Olhar Direto

Sábado, 16 de dezembro de 2017

Opinião

​ Retratos do Brasil 1 – as olimpíadas do trânsito

Autor: Eustaquio Rodrigues Filho

05 Dez 2017 - 10:20

Hoje começo a série Retratos do Brasil. Serão 5 textos que mostrarão o retrato da sociedade brasileira em 5 diferentes situações, mas que refletem exatamente como se comporta o cidadão brasileiro. Em todas elas, esse comportamento – individual e coletivo - se difere, e muito, de lugares em que a educação e a lei são sérias e respeitadas. A primeira delas será Retratos do Brasil – as olimpíadas do trânsito.

Pra começo de conversa, o trânsito brasileiro se assemelha a uma disputa de olimpíadas, com suas diversas modalidades e todo sacrifício inerente aos esportes de alto rendimento. Ao pegar um carro e dirigir nos centros urbanos do país você tem que se vestir de coragem e paciência, características obrigatórias para um campeão olímpico. Coragem, principalmente, se você for se aventurar nas ruas brasileiras, uma verdadeira Corrida com Obstáculos, terá que desviar de motoqueiros imprudentes e irresponsáveis que insistem em dirigir no meio das pistas, pedestres que atravessam fora da faixa e ônibus que são verdadeiros mamutes predadores. Pratica-se nas ruas do país também a Canoagem, pois quando chove é raro encontrar uma rua que não esteja alagada.

A paciência, virtude inerente a todos os campeões olímpicos, inexiste no trânsito brasileiro. A sucessão de traçados mal feitos de ruas e avenidas só é superada pela falta de educação, o que faz brotar uma geração de motoristas mal-educados que insistem em levar vantagem (de forma indevida e perigosa) em acostamentos, rotatórias, estreitamento de pista, estacionamentos e em faróis vermelhos. Isso quando não estão participando dos 100 ou 200 metros rasos ao imprimirem altas velocidades -  acima de 100 km/h - em pistas que comportam no máximo as velocidades de 70 ou 80 km/h. O que também nos torna impacientes e indignados é pegar um táxi em algumas cidades brasileiras, o que se assemelha ao (As)Salto Triplo: assalto no preço, assalto no trajeto e assalto na vergonha na cara.

Quando observamos o quadro de medalhas, verificamos que o Brasil possui 3 medalhas de ouro incontestáveis: número de atropelamentos, número de acidentes com morte e valor mais alto a se pagar por um automóvel. E está encaminhando mais duas medalhas: a de IPVA mais alto e de maior burocracia para se tirar carteira de motorista.

Para finalizar, os nossos departamentos de trânsito (nacional e estadual) se parecem com nosso comitê olímpico: envoltos em escândalos de corrupção e inoperante para resolver as bases do problema, este para melhorar as bases do esporte, aquele para tornar o trânsito menos mortal, mais humano e mais honesto.


Eustaquio Rodrigues Filho é Servidor Público 
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