Olhar Direto

Quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Opinião

A dona da rua

Autor: Michelle Leite de Barros

11 Set 2018 - 08:00

A personagem mais querida das histórias em quadrinhos do Brasil é uma menina. Uma menina de sete anos, que usa um vestidinho vermelho e carrega para cima e para baixo um coelho de pelúcia azul, o Sansão.

Mônica, a protagonista, aquela que não leva desaforo para casa, a dona da rua, título tão almejado por Cebolinha em boa parte das histórias. O menino que troca o “R” pelo “L” vive “bolando planos infalíveis” para derrubar a nossa menina a fim de ser (como ele mesmo diz) “o dono da lua”. Porém, ela, com toda sua esperteza, sempre descobre tudo e resolve a confusão na base da “coelhada”. Os principais personagens masculinos, Cebolinha e Cascão, não são páreos para tirar Mônica do trono, resultando sempre na vitória dela encima dos meninos do Bairro do Limoeiro.

Como se não bastassem os planos, os meninos também provocam Mônica com apelidos como: “baixinha, gorducha e dentuça”. Motivo para mais “coelhadas”. Mas pensam que nossa protagonista se abala com tais apelidos? Não! A autoestima dela é alta e ela tem a certeza de que é linda. E é mesmo! Todas somos. Uma personagem empoderada que surgiu em 1963 como coadjuvante nas histórias do Cebolinha, mas que com toda sua força (em todos os sentidos), se tornou o centro das atenções, fazendo seu nome ser o de maior destaque nos gibis.

A Turma da Mônica agrada crianças, adultos e idosos desde o seu surgimento e é a HQ mais importante do Brasil. Seu criador, Mauricio de Sousa, inspirou a personagem em uma de suas filhas, Mônica Sousa, defensora das causas feministas e uma das executivas mais poderosas do país. Disse Mônica à revista Marie Claire, em 2017: “Não preciso mais dar coelhadas para conquistar meu espaço”. E não mesmo, afinal ela está no comando da empresa Mauricio de Sousa Produções e é engajada no projeto #DonasdaRua, que visa contribuir para que os direitos das meninas sejam respeitados, a fim de que possam ser o que quiserem ser.

A nossa amada “baixinha” não é retratada nas historinhas seguindo o padrão de beleza que a mídia impõe, mas sim como uma menina forte, inteligente, decidida e linda como ela é, fazendo notar que todas podemos ser “donas da rua”, mas muito mais que isso, todas podemos ser donas da nossa própria história, seja ela em quadrinhos ou real.

Mauricio de Sousa nos ensinou tanto com a Mônica, e com o passar dos anos a própria Mônica Sousa nos ensina tanto com ela mesma, que ser a inspiração para ser a “menina dentucinha e sabichona” dos gibis faz-nos perceber que a personagem encaixou perfeitamente com a homenageada, crescendo ainda mais a admiração pela família que há anos leva alegrias e vontade de ler a tantas pessoas ao redor do mundo. Obrigada, Mauricio! Obrigada, Mônica!
 

Michelle Leite de Barros é Advogada em Cuiabá-MT.                       
                       
Sitevip Internet