. Abundam homens de linda cultura”.

Hoje somos a grande metrópole que você conhece.

O tricentenário da nossa querida cidade, não pode e não deve ser comemorado na ILHA DA BANANA, denominação desconhecida e repugnada pelos cuiabanos.

Dedico este artigo a memória do meu pai Lenine Póvoas amante inveterado da cidade verde.

EDUARDO PÓVOAS- PÓS-GRADUADO PELA UFRJ.
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