Olhar Direto

Sábado, 16 de dezembro de 2017

Opinião

A rua pública e privatizada

Autor: Rodrigo Damacena

27 Set 2017 - 14:00

Vivemos em tempos difíceis economicamente, nunca visto tão crítico por alguns especialistas da área da economia. Como diz um jargão popular, “pessoas estão vendendo o almoço para comprar a janta”,isto é nítido, e quem vive no Brasil sabe muito bem o que estou dizendo. Precisa-se de dois ou mais empregos para sair da sucumbida situação financeira.

Embora nem todos estão passando por um momento ruim, existe àqueles que conseguiram estabilidade, ou seja, pessoas que possuíram riquezas construídas ao longo do tempo e administram para manter o conforto, mas o argumento ainda é pessimista. Contudo conversando com um proprietário de uma lanchonete, esclareceu que a freguesia em tempos atrás era muito mais positiva, mas que hoje em dia devido ao momento instaurado no país, ainda consegue manter um padrão adequado.

Cuiabá assim como em todo Brasil carrega contigo desigualdade social, alguns trabalham e vivem bem, outros não conseguem um emprego e inventam nas ruas, basta andar nas principais avenidas da cidade, Historiador Rubens de Mendonça (Avenida do CPA), Fernando Corrêa da Costa, e por aí vai. Cada passo é uma apresentação de forma aleatória dos subalternos cuiabanos, oferecendo prestação de
serviços ou solicitando ajuda para almoçar. Isto ocorre dentro de um período comercial, pois é aí que existe o maior fluxo de pessoas e lucro garantido.

Neste cenário de rua o que deixa reflexivo está entre, obrigação e colaborar, ambas palavras na nossa capital correm alternadas no intuito de, ou você colabora ou é obrigado a colaborar. O fato ocorre não só para quem usufrui do próprio veículo, como também um almoço em restaurante. Pareço caótico? A explicação é simples, se for estacionar nas avenidas ou fazer alguma refeição nos restaurantes da cidade, precisará reservar um dinheiro para estes cidadãos viventes em espaço público. Sendo assim, utilizo da palavra “precisará” porque é bem verdade que alguns intimidam com histórias de furtos e prejuízos por falta deste investimento.

Com esta situação de “rua pública e privatizada”, houve uma experiência inusitada após um evento que participei, quando cheguei ao meu veículo fui abordado por um homem esclarecendo que foi tudo sobre controle enquanto estive ocupado, e na realidade não solicitei nenhum vigilante pois estava estacionado em local público, mas de acordo com o suposto vigia era necessário uma ajuda monetária pelo momento atual de dificuldade.

Então de boa intenção colaborei com um valor simbólico e para a minha surpresa o mesmo disse, “se o senhor não tiver trocado eu troco aqui”, claramente enxerguei com os meus próprios olhos, estava com mais “trocados” do que eu. Conheço pessoas que combinam um valor mensal com os moradores de rua para cuidarem dos veículos enquanto trabalham ou resolvem problemas particulares, porém a verdade é que o débito para isto está incluso no imposto, principalmente quando o assunto é a qualidade no espaço público, mas isso vejo apenas na teoria. Portanto estamos sempre refém das pessoas que habitam em avenidas de Cuiabá, muitas delas mal intencionadas se acaso não cumprir com o pedido, e de maneira subliminar alega que a verdadeira supervisão provém dos mesmos e não das autoridades.

*Rodrigo Damacena é estudante de Jornalismo.

 
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