Olhar Direto

Quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Opinião

Polícia de qualidade - e o estado? Ação Já!!!

Autor: Graci Ourives de Miranda

10 Jul 2017 - 14:59

O estado de Mato Grosso é eminentemente detentor de riquezas naturais e exportador de produtos diversos. Mas, na atualidade, nos defrontamos com um cenário devastador de vidas humanas: a dependência química.
A Polícia Federal dedica-se exaustivamente e apresenta-nos resultados: as ‘operações’ avançam notadamente, como visibilidade zela pelo cidadão. Michel Foucault mostra-nos a responsabilidade de todas as instituições em relação ao progresso coletivo. “(...) têm a propriedade muito curiosa de implicarem o controle, a responsabilidade sobre a totalidade, ou a quase totalidade do tempo dos indivíduos; são, portanto, instituições que, de certa forma, se encarregam de toda a dimensão temporal da vida.” (1996a). A comprovação das eficientes ações da Polícia Federal-PF encontra-se no site da PF. Enquanto o cidadão que depende do Estado e município: uma lástima.

Embora possa passar despercebido pelas ‘autoridades’ responsaveis por cuidar da saúde, (o Estado) o índice de mulheres que se envolvem com ilícito tem aumentado, tanto no ‘Morro da Luz’ quanto no ‘Centro Histórico’ da cidade e inúmeras logradouros. É imaginário quanto real, um cidadão repousa em estado de ‘torpor’ debaixo de um viadulto$ inconcluso, sonho de “VLTs$$$” que foi composto de dividendos$ políticos$. Cadê assitencia aos desamparados? Lembrança$ = ‘copa$$’ . Isto, sem pensar no cidadão que enfrenta a fila do Sistema Único de Saúde-“SUS”.

Há portadores do ilícito no Estado identificados nas ocupações de diversos locais públicos. A jornalista Débora Siqueira, em Cáceres-MT (2010), pontuou: “Tráfico arregimenta cada vez mais mulheres”. Nesse sentido o perito e médico legista dr. Manoel Francisco de Campos, em pesquisa científica sobre “Mulas Humanas”, detectou: “92 cápsulas em uma mulher grávida”.  E um jovem de 16 anos “tinha 87 cápsulas de pasta-base no intestino, com 16 gramas cada uma”. (CAMPOS, DS com assessoria).

Desde 2010 já manifestava índice elevado de mulheres envolvidas com o narcotráfico.  Na capital paulista o cenário acusa: “(...) percentual de mulheres na cracolândia mais que dobrou em um ano: de 16% em 2016 para 34% em 2017”, segundo pesquisa da Secretaria de Desenvolvimento Social de SP-SP. Ainda que ano passado 119 usuárias, enquanto atualmente 642 mulheres. (...) Mulheres, Muitas delas passaram a ser exploradas, inclusive sexualmente”. Floriano Pesaro, secretário de Desenvolvimento Social de São Paulo/. “Foi uma surpresa identificar esse número de mulheres na região e mais ainda perceber que a violação de direitos humanos em dependentes químicos é maior do que em homens (...) usuários frequentes da cracolândia saltou de 709 pessoas em 2016 para 1.861 em 2017, aumentou 162%”.

Conforme o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador do Recomeço, programa anticrack, vinculado ao governo estadual-SP, o preconceito é mais intenso contra uma mulher viciada em crack do que contra um homem, o que dificulta uma eventual reabilitação.

As imagens também são chocantes. Ela gestante. A cena registrada em foto na entrada da prefeitura de Cuiabá-MT, 03/10/2014, precisamente às 10 horas e treze minutos, horário em que todas as ‘autoridades’ estavam no local, é impressionante. Onde estava o humanismo das autoridades?  A fé? O amor ao proximo? Nesse sentido, o médico Deepak Chopra (2010,) “Onde há repressão, hipocrisia religiosa, pobreza, má liderança ou intenção de fazer mal, a sombra se torna mais densa”.

No quesito saúde, é essencial para o Estado ater-se à disseminação de doenças também sexualmente transmissíveis. E isto poderá ser visualizado como forte atributo que evidencia como se fosse estabelecer moeda de ‘troca’ por ilícitos. No Capítulo II, Dos Direitos Sociais da Constituição, Art. 6º, “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdencia social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. No cenário existente na cidade de Cuiabá e nos atendimentos aos municípios, notar-se-á que alguns eleitos não estão preocupados em cumprir lei. Isto é uma bancarrota social. Os eleitores merecem que a lei seja respeitada. O eleitor foi às urnas e obedeceu à Constituição, elegendo um administrador. Este lhe vira as costas, haja vistas as ‘casas de apoio’ irregulares que existem.  A cidade está tomada pela inércia política de alguns.

Enquanto no Judiciário, que combateu o narcotráfico, orgulhamo-nos de alguns juristas, entre os quais o dr. Alex Nunes de Figueiredo, da 3ª Vara Criminal de Cáceres-MT e de Execuções Penais, que, no jornal “Folha do Estado”, em 11/6/2010, diz: “(...) Como se explica a fila de espera para compra de carros de R$ 100 mil, R$ 120 mil, lojas e mais lojas vendendo muito? O tráfico faz parte da cultura da cidade. Se acabar com o tráfico de drogas, a cidade quebra.” In: Miranda (2014). Em 12/6/2010, o jornal  A Gazeta anunciava: “Advogado acaba preso por xingar juiz em Cáceres”. O fato ocorreu no hotel em que houve o encerramento do 2º Encontro de Fronteira, em Cáceres-MT, 224 quilômetros de Cuiabá-MT. No combate ao tráfico, nada deteve a autoridade. Seguindo a postura de honradez da chancela, o juiz Antônio Veloso também trabalhou quebrando um ‘braço’ do tráfico. Isto é cumprir a Constituição!  A Folha de São Paulo de 22/01/2003 pontuou: Barão das drogas pega 23 anos de cadeia. “(...) é condenado por tráfico de 327 kg de cocaína”. A droga foi apreendida pela Polícia Federal-PF em um avião, na cidade de Cocalinho-MT . (Da Agência Folha em Campo Grande-MT).

 A lancha trazia produtos básicos e retornava com: ipecacuanha, borracha e peles ‘finas’ até os anos 1980, e os patrões ganhando muitas vezes lucros exorbitantes sobre uma categoria que era explorada às últimas gotas de esforço físico. O Encontro de Fronteira aconteceu e poucos souberam dele. No entanto, grandiosa foi sua importância, que deveria ser abordado em horário nobre em todos os meios de comunicação.  O evento abordou saúde e segurança públicas, abrangendo traficante e recuperação de vidas.  O jurista Paulo Prado (2011) enfatizou: “A cocaína que é consumida no Brasil entra pela região de Cáceres. Então, o problema é brasileiro (...). Nós temos que fortalecer a fronteira”.

O promotor de Justiça de Entorpecentes do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), José Theodoro Correa de Carvalho, acredita: “Não é tentando fechar as fronteiras que se evita o tráfico. Nenhum país do mundo encontrou uma solução para isso e é uma ilusão (...)”.A imagem abaixo da (Polícia Federal-PF, Mato Grosso-MT/GEFRON-MT. Apreensão de 500 quilos de cocaína/Cáceres-MT, reflete que, toda sociedade deve participar de denuncias quando detectar  atitudes duvidosos que colocam em risco a nossa juventude.
Nesta sociedade moderna do mundo globalizado, em pleno século XXI, poderemos unir governo, população e religiosos para gerar oportunidades para os dependentes químicos. As polícias trabalham tanto, muitas horas exaustivas, sem conforto, e, nem sequer recebem salário e, nem verba como alguns Deputados (verba indenizatória) 65.000$+25.300$, como oficializa D.O 16 /04/2015, Decreto Legislativo Nº 42.  Imagine! O salário de Policiais da fronteira que vivem: só por DEUS. Mas, sempre sentem orgulhosos da farda. Conforme Karl Von Den Steinen, 1940: “400 bororos chegaram a Cuiabá” no período de 1887. Em suas pesquisas, os jornalistas Reinaldo Fernandes e Sandra Carvalho pontuaram sobre a ‘Ilha da Banana’: “A Ilha já chegou a abrigar 100 dependentes químicos”.

Houve união da população naquele período, para utilizar a mão de obra indígena, ainda mais que eram ‘400’.  Atualmente só “100” precisam urgentemente de apoio dos poderes. O nome ‘banana’ retrata as maravilhas da fruta, e a cor verde-oliva metálico das folhas brilhantes, que foi admirada pelo mais ilustre etnólogo francês Claude Lévi-Strauss, em ‘Tristes Trópicos’. Poderíamos e deveríamos fazer uma reflexão profunda e minuciosa, tanto do Estado quanto das religiões e da sociedade, e assim questionar as práticas de política e saúde públicas para resolver a questão da doença droga.

Sejamos céleres, para fomentar condições de sobrevivência. Como diz Caetano Caetano Veloso na música: ‘Alegria, Alegria’ (Sem Lenço, sem Documento): “Caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento.” (...) “Nada no bolso nas mãos”. “O sol se reparte em crimes, Espaçonaves, guerrilhas”. (...) “Sem livros e sem fuzil.” E, alegria e mais alegria somente para os que estão em ar-condicionado, cadeiras confortáveis e longe do povo.

Evidentemente que alguns políticos estão longe da sociedade de corpo, coração e mente. Conforto? Para o eleitor que frequenta o Hospital Júlio Müller-HUJM, jamais! E nem sequer refletem sobre médicos verdadeiros heróis que trabalham naquele espaço físico. É só Deus na causa!  A cidade de Nova York , no coração de Manhattan, o Bryant Park nos anos 1980,  tinha  ‘crack houses’ em seu cotidiano, cruelmente o círculo da doença letal ‘droga’. Se as autoridades conseguiram investir e reverter o panorama e disseminar equilíbrio e serenidade, então em Mato Grosso temos possibilidade de resgatar os cidadãos. Estes são o maior brilhante do mundo e representam nosso futuro!

Recorri à música ‘Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores’, de Geraldo Vandré, 1968: “Somos todos iguais, Braços dados ou não. Nas escolas, nas ruas. Campos, construções”, evocamos aos gestores: “Que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora. Não espera acontecer. Somos todos iguais, braços dados ou não. Somos todos soldados. Armados ou não.” (Vandré: 1968).  Sentimos força e esperança nas instituições. Contudo, o Estado está lamentavelmente sem preocupação com a exclusão social. 

*Graci Ourives de Miranda é Professora/escritora.
 
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