Olhar Direto

Domingo, 19 de novembro de 2017

Opinião

Trabalho infantil e evasão escolar

Autor: Caiubi Kuhn

07 Nov 2017 - 10:45

É fato que quem possui mais instrução, ou seja, que atingiu um grau maior de formação possuirá acesso a salários maiores. Também é fato que o trabalho infantil em geral está associado à situação financeira precária da família da criança. O trabalho infantil e a evasão escolar são dois temas relacionados, pois criam um circulo vicioso nada virtuoso que impede o desenvolvimento humano e social.

Bom, sei que devem ter leitores que possuem aquele pensamento “criança tem mesmo é que trabalhar, melhor isso que criar vagabundo”. Pois bem, enquanto temos crianças fora da escola e trabalhando, temos outras em uma boa escola e aprendendo quatro idiomas, com laboratórios de primeiro mundo e com acesso a ciência e tecnologia. Qual destas crianças terá um futuro melhor?

Conforme demonstra os dados da PNAD 2012, na data de referencia, 6,2% das crianças na faixa etária de 10 a 13 anos estavam ocupadas. Ao analisar os dados do CENSO 2010, vemos que na faixa de 10 a 13 anos das crianças que frequentam a escola 5,74% trabalham, do total de crianças na mesma faixa etária fora da escola 19,56% trabalham. A relação entre trabalho infantil e evasão escolar é clara, da mesma forma que existe a relação entre escolaridade e média salarial.Se quisermos um país com mais igualdade e qualidade de vida, precisamos discutir a transição escola-trabalho.

De acordo com a lei nº 8.069, Artigo 60: “É proibido qualquer trabalho a menor de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz.” Ao contrario do que muitos desinformados por ai dizem, é possível sim trabalhar após os 14 anos, mas não em qualquer serviço ou em qualquer condição. A mesma lei considera aprendizagem a formação técnico-profissional ministrada segundo as diretrizes e bases da legislação de educação em vigor, e essa formação deve seguintes princípios: I - garantia de acesso e frequência obrigatória ao ensino regular; II - atividade compatível com o desenvolvimento do adolescente; III - horário especial para o exercício das atividades.

Citei a possibilidade do menor aprendiz, mas acredito que a transição escola trabalho deve ocorrer um pouco mais tarde e de forma gradativa. Sonho em ver um país com cidadãos qualificados e com condição de desenvolver as mais diversas profissões com segurança e com bons salários. Se quisermos ter um país desenvolvido precisamos que nossos jovens tenham as condições necessárias para desenvolver ao máximo as suas potencialidades e isso só é alcançado através da educação.

É preciso combater de forma séria o trabalho infantil e a evasão escolar, atacando as causas destes problemas. Precisamos fazer com que as nossas crianças tenham uma formação adequada, garantir isso, é uma forma de possibilitarmos um futuro melhor para cada uma delas e para suas famílias. A educaçãoé o único caminho capaz de emancipar o individuo.
 

Caiubi Kuhn é Geólogo, mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Docente do Instituto de Engenharia, Campus de Várzea Grande, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); E-mail: caiubigeologia@hotmail.com
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