Olhar Direto

Domingo, 19 de novembro de 2017

Opinião

500 anos da Reforma Protestante

Autor: Dilemário Alencar

31 Out 2017 - 15:45

Na cidade de Wittenberg, na Alemanha, há 500 anos, o monge agostiniano Martinho Lutero pegou um martelo para pregar um pergaminho com 95 teses na porta de uma igreja que funcionava em um Castelo. Esse fato histórico, que ocorreu no dia 31 de outubro de 1517,  trouxe grandes transformações para a humanidade.

Certamente, nem o próprio Lutero podia imaginar as consequências do seu ato. Talvez, pensasse apenas em começar um debate local, motivado por não concordar com práticas da  igreja de seus dias. As suas 95 teses escritas no rústico papel alertavam o povo para a pregação de ensinos contrários à Biblia. Lutero levantou a voz contra a igreja dominante, pregando que a salvação do homem só é possível pela graça de Deus.

O jovem alemão Martinho Lutero, que na época tinha apenas 34 anos, deu início a um movimento que mudou o mundo. A Reforma Protestante além de resgatar as verdades contidas nas Escrituras Sagradas, trouxe também transformações para a humanidade em diversos aspectos, como no social, econômico e político.

A Reforma Protestante enfatizou a importância do indivíduo como agente responsável diante de Deus e do mundo. Nota-se que até o momento da Reforma, as pessoas eram vistas pela Igreja dominante como parte de um povo que precisava depender inteiramente da igreja institucionalizada. O povo (iletrado, analfabeto), não era visto como capaz de pensar e entender a Bíblia, somente o sacerdote tinha tal prerrogativa.

Com a Reforma, as pessoas passaram a ser vistas como indivíduos, que com a iluminação do Espírito Santo, podiam ir às Escrituras e obter dela as instruções para a sua vida e até mesmo chegar ao conhecimento da salvação sem a mediação da igreja. Ou seja, somente com a mediação de Cristo Jesus. 

Na questão política, a Reforma defendeu a separação entre Igreja e Estado. Foi ensinado, por exemplo, que embora ambos os regimes eram de origem divina, contudo, deveria-se preservar a distinção entre eles.  A Igreja não deveria se misturar ao Estado e nem o Estado interferir na igreja. Os reformadores em seus escritos foram bastantes contundentes e criticaram o regime papal que lutava por se intrometer no Estado.

No âmbito social, pode-se destacar a ênfase que o movimento reformista deu à educação. A Reforma Protestante promoveu a criação de escolas e universidades. Para os reformadores, a promoção do conhecimento era importante para criar uma nova sociedade.

Indubitavelmente, devemos valorizar  e reconhecer os avanços dados pela Reforma, praticando os ideais reformistas que tanto benefício produziu no mundo. Foi com essa convicção que requeri à Câmara Municipal a realização de uma Sessão Solene, ocorrida no dia 30 de outubro, para homenagear os 500 anos da Reforma Protestante.

A solenidade, que foi aberta a toda população, contou com a participação dos coralistas do Coral Evangélico de Cuiabá e Nanita Ferrer e teve a palavra do pastor Marcos Serjo da Costa, da Igreja Presbiteriana de Cuiabá. Na ocasião, foram homenageadas lideranças das igrejas históricas que iniciaram o movimento reformista no Brasil como a igreja Luterana, Metodista, Batista, Presbiteriana e também da Assembleia de Deus que surgiu com o advento do movimento pentecostal.

A Sessão Solene foi uma forma da  cidade de Cuiabá reconhecer a importância histórica da Reforma Protestante, deixando registrado nos anais da Câmara Municipal,  que no século XVI,  o  monge alemão Martinho Lutero, engajado na sua fé em Deus e encorajado pela ideia do igualitarismo, deu início ao movimento reformista que mudou a história do mundo, ao defender  95 teses que protestavam contra a corrupção, a prática de indulgências pelo clero e a deturpação do evangelho, entre outros pontos.

Portanto, devemos agradecer a Deus, pelo que Ele fez e tem feito na história. E que  o Evangelho ao ser vivido e testemunhado por nós, possa produzir transformações em nossa querida cidade de Cuiabá, à semelhança daquelas que experimentaram os primeiros reformadores.


Dilemário Alencar, é vereador em Cuiabá
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