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Domingo, 22 de outubro de 2017

Opinião

Futebol dos menores

Autor: Rodrigo Damacena

11 Out 2017 - 14:32

Cuiabá foi uma das cidades escolhidas para sediar jogos da copa do mundo em 2014, um feito histórico nesta cidade apaixonada não somente pela pesca mas também pelo esporte. Contudo o evento motivou muito quem ainda sonha em ser jogador profissional de alta categoria. Lembrando que a carreira é muito precoce, após a copa, as escolas de futebol agitaram alguns procedimentos com adolescentes e jovens para um futuro promissor.

            Ressaltar a diferença entre um lugar e outro é necessário, ou seja, “escolinhas” de futebol financiadas por jogadores profissionais, contém uma estrutura melhor do que as que dependem somente de alguma doação (ou nem isso). As privadas sem nome de jogador famoso, também marcam presença eficaz em nossa cidade, algumas com grama sintética e vestiário confortável. Com isso, os jovens criam expectativa de se tornar “craque de bola” para chegar em um patamar de total conforto e fama cada vez mais, assim como eu busquei um dia.

            Boa parte da minha vida tentei ser jogador de futebol, treinava em lugares moderado do bairro em que morava no interior de São Paulo, mas nem tudo dependeu da minha pequena destreza no ramo, o esporte (pelo menos aqui no Brasil) exige muito esforço e força de vontade para alcançar lugares mais altos. Treinadores que tive o prazer de ser submisso, suavam a camisa para manter um excelente time nas mãos. E meus amigos tentavam ao máximo fazer o melhor dentro do campo para serem vistos pela maioria, diga-se de passagem, jogavam demais! E em Cuiabá, pelo tempo que acompanhei esta categoria, nos treinos dos nossos garotos é notório o prazer de bater aquela bola e buscar vitórias assim como era na minha infância/adolescência.

        Conversando com alguns iniciantes, deparei-me com um sonho extenso impulsionado pelo prazer e amor ao futebol. Acompanham referências como Neymar, Messi, Cristiano Ronaldo. Tentam driblar de maneira igual dentro das partidas, e como o próprio Cristiano Ronaldo disse em uma entrevista: “O dom serve se houver muito trabalho”, eles correm e passam dos limites para alcançar o que querem em um jogo. Portanto usam o mesmo estilo de cabelo e roupa, copiam comemorações quando fazem gol e não escondem o sentimento pelo ídolo. Estou falando de algo padrão, desde as mais sofisticadas até periferias de Cuiabá.

            Visualizar todo o ambiente foi automático quando visitei a primeira escola de futebol da nossa cidade, o que me chamou atenção foi à atmosfera em que ronda esses lugares que ensina o esporte, caracterizada por pai, mãe, irmãos, amigos e torcedores do “clubinho”. Todos torcem e palpitam enquanto à bola gira no campo, se expressam como se estivessem no mesmo time argumentando mais do que o treinador, e o impressionante é que isso tudo acontece nos dias simples de treino. E se os jogadores estão ou não ouvindo, não poderia eu afirmar, mas é vistoso o futebol apresentado por cada um, seja com o calor de Cuiabá ou em outro ambiente. Eles são precisos dentro de campo, estão com pouca idade mas mantendo um bom nível de habilidade e disciplina solicitado pelos responsáveis.

            Estes lugares desempenham um papel fundamental para a cidade, colaboram com o crescimento de caráter em uma idade necessária para interiorizar regras, e não se fala só do futebol e sim em educação, mostrando que o projeto tem tudo para ser positivo. Assim cabe sempre apreciar este esporte apaixonante que envolve menores sonhadores e consumidores de uma boa obediência.


Rodrigo Damacena é Jornalista
 

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