Olhar Direto

Segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Opinião

​Como o Casamento

Autor: José Arimatéia

13 Set 2017 - 08:00

Neste momento em que está em evidência em todos noticiários a chamada “delação premiada”, em que parceiros na corrupção e na política denunciam uns aos outros, no intuito de serem beneficiados pela bondosa ação de membros do Ministério Público e Poder Judiciário. Afetando moralmente a Suprema Corte de Justiça, o STF e seus componentes, os ministros, como o recente caso dos proprietários e executivos da JBS.
 
O perdão e vantagens concedidas a eles pelo MPF e ratificada pelo STF. Chocou a nação, deixando implantado no consciente popular que o crime de “colarinho branco” compensa. Roubam, corrompem e são corrompidos, viram dedos duros, devolvem cinco por cento do que embolsaram dos cofres públicos e continuam livres e debochando da Justiça e do povo brasileiro.
 
Dentro deste contexto vale aqui lembrar as declarações do juiz Pietro, responsável pela operação “Mãos Limpas” na Itália, fonte de inspiração para o juiz Moro na operação “Lava Jato”. Afirma o italiano: “o crime de corrupção é como o casamento, só acontece se tiver o noivo e a noiva. A corrupção também só acontece se existir os dois personagens, o corrupto e o corruptor. A diferença é que o casamento une os dois por amor. A corrupção une essas figuras execráveis pela roubalheira, ganância, mesquinharia, pelo mau caratismo e outros adjetivos impublicáveis”.
 
Por sorte não existe crime perfeito. O proprietário da JBS, o seu executivo e o ex procurador em tom de zombaria para com o povo acabaram se entregando e viraram presidiários.
 
No entanto merece reflexão, a pergunta que não quer calar, ou seja a posição do ministro Edson Fachin, recomendando um tratamento diferenciado, ordenando que houvesse a máxima discrição da Polícia Federal no cumprimento do mandado de prisão dos supostos réus, no sentido de não prejudicar a imagem dos mesmos.
 
Deu a entender, usando termos jurídicos que foi praticada na ação do ministro, o chamado “amicus curiae” ou seja no bom português, amigos da corte.
 
Daí vem o questionamento, o que levou o ministro Fachin a fazer estas recomendações, antes nunca feita para um outro envolvido na “Lava Jato”? Com a palavra o ministro e seus pares.
 
 
 
José Arimatéia – Ex Dep. Estadual
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