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Terça-feira, 27 de junho de 2017

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Congresso pede que PF assuma investigação da chacina com nove mortos e pede audiência com Taques

Da Redação - Ronaldo Pacheco

01 Mai 2017 - 09:39

Foto: TVCA

Congresso pede que PF assuma investigação da chacina com nove mortos e pede audiência com Taques
A Polícia Federal deve assumir as investigações da chacina ocorrida no acampamento Taquaruçu do Norte, em Colniza – noroeste de Mato Grosso, onde nove trabalhadores rurais foram executados, para dar celeridade e demonstrar que o governo federal não é complacente com ações do gênero.

A solicitação é da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados que esteve em diligência, em Colniza (MT), que coloca a exigência do Congresso Nacional em que haja a federalização do crime. Nos próximos dias, a Comissão da Câmara vai solicitar uma audiência com o governador José Pedro Taques (PSDB) para tratar da disputa pela posse da terra, em Mato Grosso.

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O presidente da comissão, deputado alagoano Paulo Santos – o Paulão (PT), a intenção é que a Polícia Federal assuma o caso, para que a investigação seja feita com mais estrutura e sem pressões locais. Além de Paulão, estava no grupo os deputados Arnaldo Jordy (PPS-PA), João Daniel (PT-SE), Nilto Tatto (PT-SP), Ságuas Moraes (PT-MT) e Valmir Assunção (PT-BA).
 
“Vamos fazer um relatório e remetê-lo ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da República, solicitando a participação da Polícia Federal”, afirmou o parlamentar petista.
 
Paulão argumentou que a região de Colniza tem um histórico de grilagem de terras que, no passado, envolvia pessoas com poder econômico e político. Além disso, na avaliação do deputado, a polícia de Mato Grosso, na região de Colniza, possui pouca estrutura para atuar, por isso, é importante a investigação do crime fique a cargo da Polícia Federal.
 
Nesse contexto, Paulão afirmou que a comissão vai pedir também uma audiência com o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Leonardo Goés, e com o governador José Pedro Taques, nos próximos dias, para tratar de titulação de terras para os pequenos agricultores de Colniza. O presidente da Comissão de Direitos Humanos disse que a disputa de por terra na região Norte de Mato Grosso é um problema crônico que, se não resolvido, pode resultar em mais mortes. O deputado do PT cobrou maior atuação do Ministério da Justiça, no caso.
 
Os integrantes da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara também fizeram uma audiência pública ontem (27), em Colniza, com moradores e representantes do poder público local. Além de Paulão, viajaram ao Mato Grosso os deputados Nilto Tatto (PT-SP), João Daniel (PT-SE) e Ságuas Moraes (PT-MT).
 
Os parlamentares não foram ao local das mortes por ser uma região de difícil acesso, e eles não dispunham de helicóptero. A comitiva retornou para o Distrito Federal.
 
Paulão relatou que o clima entre os moradores da região é de medo e disse que, na audiência pública realizada pela comissão, poucos tiveram coragem de falar publicamente. Segundo o parlamentar, para ouvir os moradores, foi necessário fazer reuniões reservadas.
 
O deputado do PT destacou que é preciso também mobilização da sociedade e do poder público para dar celeridade à apuração dos crimes e conseguir chegar não apenas aos executores, mas também aos mandantes.
 
Os nove trabalhadores rurais foram assassinados por homens encapuzados. Sete vítimas são de Rondônia, uma de Mato Grosso e uma de Alagoas.
 
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) denunciou à Câmara Federal que  conflitos fundiários são comuns há mais de 10 anos na gleba (acampamento Taquaruçu do Norte),  onde ocorreram as mortes, com registros de assassinatos e agressões.
 
A CPT informou que investigações policiais feitas nos últimos anos revelaram que “gerentes das fazendas na região comandavam rede de capangas para amedrontar e fazer os pequenos produtores desocuparem suas terras”. (Com informações da Agência Brasil)
 
  

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