Olhar Direto

Domingo, 21 de outubro de 2018

Opinião

O Santo Expedito de Goiás

Autor: Eduardo Póvoas

11 Mai 2018 - 08:00

Aqueles que são católicos já devem ter ouvido a história sobre Santo Expedito, que nasceu na Armênia. Dizem ser ele o santo das causas urgentes e protetor de estudantes e endividados.

Nós no Brasil em pleno século XXI temos também nosso Santo Expedito.

De família humilde nascido no interior de Goiás, açougueiro de repente, nada mais que de repente, tornou-se uma das maiores fortunas deste país.

A Igreja tem dúvida se esse enriquecimento rápido foi legal ou foi dos dízimos doados pelos fiéis.

Deixou de cortar carne no balcão para se tornar um empresário “benevolente”, “caridoso”, “solidário” principalmente com políticos em dificuldades financeiras.

Falo do nosso Santo Joesley, açougueiro do interior de Goiás caridoso, de coração muito bondoso e que jamais abandonou  umpolítico em situação financeira periclitante.
Hoje você pode pensar que é brincadeira minha, mas o Santo Joesley do interior de Goiás junto com seu irmão, são os dois maiores ídolos que tenho.

Conseguiram passar a perna nos sabichões da política brasileira. Escovados de corpo escorregadio tal qual a um muçum, muita gente caiu na “arapuca” do açougueiro outrora pobre.

Dou gargalhadas quando vejo um senador em conversa gravada com o açougueiro, elogia-lo ao lhe pedir um “pequeno dizimo” de dois milhões de reais, e ter a cara de pau de vir pra televisão depois de revelada pela polícia a conversa, chamar nosso Santo Expedito goiano de bandido.

Gravações de outros safados que o açougueiro fez dando-lhes “dízimos e mais dízimos” estão vindo à tona a toda hora.

Se nosso Santo  Expedito goiano disse que avisassem ao Senador que ele não daria mais dinheiro pois já estava sendo investigado, eu pensei: o que esse homem deve ter feito no Governo de Minas Gerais durante os oito anos que foi seu comandante?

Gostaria de receber da justiça brasileira a mesma complacência que tem com esses calhordas nas inadimplências de minhas dívidas, feitas cristalinamente nas instituições deste pais.

E o açougueiro? Como saiu do balcão no interior de Goiás para o central Park em Nova York?

Ganhou na loteria? Casou com mulher rica? O “dízimo” de Goiás é diferente  do Brasil?

Conversa fiada. O açougueiro ficou trilhonário dividindo dinheiro com quem abriu os cofres públicos para ele. Ninguem deu dinheiro para esses “tezos” do interior sem ter a certeza do retorno.

Ou deram dinheiro pra ele por achar lindo seu boné preto ou por ter casado com apresentadora de Teve?

Sou seu fã açougueiro. Pena que não nos tivéssemos conhecido no interior de Goiás na época das vacas magras, pois só assim estaria eu também dando cartas e jogando de mão, tomando hoje um scotch no seu ap de Nova York.

E viva o boi!!!!


Eduardo Póvoas - Pós Graduado pela UFRJ.
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