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Quarta-feira, 20 de setembro de 2017

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Cuiabá já destruiu 46% das nascentes e pode sofrer seca em 2023, alerta projeto "Água para o Futuro"

Da Redação - Paulo Victor Fanaia Teixeira

22 Mar 2017 - 14:35

Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto

Rio Cuiabá

Rio Cuiabá

Nesta quarta-feira (22) em que se celebra o “Dia Mundial da Água”, o Ministério Público Estadual (MPE) apresentou dados alarmantes resultado dos estudos promovidos pelo projeto “Água para o Futuro”. Até o momento, foram detectadas e georeferênciadas 117 nascentes em Cuiabá. Delas, 98% já sofreram intervenção do homem, 46% delas foram fulminantes: contaminação, aterramento, invasões, desmatamento e construção de edifícios. Se nada for feito, em até cinco anos Cuiabá terá sua primeira crise hídrica, semelhante ao que ocorre em São Paulo e Brasília, alerta o estudo.

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O "Projeto Água para Futuro" busca preservar e recuperar nascentes localizadas em Cuiabá. Durante o evento, ocorrido às 8h30 de hoje (22), na sede das Promotorias de Justiça, também foram lançados o Website do projeto e o aplicativo de celular que possibilitará ao cidadão ajudar na identificação de novas nascentes, no monitoramento e em denuncias de crime ambiental.

Idealizador do projeto, o promotor do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente Natural e da Ordem Urbanística da Capital Gerson Barbosa explica a necessidade da iniciativa. “O crescimento desordenado de Cuiabá, sem uma gestão eficiente, estava degradando as nascentes e as áreas de preservação permanente. Temos um sistema superficial de abastecimento, que depende das nascentes, dos córregos, ribeirões e rios, e funciona adequadamente. Descobrimos através de estudo que o sistema está para entrar em colapso por conta das invasões, licenciamentos equivocados e a consequente degradação destas nascentes”.
 
* Evento desta quarta-feira (22). Foto: OlharDireto

Até o momento o “Projeto Água para o Futuro” já identificou 117 nascentes, das quais 77 já foram confirmadas. Delas, 98% sofreram intervenções negativas do homem, como contaminações, aterramentos, invasões e destruições em geral. Apenas 2% estão preservadas. “De 2008 para cá, perdemos cerca de 46% das nascentes, aterradas por empreendimentos ou invasões”, explicou o Promotor.

O Ministério Público Estadual (MPE) possui hoje 25 inquéritos civis instaurados para casos como descrito acima.

A previsão, caso nada seja feito, é alarmante. “Em três ou quatro anos corremos o risco de ficar sem água. Para os mais incrédulos, basta ver a situação de dois grandes centros políticos e financeiros de peso, São Paulo e Brasília, em crise hídrica irreversível. Aqui, como não havia Estado, não havia município cuidando disso, nós chamamos para nós essa tarefa”.

“Eu preciso do poder público, quero fazer um convenio com o município, mas ele também é meu grande réu, infelizmente, por ineficiência, por ausência de fiscalização, gestão dos recursos hídricos e por omissão. Esses loteamentos irregulares geralmente invadem nascem e APP e não há uma resposta à altura do poder público. No hospital central há um muro e a degradação da APP (área de preservação permanente) e da nascente, mas neste caso já firmamos um compromisso com o degradante”.

Vicente Falcão de Arruda Filho, representando o Instituto Ação Verde, avaliou a importância da parceria com a UFMT e o MPE nesta ação. “Enquanto sociedade civil, representando esta parcela de nossa sociedade, temos que nos preocupar com isso, foi oportuna esta parceria com o MPE e a UFMT para identificação de nossas nascentes. Quanto mais poluirmos nossos recursos hídricos e eles forem para o abastecimento, mais caro fica essa produção. A sociedade paga duas vezes. Também a impermeabilização do solo. Você perde a capacidade de recarga de água por estas nascentes, uma vez que 65% da água fornecida em Cuiabá são através de água superficial”.

“Faltavam ferramentas e este projeto veio trazer essa ferramenta ao poder público. Também a ausência de uma política de gestão de recursos hídricos. Existe a Lei, mas o poder executivo, por falta de opção ou por falta de competência, sempre descuidou disso. Há a preocupação de que obras precisam ser feitas sempre na superfície, nunca no subsolo. Estamos comprovando que, se não nos preocuparmos agora com isso, em cinco anos Cuiabá terá grave problema de abastecimento, ou seja, nossa segurança hídrica estará comprometida”.

O Procurador-Geral, Mauro Curvo, salientou a importância do projeto. “A situação das nascentes de Cuiabá, como no Estado e no mundo, é preocupante. Se não tomarmos uma atitude para preservá-las e para isso, conhecê-las, saber onde elas estão, o Estado atual delas, iremos ter sérios problemas de abastecimento de água no futuro, não tenha dúvida disso. Esse aplicativo lançado hoje é uma ferramenta fabulosa que o MPE, o Instituto Ação Verde e a UFMT colocam a disposição, para transformar o cidadão em um fiscal da natureza, somar esforços conosco e preservar essas nascentes para as futuras gerações”.

Ferramentas oferecidas à população:

No website do projeto o cidadão encontrará informações gerais sobre nascentes, sistema de captação de água e abastecimento e terá a chance de participar de um chat de bate papo com a equipe técnica para tirar dúvidas, fazer denúncias e dar sugestões sobre o tema.

Já o aplicativo desenvolvido para smartphone possibilitará ao cidadão enviar imagens ou filmagens de nascentes ao MPE. O material será analisado pela equipe técnica do projeto. Caso a nascente seja homologada no mesmo aplicativo há como acompanhar o monitoramento e o tratamento que está sendo dado a área. É possível também visualizar detalhadamente todas as nascentes catalogadas.

“A partir da confirmação da existência de uma nascente pela equipe técnica, são programados voos períodicos, no local exato onde foi identificada a nascente, com utilização de drone que registrará em alta definição a situação da fonte de água demonstrando com clareza os fatores de degradação e possibilitando o monitoramento”, informou o promotor Gerson Barbosa.

6 comentários

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  • Luciene
    24 Mar 2017 às 14:45

    Qual o nome do aplicativo?

  • Rubem Mauro Palma de Moura
    23 Mar 2017 às 08:47

    É incontestável que 46% das nascentes no perímetro urbano foram destruídas. No entanto também é importante dizer 1º, que só o Ribeirão do lipa e o Moinho são perenes, os demais intermitentes, perenizados pelos esgotos gerados. 2º, Que esses tributários urbanos não são representativos da vazão que passa por Cuiabá que antes da APM Manso, o Rio de mesmo nome éra responsável por 60% da vazão veiculada, 35% do Cuiabazinho e 5% pelos demais tributários de Rosário Oeste para baixo que hoje a relação é outra, 88% do Rio Manso, 7% do Cuiabazinho e os 5% restantes dos outros tributários restantes. Isso posto, afirmo que é de muita irresponsabilidade, alarmar a população sobre uma possível seca e restrição ao abastecimento público pela destruição das nascentes no perímetro urbano. A vazão veiculada hoje pelo rio Cuiabá é capaz de abastecer uma cidade de 6.000.000 de habitantes, retirando apenas 20% do Q95 e persistindo essa perda na distribuição de 40%. A vazão que passa hoje no período de seca, é de aproximadamente 175m3/seg., 2,3 vezes maior do que aquela que por aqui passava antes da APM Manso.

  • Marcos Dantas
    23 Mar 2017 às 08:34

    O mais importante a notícia não mencionou, o endereço para localizar o aplicativo.

  • Justo
    23 Mar 2017 às 06:58

    Muita conversa e pouca ação vamos agir MPE vocês está com a caneta não é o poder, porque deixou contribuir vários condomínios em área de área de preservação ambiental, como exemplo pelos arredores do shopping pantanal eles tem vários córregos.

  • Carlos
    22 Mar 2017 às 16:55

    Moro em loteamento e perto tinha uma APP, com uma nascente, mas os pilantras invandiram e até hj nd do poder público retirar essa corja, a lentidão é demais, quando acontece de retirar, ja não se salva mais nada.

  • Prisco Lavasse
    22 Mar 2017 às 15:44

    Ha muito tempo vejo essas ladainhas. Mas na pratica, que é bom nada...,ou quase nada.Ao invés de teorias por que não partir para a pratica.Os corregos e nascentes são diariamente poluidas, por aguas de esgotos,postos de combustiveis etc. Por que então não retira-los dos corregos e dericiona-los a uma estação de tratamento. Antigamente..., ali onde era o Sayonara, tinha uma praia muito frequentada pela Cuiabania. Por que então não recupera-la. O rio Coxipó!! suas aguas eram de balneario.Já tomei muito banho ali,pesquei e comi por muito tempo peixes retirados dali.Era um rio muito piscoso.Então a saida esta na recuperação das nascentes,e retirada dos esgotos dos rios e corregos.Mas sem demagogia.

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