Olhar Direto

Terça-feira, 23 de outubro de 2018

Opinião

Filofobia

Autor: Licio Antonio Malheiros

02 Ago 2018 - 08:00

A chamada em questão está voltada a modernidade, que nos dias atuais, é entendida como um ideário ou visão de mundo relacionado ao projeto empreendido a partir da transição teórica operada por René Descartes, filósofo, físico e matemático. Através dele, criou-se a ruptura com a transição herdada, o projeto moderno consolidou-se com a Revolução Industrial.

Em síntese, a palavra filofobia, se traduz no medo do amor (ou de se apaixonar), ou fobia do amor, a palavra se origina do grego "filos", que significa "amar ou amado", na lista de fobias incomuns, a filofobia certamente está nas primeiras fileiras.

Nos dias atuais, esta fobia se encontra em voga, tendo em vista, maior abertura e discussão do tema em questão, principalmente nas redes sociais e em programas televisivos de grande audiência.

Para que o leitor possa entender melhor como e porque, esta fobia nos dias atuais vem sendo difundida e discutida. Isto acontece graças à capacidade de entendimento das pessoas, que de uma forma ou de outra, se sentem acometido por essa  fobia.

No computo geral, a maioria dos casos diagnosticados de filofobia, estão relacionados à traição, do namorado, do cônjuge, enfim de qualquer tipo de relacionamento afetivo em que nele ocorra algum tipo de traição, este caso, é mais comum nos dias atuais.

Porém, existem alguns casos em que a pessoa já tem a predisposição dessa fobia, porém, a mesma se agrava no decorrer de sua vida, marcada por uma necessidade de cuidar de um ente querido, na maioria das vezes pai, mãe e até de amigos.

Vamos sair dá questão corriqueira que tem como origem a traição, e entrarmos em um caso, mas específico que diz respeito ao cuidado de um ente querido.

Gosto de citar exemplos plausíveis e aceitáveis, principalmente por mim vividos, na qual tenha detectado esta fobia, em algum ente querido.

Na minha infância e adolescência, tive um amigo, vivemos áureos tempos, de brinquedos simples como: bola de gude, rolimã, pipa e por ai vai.

O tempo passou e continuamos amigos, na juventude ele tinha suas namoradas eu as minhas, até que me casei, tive dois filhos lindos e maravilhosos; separei-me, e nesse período todo, continuamos amigos, porém ele sempre dizia, não consigo me apaixonar por ninguém.

Naquela época, isso era frescura ou coisa que o valha, porém hoje, consigo entender com clareza e exatidão o que ele dizia, pois analisando seu histórico de vida, constatou-se que ele já sofria de filofobia, porém se agravou, quando de forma prematura perdeu o pai.

Ai, ele passou a dedicar-se exclusivamente a mãe, fazendo às vezes de pai, ocupando papel de destaque na vida de sua mãe, fazendo serviços domésticos, levando-a ao médico se dedicando quase que totalmente a ela, todos nós achávamos aquilo lindo e digno de exemplo para outras pessoas.

Porém, essa dedicação quase que exclusiva a mãe, acabou custando-lhe a oportunidade de encontrar uma companheira para seu convívio futuro, pois, sempre que ele levava uma namorada à sua casa, a mãe, usava como mecanismo de defesa, descaracterizar suas pretendentes, imputando a elas, defeitos até inexistentes, isso é perfeitamente compreensivo, pois era uma forma de salvaguardar seu protetor, seu filho amado.

Alguns anos depois, sua mãe falecera, ele envelheceu como é um processo natural, porém até hoje, se encontra sozinho não tem filhos e o que é pior, perdeu a capacidade de amar, que é uma das coisas mais belas da humanidade, ter um amor, uma pessoa que possa preenchê-lo e torná-lo feliz.


Professor Licio Antonio Malheiros é geografo (liciomalheiros@yahoo.com.br)
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