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Quinta-feira, 21 de setembro de 2017

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Secretário de Segurança afirma que MT evitou “banho de sangue” em presídios e cita acordo para custódias

Da Redação - Ronaldo Pacheco

09 Jan 2017 - 15:04

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Secretário de Segurança afirma que MT evitou “banho de sangue” em presídios e cita acordo  para custódias
O serviço de inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP) impediu que ocorresse um banho de sangue nos presídios de Mato Grosso, em confrontos de facções criminosas. A explicação partiu do próprio secretário Rogers Jarbas, titular da Sesp, ao revelar que já existe um diálogo avançado do Poder Executivo com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso para que as audiências de custódia sejam aceleradas e, desta forma, milhares de presos provisórios devem ser colocados na rua, principalmente com tornozeleiras, o que tende a reduzir a superpopulação carcerária – hoje superior a 11,6 mil detentos. 

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Nesta segunda-feira (9) pela manhã, Rogers Jarbas se reuniu com o presidente do TJMT, desembargador Paulo da Cunha, para tratar do tema, com ênfase para as audiências de custódia. “É  uma forma de assegurar o direito à ampla defesa para os presos provisório. E, aos condenados,  garantir o direito de avaliar se há ou não  possibilidade da progressão do regime. Não pode o sistema prisional ser preenchido por criminosos de menor potencial”, defendeu Jarbas, perante o presidente do TJMT.
  
“Executamos um trabalho diferenciado, com a criação de um sistema de inteligência, no Estado, capaz de prevenir eventos sinistros, como os de maio e abril de 2016 [queima de ônibus, matança de profissionais de segurança pública e terror na Grande Cuiabá]. Hoje estamos fazendo para nosso serviço para evitar o pior e, com prevenção,  livramos mais   de 50 mortes, no sistema prisional”, justificou o secretário de Segurança.
 
As principais facções criminosas do Brasil – Comando Vermelho e PCC – também se rivalizam, por trás das grades, em Mato Grosso,  especialmente nas maiores – Pascoal Ramos, em Cuiabá; Mata Grande, em Rondonópolis; e Capão Grande, em Várzea Grande. 
 
“Houve uma integração da inteligência da SESP com a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos. Então, fizemos a  remoção de determinado detento [de determina ala],  removido para área segura. Nós evitamos  o derramamento de sangue e dezenas de mortes que deixaram de ocorrer”, afiançou ele.
 
Sobre a tese do presidente do Sindicato dos Agentes Prisionais do Estado, de que os presídios mato-grossenses estão em situação de risco de um rebeliões e “banho de sangue”, o secretário classificou como “uma fala irresponsável e sem procedência”.
 
“Tudo o que foi reivindicado pelo Sindicato foi cumprido pelo governo de Mato Grosso:  equipamentos, concurso público, compra de armamentos e colete balístico. Devemos desconsiderar  algumas falas  irresponsáveis, pois falar daquilo que não conhece e dados  que não são verídicos, principalmente por ignorar a tecnicidade que exige o trabalho de inteligência”, sintetizou Rogers Jarbas.
 
O secretário de Segurança revelou que o governador Pedro Taques (PSDB) determinou uma força tarefa, envolvendo vários órgãos do sistema, de forma que alinhassem presos que estão cumprindo pena. Os detentos ligados ao Comando Vermelho vão ficar distantes dos rivais do Primeiro Comando da Capital (PCC).  “Mato Grosso não registrou nenhuma morte por conta de facções criminosas rivais”, resumiu.
 
Na reunião também foram discutidas as medidas para ampliação das vagas no sistema prisional, bem como o status das obras de construção das novas unidades prisionais de Várzea Grande, com 1.008 vagas, e de Peixoto de Azevedo, com mais 250 vagas. A Penitenciária Central do o Estado – antigo Pascoal Ramos – tem capacidade para no máximo 890 detentos, mas recebe atualmente quase 2,5 mil. 

Reforço 

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, atendeu um pedido feito ao telefone pelo governador do Estado, Pedro Taques, durante  o final de semana e autorizou o envio de equipamentos de segurança para presídios mato-grossensenses. A decisão leva em consideração a recente onda de violência interna nos presídios do país, a exemplo da tragédia de Manaus onde 56 detentos foram mortos por grupos rivais.
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