Olhar Direto

Terça-feira, 22 de agosto de 2017

Notícias / Turismo

Notícia de fechamento do Parque Nacional de Chapada no feriadão revolta empresários

Especial para o Olhar Direto de Chapada dos Guimarães - Lauristela Guimarães

01 Nov 2016 - 12:41

Foto: Ufoturismo

Um dos atrativos mais conhecidos, a cachoeira Véu de Noiva

Um dos atrativos mais conhecidos, a cachoeira Véu de Noiva

O primeiro de novembro começou  conturbado  para o setor do turismo de Chapada dos Guimarães. Uma decisão do  Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) quanto ao fechamento por tempo indeterminado de todos os atrativos do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, a 64 km de Cuiabá, por conta da falta de segurança, gerou revolta em empresários da região, que se organizaram e exigiram o implemento de medidas emergenciais para evitar a efetivação da determinação.

Leia Mais:
Depois do avanço das obras, grupo organiza ação de limpeza na Salgadeira neste sábado

A justificativa para a medida de fechamento, em pleno feriado prolongado, tem como respaldo a falta de segurança nos pontos de visitação. O  contrato de prestação de serviços dos quatro vigilantes que trabalham no Parque Nacional venceu no último dia 31 de outubro. Sem respaldo jurídico, os vigilantes estão impedidos  legalmente de trabalhar. Dessa forma, os agendamentos de visitação no Parque foram cancelados, e somente os pré-agendamentos já registrados anteriormente à medida é que seriam mantidos.

Para a empresária Sônia Guimarães, da Pousada Vila Guimarães em Chapada, a decisão é "equívocada e absurda". "Essa é uma situação que vem se repetindo há anos e não podemos mais permitir", avalia.

Nesta semana a informação chegou aos empresários da região por meio da divulgação de uma conversa entre  um membro do Instituto e um guia. A troca de mensagem 'vazou' em um grupo de WhatsApp e revelou sobre o cancelamento de todos os agendamentos novos, e apenas a manutenção daqueles já estabelecidos.

O fato foi suficiente para provocar a  revolta da comunidade do trade turístico. Diante do cenário, eles chegaram a  elaborar uma nota de repúdio contra o ICMBIO, cobrando ações enérgicas e mais planejamento para evitar prejuízos e garantir o acesso ao público as inúmeras belezas naturais da região.

Segundo o trade, se faz urgente a adoção de medidas concretas por parte dos órgãos ambientais para garantir a preservação do ambiente, assim como garantir a resolução a situações que se arrastam há anos. O segmento pondera, que na prática, o Parque Nacional nunca saiu do papel considerando que as indenizações não foram  pagas. Revelam ainda que as desapropriações  nunca aconteceram, assim como a demarcação e proteção de algumas áreas  nunca foram efetivadas.

Além desses itens, o empresariado denuncia ainda dezenas de invasões dentro e fora da área do Parque Nacional. A estimativa do trade é de que pelo menos 20 invasões estejam ocorrendo e, até o momento, nenhuma providência por parte das autoridades foi promovida para conter essas ações criminosas. 

Elencam como um exemplo, áreas invadidas em margens de rios, assim como em Áreas de Proteção Ambiental da esfera estadual, e no córrego Monjolinho, onde os invasores estão desmatando e até  usando  herbicidas para desfolhar as  mata, áreas consideradas refúgios de vida silvestre, como o macaco da noite, ameaçado de extinção. "Nessas áreas o ICMBIO não atua", sentencia um empresário revoltado  que prefere não se identificar.

Outra situação exposta pelo trade é com relação ao Complexo Turístico da Salgadeira, que foi fechado há mais de 3 anos. Sem que nenhuma obra esteja em execução, os tapumes que cercavam o local estão sendo, gradativamente, arrancados por vândalos e  os turistas  e banhistas estão invadindo o local.

Nesse último final de semana,  por  exemplo, mais de 200 carros de passeios estavam estacionados  dentro da área cercada. Sem fiscalização,  cachoeiras foram invadidas e  muitos banhistas aproveitaram o espaço 'livre' para promover até mesmo um churrasco às  margens do rio. 

Os empresários ressaltam que a situação é inadmissível, já que todo o local  que estava em obras foi abandonado à própria sorte. Outro ponto de risco flagrante, é quanto a falta de banheiros, que estão desativados. Com isso,   os banhistas estão usando as margens dos rios para as necessidades fisiológicas. Citam ainda que toneladas de lixo são deixadas aos finais de semana agravando a situação na localidade.

Medida 

A reação dos empresários mediante a informação do fechamento fez com que o Instituto reavaliasse sua decisão. Na data de hoje, 1, o coordenador regional substituto  do ICMBIO José  Magela informou que após uma reunião em Cuiabá foi decidido que o Parque não será fechado.

Emergencialmente e de forma paliativa, a solução adotada será de manter o parque aberto, mesmo que com um sistema de vigilância deficitário, em virtude do fim do contrato dos vigilantes.  Dois servidos do órgão em Cuiabá  foram deslocados e vão auxiliar a unidade de conservação  no Parque Nacional. 

Segundo José Magela, essa equipe será reforçada durante 7 dias no Parque e servirá de apoio para as visitações, fazendo novos agendamentos até  que o contrato  em Brasília seja renovado.
Magela destacou ainda que é preciso redobrar a atenção na unidade de conservação, considerando que nos últimos meses foram registrados vários problemas de furtos e roubos.

Ele  ressaltou ao trade quanto há possibilidade de suspensão ou fechamento das visitas levando em consideração a própria segurança de todos, mas que o problema já foi resolvido. Ele tranquilizou  os empresários, ressaltando que vai manter o funcionamento do parque, mesmo que  de forma precária, em respeito aos turistas e a  população de Chapada dos Guimarães.

Segundo o trade, o  Parque Nacional é hoje o principal atrativo do município e o seu fechamento durante um feriado de 5 dias representa uma verdadeira catástrofe para o segmento do turismo, que  já sofre hoje por causa da  crise, provocando uma taxa de ocupação em  Chapada dos Guimarães, considerada baixíssima, chegando em alguns meses a casa dos 10%.

14 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Olhar Direto. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Olhar Direto poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • Marilene aparecida Babosa
    02 Nov 2016 às 10:05

    O Parque Nacional da Chapada Dos Guimarães MT está funcionando é políticas negativas de alguns donos de Pousada para se promover onde entre ela é uma que não conseguiu ser eleita como Vereadora do município e que a região em conflito não pertence ao Parque Nacional .E se tiver q ter o poderia ter o poder é da SEMA e MPE e Prefeitura municipal da Chapada dos Guimarães .É uma política pessoal de " Empresários" agitando o meio com objetivo pessoal.Fala sério pessoal

  • Ralf
    01 Nov 2016 às 21:19

    A natureza agradece pois enquanto tivermos porcalhões que acham que a chapada é deposito de lixo quanto mais tempo ficar fechado a natureza irá se recompor.

  • Wagner Lima
    01 Nov 2016 às 19:10

    O Instituto Chico Mendes tem coragem de dizer que a segurança no parque fica por conta de quatro vigilantes. Gente tá mais do que provado que esse instituto está brincando de trabalhar e não dá conta de fazer o que se propôs. E as autoridades competentes (Se é que existe algum órgão responsável em fiscalizar a atuação desse tipo de instituto). Em outro estado pode ser. O bondinho interpraias de CAMBORIU funciona muito bem, o parque do Iguacu nas cataratas do Iguacu é um exemplo, a visitação no pão de açúcar através do bondinho é um exemplo de organização, a visitação no parque de vila velha no Paraná e ótimo, então o que acontece por aqui que ninguém da conta do recaso? ? ?

  • LUIS CLAUDIO
    01 Nov 2016 às 16:36

    os comentarios abaixo refletem o total despreparo do ser Humano, nos não somos capazes de cuidar de um pedaço de cerrado, das Cidades em que vivemos, muito menos do Estado e da Nação, sem dizer do Planeta. E tem gente que diz não crer em DEUS que tudo fez em uma semana e não pediu ajuda nem palpite pra ninguem

  • Gilmar
    01 Nov 2016 às 16:33

    A salgadeira está fechada a 6 anos, e não 3 anos. Chapada caso sério.

  • NELSON
    01 Nov 2016 às 15:34

    A salgadeira não é Parque Nacional e o Monjolinho está na zona de amortecimento. Ambas estão na Área de Proteção Ambiental estadual. A competência da fiscalização compete a SEMA-MT, Polícia Militar Ambiental, ICMBIO, IBAMA, Delegacia do Meio Ambiente e Ministério Público. O promotor Jaime Romaqueli e o finado e saudoso agente fiscal da SEMA-MT Arão fiscalizavam e faziam cumprir a lei na APA . Depois deles parou e virou baderna.

  • Luiz
    01 Nov 2016 às 14:21

    Basta ler o final da matéria, que contradiz o título: O PARQUE ESTÁ ABERTO E CONTINUA RECEBENDO OS VISITANTES.

  • Marcos
    01 Nov 2016 às 14:12

    Padrão Taques de administração, agora teremos que aguentar pois também fui enganado na campanha para governo.

  • Alta Floresta
    01 Nov 2016 às 14:05

    Me da um exemplo de alguma coisa que dependa do Ibama e do ICMbio e funcione...

  • GUARÁ
    01 Nov 2016 às 13:35

    O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, deveria ser fechado por uns 20 anos. Infelizmente, o brasileiro não sabe fazer turismo. Conheci o complexo da Salgadeira, e o Parque propriamente dito há uns 45 anos atrás. Aquele lugar, era um verdadeiro Paraíso. Hoje, devido à invasão antrópica, quase tudo está em desalinho. Muito lixo, muita degradação. O rio Motuca, que era majestoso no passado, ornado de árvores nativas, e de fauna exuberante, perdeu a metade de sua potência hídrica. Suas matas ciliais foram completamente dizimadas. Via-se outrora, cardumes de peixes grandes nesse rio. O Mirante passa pela devastação chamada "Voçoroca", fruto de ignorância e descaso com esse bioma chamado "cerrado". Por outro lado, a cachoeira "Véu de Noiva", perdeu massa hídrica considerável, devido a desmatamentos nas nascentes do coxipozinho. Enfim, além dessas inferências civilizatórias, todos os anos, esse Parque, arde em chamas. Eu já vi turistas indignados que foram enganados pelas Agências de Turismo de outros Estados, pois compraram na verdade um pacote que os levariam à "Ilha da Fantasia" o caminho que levaria ao Paraíso. Pois bem, chegando no Parque, constataram que não existia mirante, cachoeira, e nem Paraíso algum. Não conseguiram ver nada. Apenas fumaça a se perder de vista. Iss

Sitevip Internet