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Futebol da seleção foi a única decepção brasileira na Copa das Copas

R7

14 Jul 2014 - 09:32

Para quem acreditava na ideia de que não iria haver Copa no Brasil, tamanhas as dificuldades estruturais do país, a Copa do Mundo de 2014 não só superou as expectativas como se consolidou realmente como a mais simpática e acolhedora Copa de todos os tempos.

Por outro lado, a certeza de que o futebol brasileiro não perderia a oportunidade de dar a volta por cima em relação à derrota na Copa de 1950, diante do Uruguai, não passou de ilusão daqueles que ainda acreditavam que a tradição da camisa amarela iria prevalecer.

A equipe canarinho viu ruir o sonho do hexa no Brasil e ainda amargou o maior vexame da sua história, ao ser goleada por 7 a 1 pela Alemanha, nas semifinais. Em vez do título, o futebol brasileiro como um todo recebeu a dura mensagem de que terá de se reinventar se quiser reviver no futuro os velhos tempos de glória.

Não faltou alegria e empolgação à Copa do Mundo no Brasil. Festa nas ruas, torcedores de vários países se confraternizando em um festival de cores e bandeiras. Jogos cheios de emoção. E vitória da Alemanha, que merecidamente conquistou o tetra com um futebol muito mais parecido com aquele que consagrou a seleção brasileira em outras épocas: solto, fluente e envolvente. Sempre em busca do gol. E mais, como uma ironia do destino conquistou o título no Maracanã, palco que se identifica com toda a tradição criativa do futebol brasileiro.

Tendo acompanhado em Porto Alegre todo o desenrolar da Copa do Mundo, o presidente do Grêmio, Fábio Koff, ressaltou o lado festivo da competição, que também contagiou a cidade do sul do país, uma das sedes do Mundial.

— Foi uma Copa acima do que era esperado por muitos, com participação popular, hospitalidade do brasileiro, ótima receptividade do povo. A decepção foi a equipe nacional que, lamentavelmente, não correspondeu ao que dela se esperava.

Impacto na Economia
Enquanto os jogos corriam nos gramados, num festival de peixinhos, arrancadas, viradas e placares elásticos, as principais cidades do país fervilhavam de gente nos bares, nas praias, nas confraternizações pelas ruas.

Em reportagem da Folha de S. Paulo, pelos cálculos do governo, a economia do Brasil terá um impacto de R$ 30 bilhões, sendo que R$ 6 bilhões virão dos gastos com o Turismo. Pesquisa do Itaú também apontou que a competição deverá propiciar uma alta de 1% no PIB. E, segundo a Embratur, 1 milhão de empregos formais foram criados desde 2011.

Em relação aos estádios, apesar de alguns ficarem prontos com atraso, não houve maiores problemas. A questão agora é saber de que maneira o poder público de cidades como Cuiabá, Natal e Manaus continuarão a utilizar os estádios após a Copa. Já na próxima terça-feira (15), a Arena Pantanal receberá o jogo entre Vasco da Gama e Santa Cruz (PE), pela Série B, numa demonstração de que os clubes grandes do país serão um atrativo para continuar trazendo público a estes cenários. Os aeroportos também funcionaram normalmente.

Salvos alguns excessos registrados, regiões boêmias se tornaram pontos de encontro de torcedores de diversas nacionalidades, que interagiam com os brasileiros. Foi assim na Vila Madalena, em São Paulo, pelas areias sedutoras de Copacabana, no Rio, e no bairro Savassi, em Belo Horizonte.

Mas outras cidades não tão conhecidas do público estrangeiro também se tornaram atrações à parte, como Cuiabá, Manaus e Natal, que fizeram o eixo da Copa não ficar restrito aos já batidos cartões postais de muitas regiões. A energia da Copa se espalhou de Norte a Sul do país.

Milhares de turistas, dentre os cerca de 680 mil que visitaram o país no período, tiveram a oportunidade de conhecer um Brasil mais real, um pouco cético, com problemas, mas que não perdeu a alegria e a esperança em dias melhores.

A população, por sua vez, também pôde entrar em contato com outras culturas, que dificilmente aportariam nas mais distantes regiões se não fosse para ver a bola rolar. Agora, segundo especialistas, muitos dos que foram teriam prazer em retornar.

Recorde de gols
Em campo, os números não deixam dúvidas sobre o sucesso do torneio. Com 171 gols, Mundial do Brasil se tornou, ao lado da Copa de 1998, na França, a Copa do Mundo com maior quantidade de gols.

Somente o Brasil destoou destes recordes positivos, alcançando marcas desfavoráveis e inéditas. E se a seleção brasileira teve o pior saldo de gols de sua história nesta competição, com menos três, o país teve o alento de ver o bom funcionamento de sua infraestrutura no evento.

Fábio Koff afirma que há muito a ser feito pela reestruturação do futebol brasileiro, a começar por uma maior permanência dos jogadores das categorias de base no território nacional.

— O fortalecimento da base é fundamental, além de um campeonato mais enxuto, com estaduais mais curtos e um calendário mais racional. O progresso imobiliário acabou com os times de várzea. É preciso que os clubes tenham escolas de futebol e condições de reter seus atletas por mais tempo, com valores do primeiro contrato pré-fixados, para que os investidores não se tornem especuladores.

E se os 7 a 1 diante da Alemanha, que tem trabalhado muito bem suas categorias de base, serviram para dizimar o ânimo dos torcedores brasileiros, o êxito do Mundial foi um motivo de orgulho para toda a população. Serviu, aos olhos do povo, para mostrar que o Brasil pode dar certo. E fez o país como um todo, nesta Copa, vencer por goleada.
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