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Segunda-feira, 21 de agosto de 2017

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Atos racistas, homofóbicos e xenófobos aumentaram 85% no futebol em 2015, diz estudo

Juca Guimarães, do R7

12 Out 2016 - 14:30

O relatório organizado pela ONG “Observatório da Discriminação Racial no Futebol”, apresentado na última segunda-feira (10), na sede do Vasco da Gama, em São Januário, no Rio de Janeiro, apontou um aumento de 85% nos casos de racismo, homofobia e xenofobia (ódio aos estrangeiros) no esporte em 2015, na comparação com 2014. 

Ao longo do ano passado foram 37 casos levantados pela ONG contra 20 do ano anterior.  O estudo foi elaborado pelo Observatório em conjunto com a Esefid (Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança), ligada à UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e com apoio da Comissão de Direito Desportivo da OAB.

O estudo foi dividido em duas partes: a primeira é sobre os casos ocorridos no Brasil, abrangendo atletas, árbitros, dirigentes, torcedores e funcionários de clubes em incidentes raciais, homofóbicos, xenofóbicos; e a segunda trata dos casos ocorridos com atletas brasileiros no exterior.

Do total de casos registrados, 35 foram por discriminação racial e os outros dois por homofobia e xenofobia. No Rio Grande do Sul foi registrado o maior número de casos de crimes raciais, passando de cinco em 2014 para nove em 2015. O estado de São Paulo aparece na sequência, com quatro casos em 2014 e três no ano passado. Sobre o local dos incidentes, trinta e cinco casos ocorreram dentro das arenas esportivas e onze pela internet.

“É um absurdo que em pleno século 21 estejamos discutindo isso. É preciso que o torcedor saiba que este tipo de prática é crime e que deve ser punido severamente”, defende o advogado Mauricio Correa da Veiga, secretário da Comissão de Direito Esportivo da OAB e um dos colaboradores do relatório.

Punição

O diretor da ONG, Marcelo Carvalho, ressaltou que muitas ocorrências não ganham espaço na mídia e as punições acabam não acontecendo.

Nesta edição, a ONG também levantou casos em outras modalidades. Além do futebol, também foram registrados dois incidentes no vôlei, um no basquete e outro na ginástica, totalizando 41 casos no esporte brasileiro em 2015. “A novidade neste foi a identificação não apenas dos casos de racismo no futebol, mas, também a inclusão de ataques ocorridos em eventos relacionados a outros esportes”, explica Corrêa da Veiga.

Segundo o advogado, apesar o alto índice de racismo, somente um caso foi punido pelo Tribunal de Justiça Desportiva. Em outros dois, o agressor foi preso, identificado e liberado pela polícia após pagamento de fiança. Em outro, a Federação local suspendeu preventivamente o acusado.

Cartilha

O advogado Mauricio Corrêa da Veiga disse que o relatório será enviado à direção da CBF, federações e entidades esportivas para que seja feita uma cartilha sobre racismo no esporte e distribuída aos torcedores. “Caberá às federações, confederações e sociedade de um modo geral a adoção de medidas efetivas no intuito de erradicar de uma vez por todas a discriminação racial nas arenas esportivas, conscientizando o torcedor que tal prática se configura crime com punições severas”, defende.

O evento de apresentação do relatório contou com a participação do presidente do Vasco, Eurico Miranda, do diretor do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, Marcelo Carvalho, do presidente do Conselho Deliberativo, Luis Manuel Fernandes, do diretor jurídico do clube e secretário da Comissão de Direito Desportivo da OAB, Maurício Corrêa da Veiga, e do Procurador do STJD, Felipe Bevilacqua, além dos jogadores Thalles, Jomar e Nezinho, sendo este último do time de basquete do Vasco.
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