Olhar Direto

Quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Opinião

'Bunker' seria de Geddel Vieira Lima

Autor: Licio Antonio Malheiros

06 Set 2017 - 10:02

Confesso, ao depararmos com as imagens protagonizadas pelos jornais televisivos, sites, enfim, através da imprensa brasileira como um todo; chegamos à conclusão de que o nosso país não tem jeito. Na terça-feira (5), a PF deflagrou uma operação batizada de Tesouro Perdido, que na verdade é continuação da Operação Cui Bono, responsável pela prisão de Geddel Viera Lima em julho. Na operação Tesouro Perdido, a PF apreendeu milhões de reais em espécie, encontrados nesse apartamento, nove malas e sete caixas de papelão lotados com notas de 50 e 100 reais, contabilizando 51.030.866,40 reais no 'bunker' onde supostamente, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), teria armazenado dinheiro  ilícito, em Salvador, na Bahia. Dinheiro este, armazenado em um apartamento, utilizado apenas, para guardar dinheiro de origem criminosa.

A cena foi tão assustadora e vergonhosa; temos certeza, que a própria Casa da Moeda deve ter ficado com inveja, tamanha  quantidade de dinheiro em espécie ali encontrado, algo inimaginável.

O cumprimento do mandado ocorreu um dia depois que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, admitiu que a delação da JBS pode ser anulada porque três dos delatores teriam omitido informações aos investigadores.

A Polícia Federal atirou no pato acertou o ganso,  na denúncia feita, aventava-se a possibilidade de  nesse local, serem encontrados  documentos escondidos pelo ex-ministro da Secretaria de Governo de Michel Temer; ao invés disso, foram encontrados   51 milhões de reais.

Os modus operandi dessas quadrilhas do colarinho branco, a cada dia que passa nos surpreendem mais, tamanha cara de pau e desfaçatez desses criminosos, que   acabaram perdendo de vez,  o senso do ridículo, capitaneados, pela certeza da impunidade e pela morosidade e benesses das leis existentes em nosso país, pois cadeia  foi feita para ladrão de galinha.

O Brasil em 2006 ficou estarrecido quando veio a público, um vídeo no qual José Celso Gontijo, dono da construtora JC Gontijo, apareceu em um vídeo entregando dois pacotes de dinheiro a Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais.

Depois, esse montante arrecadado em propina, foi distribuído ao governador José Roberto Arruda e ao vice Paulo Octávio, quantias de R$ 50 mil, esse dinheiro era colocado em meias, cueca e bolsos do paletó; naquele momento, a população ficou estarrecida e revoltada.

 Só que, o dinheiro de propina arrecadado naquela época, acabou virando  hoje, dinheiro de pinga, tamanha  evolução na malandragem e perspicácia, dos gestores públicos  em desviar dinheiro público.

Mato Grosso também foi pego de surpresa, com cenas gravadas com áudios e vídeos perfeitos, de recebimento de propina, envolvendo gestores públicos, entre os quais o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PMDB), além de deputados estaduais, que inovaram no modo de recebimento da propina, colocando-as em: malas, mochilas, pastas de computador, bolsas e finalmente no paletó. Esse câncer chamado corrupção, tem que ser extirpado de vez das nossas vidas.

Pare o mundo, quero descer!


Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo (liciomalheiros@yahoo.com.br)
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