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Segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

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Um se corrompe, o Brasil inteiro paga a conta", diz ministro sobre Carne Fraca

Jovem Pan

18 Mar 2017 - 12:01

Foto: Agência Brasil

Um se corrompe, o Brasil inteiro paga a conta
Em entrevista exclusiva à Jovem Pan neste sábado (18), o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento minimizou as fraudes no mercado de carnes no Brasil descobertas pela Operação Carne Fraca da Polícia Federal (PF), que teria atingido apenas uma pequena porcentagem da produção, com adulteração e venda de carne vencida, uso irregular de carne de porco e até de papelão na confecção de produtos alimentícios.

Ao mesmo tempo, Blairo Maggi reconheceu que "voltamos dez casinhas para trás" e que "não será uma tarefa fácil" recuperar a imagem do Brasil no mercado internacional. Nesta sexta (17) em que foi deflagrada essa que foi considerada "a maior operação da história da PF", as ações na Ibovespa das gigantes JBS e BRF, supostamente envolvidas nas fraudes, caíram 10,59% e 7,25% respectivamente, uma perda bilionária de valor das empresas frigoríficas.

"Nós temos um sistema importante, robusto, porém comandado por pessoas. E quando uma pessoa se corrompe numa linha dessa, infelizmente o Brasil inteiro paga uma conta, não são só os produtores, tem a imagem do País, a desconfiança inclusive dos consumidores internos", reconheceu Maggi.

O ministro destacou que foram confirmadas pela PF "só" três plantas de produção com irregularidades comprovadas e garante que o consumidor não precisa se preocupar ao visitar o açougue ou o supermercado. "Nesse momento o que a Polícia Federal impôs são três plantas de um total de mais de 2,8 mil plantas que temos trabalhando", afirmou. "Se forem só essas três plantas encontradas, ou as 21 sob suspeita, o potencial é muito pequeno. Não é uma coisa para se preocupar", reiterou o ministro, contradizendo-se logo na sequência da fala: "obviamente tem que se preocupar porque, onde há um problema, podemos ter muitos".

"Eu quero dizer ao consumidor brasileiro que tenha toda a tranquilidade. Os problemas levantados e ainda não confirmados são pequenos dentro do processo que nós temos", reiterou Blairo Maggi, reaforçando a "responsabilidade" do ministério, que teve servidores envolvidos no esquema. "O ministério da Agricultura será o mais transparente possível. Nós não vamos esconder absolutamente nada. Aqueles que têm problemas serão penalizados pela lei. Servidores públicos serão mandados embora depois do processo legal. Não tenho como compactuar, perdoar, relevar esse tipo de situação", declarou.

Carne ruim na prateleira?

O ministro da Agricultura e Pecuária afirmou que verificará quando foi feito o levantamento da Polícia Federal que apontou as fraudes nos alimentos, classificadas sempre por Maggi como "problemas". "Se foi há 30 dias, não temos mais mercadoria nos frigoríficos nem nos supermercados", disse. "Nós estamos fazendo esse levantamento e temos a condição de saber exatamente de onde as mercadorias saíram e para onde elas foram. Se estiver nas prateleiras, vamos retirar essas mercadorias, aliás as próprias empresas devem tomar essa decisão e fazer um recall", espera Maggi.

"10 casinhas"

O Brasil hoje responde por 7% do mercado internacional de carne e o ministro teme pela repercussão do escândalo. "Não será uma tarefa fácil o que vem pela frente. Há muito tempo o setor de carne no Brasil vem trabalhando e tinha um verdadeiro esforço de governo e de sociedade para conquistar esse espaço no mercado", relembra. Maggi reconhece que pode acontecer agora algo semelhante às consequências do surto da febre aftosa em 2005, que atingiu as exportações à época (47 países deixaram de comprar carne brasileira temporariamente): "é possível, infelizmente é possível".


"Me parece que tem sentido de tê-la (a operação da Polícia Federal), mas talvez a forma que ela foi conduzida, nós vamos nos próximos dias tentar depurar o que realmente é o malfeito, o problema, e o sensacionalismo que tem no problema", minimizou, destacando em seguida que "vamos ter que remar. Voltamos dez casinhas para trás. Vamos ter que refazer isso (readquirir a confiança do mercado externo".

Para isso, já há uma reunião urgente marcada para a próxima segunda (20) entre membros do ministério da Agricultura e representantes europeus do mercado da carne.

"Vamos ter que conversar com os mercados, com as agências reguladoras de fora e mostrar mais uma vez que eles são firmes. Temos que nos disponibilizar para que eles venham para o Brasil novamente checar aquilo que nós temos", aguarda Maggi. As reuniões tentarão "mostrar que o nosso sistema é um sistema forte".

O ministro ainda refutou a ideia de que alguma carne estragada tenha ido para a exportação. "Sempre que exportamos carnes para um país, os países importadores mandam missões para o Brasil", relata. "Missões vão a campo e se certificam que aquilo que temos no papel efetivamente é o que nós temos em campo. Só depois disso é aprovada a exportação. Quando chega (no país estrangeiro), há um novo sistema de checagem", afirma.

"Acho impossível chegar carne estragada em outro país e, se chegar, ela não vai para o mercado", garante, sobre o mercado internacional.

10 comentários

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  • Carne moida
    19 Mar 2017 às 07:58

    Esse Blairo tá falando so besteira... São as quatro maiores distribuidora de carne, senhor. .. Para de querer tapar o sol com um balde

  • Wagner
    19 Mar 2017 às 07:44

    A ÚNICA saida ,a meu ver , é o brasileiro se informar melhor. Nós não podemos nos desinformar ,como a MAIORIA pela midia tradicional. Não tenham preguiça ,leiam , leiam muito e diversificadamente. È o caminho. Pois bem vejamos A BUNGE e a CARGIL ,em Balsas , sul do Maranhão ambas no agronegócio,estão ENTRANDO COINCIDENTEMENTE( ? ) no mercado de CARNES !!! Nada neste mundo é por acaso !!!

  • Ygor
    18 Mar 2017 às 16:56

    UM PRODUTO SUPER IMPORTANTE NAS EXPORTAÇÕES...... O DOLAR BAIXO NAO AJUDA, POUCO CONSUMO INTERNO DEVIDO A BAIXA NA RENDA DO TRABALHADOR...... VAI DIMINUIR O ABATE, AS ESCALAS E DEMISSOES VIRÃO.....

  • Hugo
    18 Mar 2017 às 16:54

    É POR ISSO QUE ESSES UNS DEVERIAM TER UMA PUNIÇÃO EXEMPLAR...... MAS NESSE PAÍS DE ME....... NADA ACONTECE. NO MAXIMO VAI SER EXONERADO..

  • Nelson
    18 Mar 2017 às 16:47

    Um se corrompe??? Em MT estas empresas manipulam o mercado, instalam plantas industriais sem licenças ambientais, abrem , fecham os frigoríficos conforme sua conveniência, abatem animais com carne contaminada por metais pesados, organoclorados e organofosforados para o mercado interno.... e os brasileiros que se danem né senhor ministro!!! A carne fraca é aqui em MT maior rebanho bovino do Brasil!!!!

  • JUCABALA
    18 Mar 2017 às 15:45

    Esse daí tá preocupado com o mercado internacional e com o lucro das empresas envolvidas, essa é a verdade, e o povo brasileiro que se lasque!!! Já não bastasse essas empresas não pagarem certas contribuições previdenciárias para exportarem, sob a desculpa de que têm que desonerar para gerar mais emprego, bla, bla, bla.... ainda tentam empurrar carne podre e cheia de produtos químicos nocivos à saúde daqueles que consomem essas carniças!!! Nós a população interna dessa republiqueta chamada Brasil é quem comemos esse lixo senhor ministro!!! Fique tranquilo, pois, certamente não deve ter sido exportado um quilo sequer de carniça para o estrangeiro, pois, as suas grandes empresas, "geradoras de emprego", bla, bla, bla... não fariam essa besteira sabendo que lá fora os fiscais sanitários devem ser muito atentos e não deixariam entrar esses restolhos. Essa carniça ficou aqui mesmo, para nós, otários pagar caro por ela - pois olha o preço que está - para que as suas "queridas" empresas que dão muito emprego, bla, bla, bla não ficarem no prejuízo e der que descartar aquilo que seria lixo!!! Não obstante a revolta que todos sentimos quando nos deparamos com uma notícias dessas, não fico muito preocupado, pois não há nenhuma chance de o Brasil melhorar mesmo. Veja o povo! Uma camarilha de

  • Amaral
    18 Mar 2017 às 15:04

    É para o senhor ver se ministro como que o povo se sente com a roubalheira no nosso país, imagina quantas casinhas também nós voltamos atrás.

  • Amaral
    18 Mar 2017 às 15:04

    É para o senhor ver se ministro como que o povo se sente com a roubalheira no nosso país, imagina quantas casinhas também nós voltamos atrás.

  • cuiabano
    18 Mar 2017 às 13:36

    Agro é pop Agro é tudo Chegou a hora do agro pagar tributo.

  • Professor Alessandro Bello
    18 Mar 2017 às 12:35

    A imagem de todo o setor foi comprometida, principalmente no mercado internacional, onde saúde é tratada como prioridade, como de fato é. O estrago será grande!! Culpar poucos funcionários como sendo o causador de tamanho estrago é pouco. O sistema inteiro seja ele na saúde, educação, agricultura, Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário, e principalmente politico, esta comprometido, tudo deve ser revisto e reconstruído. Lipset e Lenz, afirmam que: a análise da corrupção não deve estar revestida de um tratamento que leve em consideração apenas a disfunção da ação humana intencional, ao modo de Merton, mas pela forma como os valores orientam a ação mediante a estrutura social, cuja onipresença determina os valores culturais que referendam determinadas ações por parte dos atores. ACORDA BRASIL!!

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