Olhar Direto

Domingo, 22 de outubro de 2017

Notícias / Cidades

“O homem quando abusa uma mulher, ele nem a enxerga como um ser humano”, diz promotora Lindinalva Rodrigues

Da Redação - Vinicius Mendes

10 Out 2017 - 18:02

Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto

“O homem quando abusa uma mulher, ele nem a enxerga como um ser humano”, diz promotora Lindinalva Rodrigues
A data de hoje, 10 de outubro, é o Dia nacional de luta contra a violência à mulher. Em Mato Grosso, no primeiro semestre de 2017 já foram registradas 29.804 ocorrências de violência contra a mulher, seja ela verbal, sexual ou física. Número maior que o mesmo período de 2016, que teve 17.541 registros. A promotora Lindinalva Rodrigues, do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher do Ministério Público, afirma que a data de hoje é um marco para dar visibilidade à igualdade de gênero. Ela acredita que para que a violência contra a mulher diminua serão necessárias mais polícias de prevenção e educação.

Leia mais:
Em MT, 110 mulheres são vítimas de violência a cada dia; promotora afirma que companheiros são principais agressores

“É preciso que haja uma conscientização para a igualdade, porque o menosprezo à mulher leva á violência. A mulher é vítima de desrespeito a todo momento e o desrespeito precede a violência”, disse a promotora.

Casos recentes como o do advogado em Tangará da Serra, que se masturbou em frente a uma mulher e não ficou preso, demonstram como a mulher é vista pelos abusadores. A história é semelhante ao caso do homem que ejaculou em uma mulher em São Paulo, e também chegou a ser solto.

“Nestes casos, é como se mostrasse aos homens que vale a pena tratar uma mulher como objeto, com lascívia, porque cometem os abusos e não ficam presos. O homem quando abusa uma mulher desta maneira, ele nem a enxerga como um ser humano. Outro exemplo é o marido que força a mulher a ter relação sexual contra a vontade dela, ele a enxerga como uma propriedade, como inferior. Isto precisa mudar”, afirmou.

A promotora percebe a data de hoje como um marco, para que a desigualdade e a maneira como as mulheres são desvalorizadas por diversos meios, possa mudar.

“Esta data é um marco importante para dar visibilidade à igualdade de gênero, porque nós padecemos de políticas públicas, de prevenção, punição e também de conscientização da sociedade, desde cedo, de que a mulher deve ser valorizada”.

Segundo ela, a violência começa muito antes dos casos mais graves. Ela diz que o machismo promove esta cultura de inferioridade da mulher.

“A violência começa nas pequenas coisas do dia a dia. Por exemplo, no preconceito com as mulheres que dirigem, mesmo contrariando as pesquisas culturalmente o homem a vê como má condutora. Porque a mulher paga mais barato em seguros porque se envolve menos em acidentes, mas a cultura machista não enxerga isso. Nós vivemos ainda em uma cultura machista, onde os homens são criados para ser os ‘machos’ e dominar, e isto nos traz muitos problemas”, afirmou.

Ela acredita que a cultura machista faz com que o homem se enxergue como superior e no direito de cometer abusos contra as mulheres.

“Até mesmo uma mulher, que é considerada a chefe da casa, quando sustenta a família, mesmo assim muitas delas ainda são vítimas de agressão pelos maridos, às vezes desempregados. Porque o homem se enxerga como superior. Quando ele assedia uma mulher na rua, mexendo com ela, e recebe um “não”, aí ele se volta contra ela xingando, ofendendo, agredindo, porque ele acha que pode fazer isto”.

Para que este cenário mude, a promotora diz que será necessário mais investimento em políticas públicas de prevenção, punição e conscientização, desde criança, sobre o valor da mulher.

“Então é importante esta educação voltada para a igualdade, para ensinar as crianças, meninos e meninas, desde a tenra idade, de que a mulher não é inferior ao homem, que a palavra da mulher deve ser respeitada, que os direitos dela devem ser respeitados, senão a situação não se resolve”.

5 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Olhar Direto. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Olhar Direto poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • ZE NINGUEM
    11 Out 2017 às 13:11

    DIVIDA O SER HUMANO EM MINORIAS................. AI PRA ESSAS MINORIAS, PRA CADA UMA DELAS, CRIE ORGAOS ESPECIALIZADOS PARA ATUAREM SOMENTE PRA ESSAS MINORIAS CRIADAS....................... TAI A RECEITA PRA SE CONTROLAR UM POVO E FAZER CADA MINORIA FICAR CONTRA A OUTRA MINORIA........................... NAO PRECISA SER FILOSOFO, NEM DOUTOR, NEM ESTUDIOSO, NEM ESPECIALISTA COM MESTRADO PRA PERCEBER ISSO.................. DIVIDA A SOCIEDADE EM VARIAS CLASSES PEQUENAS E SEU CONTROLE FICA MUITO MAIS FACIL, PORQUE ELAS VAO SE DEGLADIAR..................................... ENTENDAM COMO BEM QUISEREM.!

  • Minha opinião
    11 Out 2017 às 10:08

    Tenho dificuldades de enxergar como esta geração de adultos, em parte constituída de pessoas inconsequentes, tenha condições de reverter este quadro drástico de crimes motivados por ódio em virtude de gênero (e tantos outros inaceitáveis como os de raça também). Não creio que somente a punição com privação de liberdade seja o suficiente. As pessoas precisam ser educadas ou reeducadas a conviver com o outro. As penalizações deveriam envolver medidas que façam estes agressores conviver com casos semelhantes ao que ele ocasionou, para que ele perceba como é estar do outro lado e sofrer as consequências traumáticas. Pais e mães parem um pouquinho de se preocupar com coisas banais e eduquem suas crianças para respeitar o próximo, independente de gênero, orientação sexual, classe, cor. Somos todos uma raça humana e ninguém tem o direito de agredir o próximo por conta de uma incapacidade de compreensão da realidade do outro... pode haver esperança para as próximas gerações se as de agora alcançarem esta consciência!

  • J.José
    10 Out 2017 às 20:19

    Tem mulher que sabe se impor, Eu conheço várias.

  • J.José
    10 Out 2017 às 20:17

    Sua pergunta está correta, mas tem 14 que apoiam o erotismo infantil. Por enquanto...

  • Pergunta
    10 Out 2017 às 18:27

    Uma para a promotora, o que ela acha desta mania de levar crianças para explorar ar “ nu artístico” será que isso não vai aguçar a curiosidade das crianças e abrir caminho para os pedófilos?

Sitevip Internet