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Quinta-feira, 25 de maio de 2017

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“Não buscamos vingança, só queremos justiça", diz pai de estudante assassinado em festa; PM é investigado

Da Redação - André Garcia Santana

19 Abr 2017 - 17:11

Foto: Reprodução/Facebook

Vando Luna, pai de Renan Luna

Vando Luna, pai de Renan Luna

“Não buscamos vingança, só queremos justiça.”, é assim que o empresário Vando Luna, pai do estudante Renan Luna, 22, define a luta da família para que o assassinato do filho não seja esquecido. Ao Olhar Direto ele contou que além de amigos, outros freqüentadores da festa onde o rapaz foi morto, afirmam que não houve troca de tiros no local. A versão contraria o depoimento do major da Polícia Militar (PM) Roosevelt Escolástico, que alega ter sido acuado por um grupo de bandidos, tendo realizado tiros de alerta contra o chão. Na ocasião, os criminosos teriam revidado e atingido o jovem.

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Na terça-feira (18) ele seus familiares mobilizaram mais de 500 pessoas em uma passeata no Centro de Água Boa (747 km de Cuiabá) para pedir esclarecimentos sobre o caso. Um dos questionamentos diz respeito ao atendimento ao rapaz, que não pôde ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros e foi encaminhado a um hospital pela própria PM. Além disso, a cápsula da munição .40, de uso exclusivo da polícia, foi encontrada em sua massa encefálica, indicando a proximidade que o tiro foi realizado.

Relatos de amigos de Renan e de outros freqüentadores na festa onde a ocorrência foi registrada também informaram a família que o major envolvido estaria bêbado e causando confusão no local. Nenhuma dessas pessoas teria presenciado a suposta ação de criminosos, mencionada por ele. “Nós não vamos acusar ninguém, mas queremos esclarecimentos sobre isso. Como ninguém viu essa briga que ele fala? Por que só um policial estaria ali, de peito aberto, enfrentando esse tanto de bandido armado? Todos dizem ter ouvido apenas dois disparos, feitos com intervalo de mais ou menos 10 minutos.”

Vando também diz que vem acompanhando o caso a distância e que, até o momento ninguém da sua família foi ouvido. "O mais importante que temos a fazer agora é não deixar o caso ser abafado. Se não fosse a internet, os veículos de comunicação, acredito até que a história já teria morrido. Vamos divulgar e manter nossas manifestações pra que essa abordagem desastrosa seja esclarecidas."

Recentemente, em entrevista ao Olhar Direto, o major negou que o disparo que vitimou o estudante tenha saído de sua arma. Ele diz que foi atacado por um grupo de bandidos e que, para contê-los, efetuou quatro disparos contra o chão.  A situação foi registrada em uma festa universitária realizada em Nova Xavantina (607 km de Cuiabá) no dia 9 de abril.

Durante a ação, os suspeitos também teriam disparado pelo menos quatro vezes. Sua arma, uma pistola .40, e um revólver calibre 38, encontrado no local do crime, foram apreendidos e encaminhados para análises pela Perícia Oficial de Identificação Técnica (Politec), que determinará a origem do tiro que matou o rapaz.  O crime é investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar (PM). 



Comoção

Renan Luna era natural de Água Boa e estudava Engenharia Elétrica há pouco mais de um ano em Bauru – SP. O jovem não possuía passagens pela polícia e, segundo a família era bastante conhecido na região por seu jeito amigável. "Ele sempre morou aqui em Água Boa, mudou há pouco tempo pra fazer faculdade. Era um menino muito querido, conhecido por todos. Meu filho não tinha passagem, não tinha problema com ninguém", lembra o pai. 

Na segunda-feira (17) a Câmara Municipal de Vereadores do município promoveu uma Moção de Pesar à família Luna. A extroversão do rapaz, que, segundo o documento “tinha a arte de fazer amigos” foi lembrada em texto que menciona o enorme vazio que sua partida deixa. “Sua morte tão repentina enluta não somente seus familiares e amigos, mas toda sociedade que lamenta sua perda.”

3 comentários

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  • Cowboy
    20 Abr 2017 às 09:06

    Veja só que expressão mais sem sentido, "e se fosse seu filho"? Primeiramente que há pessoas que não têm filhos. Depois há muitas que os têm porém não frequentam festas. Outros frequentam festas mas não entram em conflitos com ninguém. Não duvidando da conduta da vítima, mas explicando a forma errada do pai chamar a atenção de outras pessoas para o caso.

  • branco
    20 Abr 2017 às 06:31

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  • Antônio
    19 Abr 2017 às 22:26

    Se não me engano tem uma gravação em que o PM está sendo acuado por meliantes.

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