Olhar Direto

Segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Opinião

Quem irá pagar a conta?

Autor: Licio Antonio Malheiros

27 Jul 2017 - 08:00

O Brasil vive hoje, uma de suas piores crises: de identidade, de moralidade, de pudor e por ai vai, tendo como elemento norteador, alguns maus políticos, que usam o 'vale-tudo', para manter-se no poder, usando de artifícios pouco ortodoxos, que representam verdadeiro escárnio, para população como um todo. Na obra "O príncipe", escrita em 1513, (e publicada postumamente, em 1532), Maquiavel dá conselho aos governantes de como manter o poder absoluto, ainda que, para isso, tenha que fazer uso da força militar ou mesmo fazer alguns inimigos. Hoje em pleno século XXI, a teoria de Maquiavel cairia por terra, pois não é preciso fazer guerras, já vivemos uma em nosso cotidiano, nossos inimigos são claros e declarados. A  inovação, ficou por conta dos nossos governantes, que para se manter no poder, ofertam aos seus aliados, cargos e emendas parlamentares.

Não estou criando nenhum factoide ou inventando algo a esse respeito, basta voltarmos um pouco no passado não muito distante, para resgatarmos alguns episódios protagonizados pelos poderes constituídos.

A Câmara dos Deputados recebeu denúncia de corrupção passiva contra o Presidente Michel Temer, encaminhada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot pedindo que o STF condenasse Temer à perda do mandado.

Na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ), a denúncia de corrupção passiva foi rejeitada  por 40 a 25 votos e uma abstenção; com relação ao relatório apresentado pelo deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), que recomendava a autorização da Câmara dos Deputados para que o Supremo Tribunal Federal (STF) investigasse a denúncia de corrupção passiva contra Michel Temer.

A vitória governista contou com uma série de manobras, que até podem ser legais, porém é imoral, uma vez que envolve troca-troca de parlamentares, 13 dos 66 integrantes titulares da Comissão de Constituição Justiça e Cidadania (CCJ) foram trocados por aliados governistas, através do 'toma lá, dá cá' com oferecimento de cargos aos aliados, além do derrame de emendas parlamentares. Desde o dia  17 de maio, um dia após a notícia da notificação do pedido de abertura de processo de impeachment de o Presidente Michel Temer; que ele deu início à  abertura da torneira através de emendas parlamentares chegando à casa de R$ 1 bilhão, dos quais a maior parte destinada a seus aliados.

O próximo passo dessa novela mexicana, envolvendo a denúncia   do procurador-geral da República, Rodrigo Janot pedindo ao STF a condenação de Temer à perda do mandado, irá acontecer em plenário, onde serão necessários ao menos 342 votos, de 513 deputados para aprovar o prosseguimento do processo.

Só está faltando agora, nosso governante, criar uma versão palaciana, desse sucesso latino que tomou as paradas musicais nos últimos anos, com a música "Despacito", que já é um hit do cantor porto-riquenho Luis Fonsi.

Vamos tentar criar uma versão palaciana, do refrão da música "Despacito", que em português significa Lentamente.

Lentamente

Quero respirar o seu pescoço lentamente Deixa-me dizer-lhe coisas em seu ouvido Para que se lembre se não estiver comigo. (versão original em português do refrão).

Palaciana

Quero sugar o seu pescoço lentamente contribuinte Deixa-me  dizer-lhes parlamentares, ofereço-lhes (cargos, emendas parlamentares e otras cositas mas) Para que se lembre se não estiver comigo estarão comprometidos (o aumento da alíquota do Pis/Cofins para a gasolina, elevando o preço final dos  combustíveis e por ai vai). (versão palaciana)

Pare o mundo, quero descer!


Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo (liciomalheiros@yahoo.com.br)
Sitevip Internet