Olhar Direto

Sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Opinião

Lazer como direito da alma relaxar

Autor: Fernando Alves

07 Jan 2018 - 08:00

O lazer é a fuga da alma para transpirar e se desligar do mundo. Trata-se de algo tão importante que está relacionado intrinsecamente com a qualidade de vida e bem-estar das pessoas.

Muito mais do que ser um mero momento de descontração, o lazer possui múltiplas facetas, sendo uma delas o momento recreativo que alguém pode ter com a família ou consigo mesmo. Pois, quem não gosta de sentar na praça e conversar? Fazer caminhada enquanto ouve sua musica favorita ou recruta as amigas para começar o projeto verão? Mais ainda, reunir os amigos para jogar uma 'pelada' no campinho do bairro no final de semana, quem não gosta?

Uma cidade torna-se muito melhor quando fornece opções para seus habitantes exercitarem seus momentos de lazer. Temos que ter em mente, antes de tudo, que o lazer tratado aqui não se refere a bares, cinemas, restaurantes, entre coisas do mesmo gênero. Não se trata de lazer que é necessário pagar para se obter, apesar de que algumas pessoas vão a certos lugares e nada gastam, apenas curtem o lugar, como eu faço em lugares com ar condicionado. Trata-se de lazer ao alcance de todos, gratuito e oferecido pelos entes públicos. Tais como praças, quadras poliesportivas, ciclovias, campos, academias ao ar livre, parques, entre outros.

Ter os itens elencados acima é um direito de todo cidadão. Para demonstrar isto basta percorrer alguns artigos da Constituição Federal, chegando ao artigo sexto que discrimina, dentre os Direitos Sociais, o lazer. Na Constituição Estadual, documento que poucos sabem da existência e tão lido quanto bulas de medicamentos, reforça que é "dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à convivência familiar e comunitária...". Já em outro documento mais desconhecido que a Constituição Estadual, temos uma espécie de Constituição Municipal, a Lei Orgânica. Na Lei Orgânica da nossa amada cidade de Várzea Grande, o lazer é tratado como questão de saúde. A saúde é, de acordo com o parágrafo único do artigo 151, a combinação de condições, tais como "alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde...".

Pois bem, tendo em mãos tais informações que nada mais são que nossos direitos. Olhemos para a nossa cidade sobre o seguinte panorama: um parente seu acabou de chegar à cidade, e lhe te pergunta sobre o que a cidade tem a oferecer? Há de concordar que se tratando de lazer público, não há muitas opções. Entretanto, há diversas soluções para tal.

Temos, por exemplo, a Avenida Aleixo Ramos, que dá acesso a Avenida Mario Andreazza, onde dezenas de pessoas fazem caminhadas. Revitalizar o trajeto seria um bom começo, adicionando ao percurso a devida iluminação que, por vezes, é insuficiente até mesmo para quem faz o trajeto de veículo automotivo. O mesmo se repete para avenidas como Mario Andreazza, João Ponce de Arruda, Trinta e Um de Março e semelhantes.

Outra sugestão é a inclusão de plantas ornamentais que embelezariam a cidade. Quem fizesse sua caminhada seria acompanhado pelas plantas e aqueles que estivessem de passagem admirariam tua beleza, o que seria um ponto positivo. O lazer também se encontra na forma como o ambiente é disponível para você, como você o vê.

A revitalização de praças é fundamental. Trata-se de um local que por natureza é um ponto de encontro de pessoas, no entanto, tais espaços estão sendo utilizados por usuários de drogas, o que afasta grande parte da comunidade que poderia fazer uso do local. O mesmo acontece com quadras poliesportivas e parques. Ademais, soma-se a isso a depredação e abandono. Um exemplo disso é a imagem do Ginásio Poliesportivo Júlio Domingos de Campos, mais conhecido como Fiotão, antes da retoma das obras.

De fato, a querida cidade de Várzea Grande não possui muitos lugares de lazer público, ainda mais se comparado com a capital em seu número de parques e, recentemente, revitalização da orla. Todavia, a título de reflexão, vejamos alguns números da LOA (Lei Orçamentária Anual, documento onde está previsto a estimativa de receita e despesas) do ano de 2017 de "Vegê". A despesa estimada para o Desporto e Lazer está na casa dos R$9.390.000,00. Apoio e Incentivo a Cultura dispõe de R$1.200.000,00. Infraestrutura Urbana usa R$214.562.069,60. Ao todo, somando a despesa especifica para o Desporto e Lazer com áreas correlatas, temos mais de R$225 milhões em despesas. Com tanto dinheiro, qual é o nível de lazer ofertado por nossa amada cidade?

Lazer trata-se bem mais de mera recreação. Um ambiente favorável e propicio para o exercício do lazer é, sem sombra de duvidas, o próprio exercício da cidadania. O direito de poder libertar a alma para respirar, transpirar e se desligar do mundo. Ponto de encontro e paz de espírito. Acima de tudo isso, é qualidade de vida. 
 

Fernando Alves é acadêmico de Direito e escritor. @nando_allvez
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