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Segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

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VLT, corrupção, acordos políticos e saúde foram principais assuntos abordados por candidatos ao Governo de MT

Da Redação - Érika Oliveira

07 Out 2018 - 11:25

VLT, corrupção, acordos políticos e saúde foram principais assuntos abordados por candidatos ao Governo de MT
Nestas eleições o Olhar Direto lançou a série de entrevistas ‘Confronto Direto’, cujo objetivo era polarizar a discussão em torno de temas centrais na vida de mato-grossenses. Convidamos autoridades, formadores de opinião e, entre eles, candidatos ao Governo de Mato Grosso, para debater idéias, propor soluções e lançar um olhar aprofundado sobre problemas enfrentados pela população e projetos para o futuro.

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Entre os principais assuntos debatidos, figuraram a crise na saúde pública de Mato Grosso, os casos de corrupção que assolaram o Estado e o país nos últimos anos, os acordos firmados para a constituição dos grupos políticos nestas eleições e a novela do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT).

Nem todos os candidatos aceitaram participar do ‘Confronto Direto’, mas reunimos a opinião dos três principais personagens desta eleição, que neste domingo apostam no trabalho que desempenharam nos últimos 45 dias de campanha para conquistar um resultado satisfatório nas urnas.

De um lado, Mauro Mendes (DEM) acredita na vitória ainda no 1º turno, embalado pelas pesquisas que o colocam como eleito, se considerados os votos válidos. Do outro, Pedro Taques (PSDB) e Wellington Fagundes (PR), que confiam em levar a disputa para o dia 28 de outubro e, quem sabe, vencer do democrata no 2º turno.

Conforme a pesquisa Mark*, divulgada na última segunda-feira (01), 21,9% dos eleitores em Mato Grosso ainda não sabiam em quem votar, se considerarmos brancos, nulos e os que não souberam responder. Se você faz parte desse grupo, confira abaixo como Mauro Mendes, Pedro Taques e Wellington Fagundes pensam sobre os assuntos que foram relacionados pela nossa reportagem.

VLT

Mauro Mendes

Precisaremos de no máximo um ano para encontrar uma solução. Encontrar uma solução significa ver todas as alternativas existentes hoje, estudar novas alternativas, dialogar com o Ministério Público, Tribunal de Contas, com a Assembleia, com a população, para escolher a melhor solução. A partir daí, apresentá-la para a sociedade e colocar em marcha a sua execução.

Pedro Taques

Uma coisa que começa errada, não tem como terminar bem. Refazer dá muito mais trabalho. Como todos sabem, houve corrupção no VLT, desde a licitação em 2012. Todos imaginavam que tinha algo errado, e a operação Descarrilho, em 2017, mostrou o que realmente aconteceu. O VLT era para estar pronto para a Copa do Mundo em 2014. Assumimos em 2015 com este problema para resolver. Fizemos auditorias e tentamos sanear o contrato para retomar as obras. Com a operação da Polícia Federal, a corrupção do governo do MDB de Silval Barbosa foi revelado, então rompemos imediatamente o contrato com o consórcio construtor. Até agora essa briga está na Justiça, porque obviamente as empresas não querem perder dinheiro. A afirmação de que não há nenhum indicativo de solução não é verdade. Nós já estamos trabalhando para lançar uma nova licitação ainda este ano de 2018. Ou seja, estamos apontando uma solução prática para o problema. Com relação aos recursos, já existe um financiamento pré-aprovado na Caixa Econômica para o VLT. E o cidadão pode ter certeza que essa solução está sendo feita com total zelo ao dinheiro público, diferente do que foi feito no passado pelo governo do MDB de Silval Barbosa e seus aliados. Também estamos fazendo de modo a garantir segurança jurídica, com responsabilidade e transparência para que empresas sérias tenham interesse em continuar essa obra.

Wellington Fagundes

O primeiro passo é chegar a um consenso jurídico sobre o VLT, que envolva Governo, prefeituras, consórcio e órgãos de controle. Somente depois desse consenso, poderemos afirmar com certeza o destino dos vagões, o prazo para conclusão e valores finais da obra. É importante dizer que uma das minhas prioridades é concluir todas as obras paradas possíveis de serem finalizadas. Obra parada é desperdício de dinheiro público, e prejuízo para o cidadão.

Corrupção e acordos

Mauro Mendes

A troca de partidos e a pluralidade de alianças em momentos de compor os grupos que disputarão as eleições é um fato comum na política brasileira e faz parte da democracia. O que interessa ao eleitor ao votar no próximo governador é confiar no candidato pelo seu histórico, pela sua trajetória, pelas suas palavras e, principalmente, pelas suas ações e pelo que pode fazer pelo Estado.

O Taques representou para mim e para muitos uma esperança de uma administração moderna, conectada com os anseios da população e com entrega de resultados. Mas foi uma grande decepção para mim e para a grande maioria do povo de Mato Grosso, que também deixou de apoia-lo. O nosso distanciamento se deu da mesma forma como se deu os compromissos dele com as promessas de campanha. Ele entregou muito pouco resultado para a população de Mato Grosso. O Taques não apresenta nenhum perfil para exercer cargo de Executivo. Foi até um bom senador. Mas lamentavelmente não demonstrou nenhuma aptidão, nem experiência e nem resultado como ocupante de um cargo no Executivo.

Pedro Taques

Sempre fui parceiro, mas do povo de Cuiabá, de Várzea Grande e do povo de Mato Grosso. Por isso é que iniciamos a construção do Novo Hospital e Pronto Socorro de Cuiabá, que terá mais de 300 leitos e já está 80% concluída. Enquanto o candidato era prefeito, essa foi a minha parceria: com o povo de Cuiabá. Foi por isso também que resolvemos ajudar mensalmente o custeio do Hospital São Benedito, duplicar a saída para Chapada dos Guimarães e refazer com responsabilidade as obras da Copa deixadas pela administração passada. Fui parceiro, sim, e serei sempre parceiro do povo.

Nosso palanque tem dois presidenciáveis com reais condições de disputar o segundo turno: Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro. Com um deles indo para o segundo turno, nós apoiaremos a campanha.

Wellington Fagundes

Eu tenho coerência partidária, sim. Tenho uma longa vida partidária no Partido da República, que antes de ser PR era PL. As alianças que são feitas nos momentos eleitorais são mais dinâmicas, mas é preciso deixar claro: foi no PR que conquistei mandatos de deputado federal e senador. Como a reportagem mesmo apontou, desde 2008 estou no PR. Isso não mudou. Assim como não mudou o fato de o meu partido buscar uma coalizão de forças diversas, em uma proposta plural, unindo o que se chama de direita e esquerda. Porque o foco é um só: melhorar a vida dos mato-grossenses, colocando as pessoas em primeiro lugar, principalmente aqueles que mais precisam da mão do Estado. Sou oposição ao governo atual desde a época da campanha, em 2014. Não fomos nós que mudamos de lado.

A minha candidatura tem compromisso firmado de forma clara com a população. Nem vou me estender muito nisso. Digo apenas que meu acordo é com os eleitores. Na questão partidária, felizmente, sigo obtendo apoios importantes, de todas as siglas, porque são pessoas que nos conhecem e nos reconhecem como oposição legítima, oposição verdadeira a essa situação que se instalou em Mato Grosso, com o povo abandonado. O único acordo que tenho é com a população: o de ser o fiel representante dessa oposição aqui no nosso estado.

Nossa coligação representa em Mato Grosso quatro candidatos à Presidência. Além de Fernando Haddad (PT), temos Geraldo Alckmin (cuja vice, Ana Amélia, é do PP), Álvaro Dias (Pode) e Marina Silva (que tem como vice Eduardo Jorge, do PV). Me orgulho muito da aliança plural e democrática que construímos, reunindo lideranças da esquerda, centro e direita. Costumo dizer que a nossa aliança é um retrato da sociedade brasileira em toda sua diversidade. Caberá ao eleitor brasileiro definir o nosso próximo presidente, mas o que posso assegurar é que buscaremos diálogo e proximidade com quem quer que seja eleito.

Sobre Lula, é preciso reconhecer os avanços na área social ocorridos durante seus mandatos. Deve ter garantido seu direito à ampla defesa como é a regra num sistema democrático como o Brasil.

Saúde pública

Mauro Mendes

A Saúde não foi tratada com a devida atenção. Nós vamos fazer a Saúde funcionar em Mato Grosso. E isso vai ser feito por uma série de ações. Destaco aqui algumas delas, como a criação de um grande consórcio com os 141 municípios para garantir remédios, medicamentos, insumos hospitalares para todo o Estado. Hoje, grande parte dos municípios tem uma grande dificuldade para comprar esses medicamentos e para manter a regularidade desse abastecimento, porque muitas vezes o remédio comprado em pequena escala sai muito mais caro. Com o consórcio, faremos compras em grande volume direto do fornecedor, garantindo preço mais justo e regularidade. Tendo médico e remédio, mais de 80% do problema da Saúde será resolvido. Paralelamente, iremos priorizar algumas questões estratégicas como terminar e aparelhar o Novo Pronto-Socorro de Cuiabá; retomar a obra do Hospital Universitário, que está paralisado; melhorar a infraestrutura dos hospitais regionais e colocar em dia os pagamentos aos municípios na área da Saúde.

Pedro Taques

Ainda precisamos avançar na saúde. Temos alguns fatores que contribuíram para a situação que temos hoje. A crise econômica fez muitas pessoas deixarem os planos de saúde, assim mais pessoas estão dependendo do SUS. O outro fato foi o desmantelamento do sistema de saúde em Mato Grosso. Nos últimos anos, como todo mundo sabe, não foi feita gestão de saúde, reformas dos equipamentos públicos, melhoria da gestão. Nós estamos fazendo essa gestão e posso citar algumas medidas. Fizemos a reorganização da estrutura organizacional, com a criação da área de gestão hospitalar e divisão de áreas administrativa e financeira e criação do Colegiado de Gestão Estratégica. Para o cidadão isso aparece pouco, mas é muito importante, isso pode ser perguntado para os servidores.

Outra medida foi a decisão da criação do FEF, Fundo Estadual da Saúde, que vai retomar a autonomia financeira da Secretaria de Saúde, o projeto foi enviado à Assembleia; Também estamos revitalizando os hospitais regionais; construindo o novo Cridac; reformando o Adauto Botelho; o SISREG, sistema de regulação, foi implantado em todos os municípios, e compramos 1500 computadores para modernizar a operação; fazemos o apoio financeiro a 15 consórcios de saúde nos serviços de média complexidade; criamos/credenciamos 200 novos leitos de UTI em Mato Grosso; apoiamos o custeio do Hospital São Benedito; e estamos construindo o novo Pronto Socorro de Cuiabá em parceria com a prefeitura e vamos equipá-lo. Vamos dar continuidade a essas ações, fortalecer a regionalização, terminar de revitalizar os hospitais regionais e fortalecer a gestão da SES com a valorização do servidor.

Wellington Fagundes

O MT Saúde é um patrimônio do servidor público e sua família. Quando falamos em valorizar o servidor, estamos falando em dar tranquilidade para que possa exercer suas atividades com paz e tranquilidade, na certeza de que terá salários em dia e efetiva participação no desenvolvimento das nossas metas. Se é uma autarquia que dialoga com o servidor, evidentemente é daí que sairá o seu gestor, comprometido com o seu bom funcionamento. Nada mais natural, porque é do servidor que vem a contribuição que mantém o plano. Vou garantir que seja um profissional capaz, habilitado e preparado para a tarefa de tocar o MT Saúde.

*A pesquisa Mark está registrada junto à Justiça Eleitoral sob número MT-01519/2018. A metodologia é quantitativa e a técnica aplicada é Survey de Opinião. Foram realizadas  1050 entrevistas entre os dias 28/09/2018 e 01/10/2018. A margem de erro é de 3,0 pontos percentuais para mais ou para menos. Os resultados das tabelas foram arredondados pelo programa para totalizarem 100%.

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