Olhar Direto

Sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Notícias / Ciência & Saúde

“Terminalidade domiciliar garante dignidade aos últimos momentos da vida”, orienta médico

Assessoria

11 Dez 2017 - 10:21

Foto: Divulgação

“Terminalidade domiciliar garante dignidade aos últimos momentos da vida”, orienta médico

A morte para alguns é um momento triste, para outros é uma passagem rumo a uma realidade espiritual, mas se existe algo que ninguém está imune é da morte. Para um paciente terminal, uma perspectiva positiva pode significar toda a diferença. Morrer é um verbo difícil de ser conjugado e, por isso, que se preparar para a morte ainda pode ser um tabu, mas é a condição mais adequada para que o momento da passagem não seja um trauma, e sim, de gratidão e conforto.

Leia Mais: 
Hospital Santa Rosa inaugura Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica com oito leitos

E foi isso o que aconteceu com a família da bióloga Joelma Veiga da Silva, 37, que perdeu a matriarca Jovelina Maria da Veiga em outubro deste ano. Após ter enfrentado o câncer por um ano e quatro meses, Jovelina morreu aos 65 anos cercada de cuidado e carinho.

Os últimos quatro meses de vida foram vividos junto da família, com a presença dos três filhos e seis netos, bem como aos cuidados de um serviço de home care. De acordo com Joelma, a terminalidade domiciliar permitiu que o trauma da morte não fosse algo incapacitante.

“Foi uma experiência de muita gratidão ter minha mãe em casa em seus últimos momentos de vida, principalmente porque ela já não queria mais ficar internada no hospital. Ter trazido ela para casa e contratado um serviço de home care garantiu que os últimos meses de vida da minha mãe fossem ao lado dos filhos e netos, a quem ela tanto amava. Conseguimos oferecer uma morte com dignidade”, destaca Joelma.


Para a psicóloga Fernanda Piotto Santana a terminalidade domiciliar é uma oportunidade para que os familiares encarem a morte de forma consciente. Outros aspectos julgados importantes pela especialista é a proximidade que o paciente em estado terminal obtém em estar na própria cama, envolvido pelos laços afetivos e pelo ambiente familiar.

“A terminalidade domiciliar permite trabalhar o processo da morte, que muitas vezes é demorado. Situações como envelhecimento, morte e luto são temas abordados junto aos familiares para que consigam encarar a perda do ente de forma mais amena e menos traumática. Quando esse processo é bem resolvido, a experiência de perder alguém passa a ser encarada com mais naturalidade”, pontua.

Já a enfermeira Heloísa do Carmo Miranda, 25, conta que nos quatro anos de experiência como enfermeira na Qualycare, empresa que presta serviço de home care, a oportunidade de ter trabalhado na terminalidade domiciliar de alguns pacientes tem sido positiva para o próprio aperfeiçoamento profissional e humano.

“Se colocar no lugar do outro, e neste caso dos familiares, é uma responsabilidade que consegue transformar qualquer um que trabalhe no cuidado com a vida. A situação dos pacientes em estado de terminalidade é bem delicada, principalmente, porque em geral, são pessoas com doenças crônicas e que ao ir para casa receberão os cuidados paliativos e não a cura”, explica.

Os cuidados paliativos, segundo Heloísa do Carmo Miranda, são importantes para garantir que a terminalidade domiciliar seja um momento de dignidade e menor sofrimento. “Em geral, os hospitais são ambientes frios, sem o aspecto afetivo que possui a casa. Por isso, muitos médicos indicam, quando possível, que os últimos dias do paciente sejam próximos daqueles que o amam”.

Para o coordenador médico da Qualycare Home Care e Resgate, Heleno Strobel Rosa, a terminalidade domiciliar, apesar de ser um tema delicado, do qual muitas famílias não gostariam de falar, é de suma importância, pois garante que os últimos momentos da vida sejam tratados com dignidade.

“A terminalidade domiciliar é uma realidade que exige o compromisso do profissional de home care com a ética, o carinho e o atendimento humanizado, que passa a ser direcionado não apenas ao paciente, pois toda a família também faz parte do contexto, já que se envolve emocionalmente com a situação”, finaliza Heleno Strobel. 

6 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Olhar Direto. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Olhar Direto poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • Otacilio pêron
    11 Dez 2017 às 17:44

    Dr. Heleno além de grande profissional e um grande ser humano.

  • mara
    11 Dez 2017 às 16:54

    Texto excelente! Grande verdade! Já participei de cursos de Pastoral de Saúde, que, entre outros, esse é um dos assuntos trabalhados! É oferecer ao paciente a possibilidade, a última possibilidade de sentir o carinho, o calor humano de seus entes queridos. Também esses, experimentam a possibilidade de sentir a presença amorosa de quem está para partir. É uma experiência de Amor e de Fé incomparável! Há muitas obras que reforçam isso. Parabéns pelo texto e depoimento dessa família!

  • Evarista Neves de A. Amorim
    11 Dez 2017 às 16:48

    Como enfermeira tive a oportunidade de cuidar da minha mãe ate minutos antes da sua partida.Lendo essa reportagem me vi..Fazendo o que mais amo cuidar.Parabens equipe home care.

  • Alcione Brito
    11 Dez 2017 às 14:01

    De.Heleno é uma grande referência é um ser humano incomparável com a sua dedicação aos seus pacientes.De fato faz uma grande diferença em tratamento humanizado para as pessoas .Que Deus continue abençoando ele .

  • Bugre
    11 Dez 2017 às 12:33

    Agradece ao médico e depois diz que médico se acha mais que Deus. É pra acabar!

  • Miriam Albernaz
    11 Dez 2017 às 11:34

    Parabéns Dr. Heleno e Equipe pelo trabalho desempenhado junto aos familiares de ente em estágio terminal. Não o conheço.. mas todos dizem que é muito humano. Que Deus continue lhe abençoando, pois hoje, principalmente os Médicos acham que são mais que DEUS! Que outros Colegas sigam seu exemplo de humanidade.

Sitevip Internet