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Terça-feira, 20 de novembro de 2018

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Polícia liberta cinco trabalhadores em condições análogas à escravidão em fazenda de MT

Da Redação - Thaís Fávaro

09 Nov 2018 - 14:40

Foto: Assessoria

Polícia liberta cinco trabalhadores em condições análogas à escravidão em fazenda de MT
Após uma denúncia anônima a Policia Judiciária Civil libertou na manhã de quinta-feira (8), cinco trabalhadores em condições análogas a escravidão. Eles estavam em uma fazenda em São Felix do Araguaia (1.161 Km de Cuiabá) e viviam em condições sub-humanas, sofriam assédios e ameaças por parte do patrão, dívidas que nunca reduziam e comidas e bebidas insuficientes. O proprietário do local foi preso em flagrante.

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De acordo com a assessoria da Polícia, os homens eram funcionários da fazendo Mata Verde, às margens do Rio Xavantinho, eles informaram aos policiais que possuíam para se alimentar no dia apenas um quilo de arroz e que por “sorte” na noite anterior também puderam comer um peixe que conseguiram pescar. Além disso, os trabalhadores não possuíam registro na carteira de trabalho e os salários estavam atrasados, eles eram constrangidos a assinar recibos sobre pagamentos no valor de R$ 6 mil, no entando, recebiam próximo de R$ 1.000.

A ação mobilizou policiais civis dos municípios de Confresa e São Felix do Araguaia, em cumprimento a mandado de busca e apreensão oriundo da Comarca de São Felix do Araguaia e com apoio do Grupo Armado de Resposta Rápida (Garra) de Confresa.

O suspeito Fernando Jorge Bittencort da Silva, 61 anos, foi preso em flagrante por redução à condição análoga de escravidão e por posse irregular de arma de fogo (foram apreendidas na propriedade, munições de calibre .36). Ele é investigado também por outros crimes, dentre eles o homicídio que vitimou um fazendeiro, no ano de 2016, e ainda por integrar uma rede de tráfico internacional de drogas.

Em março de 2017, durante deflagração da operação Zona Rural Segura, foram apreendidas diversas armas de fogo na mesma propriedade, incluindo pistolas automáticas de uso restrito das forças policiais, com carregadores alongados. Na ocasião também foi cumprido contra ele um mandado de prisão temporária. O suspeito possui ainda condenação de 09 anos de reclusão na Comarca de Caxias do Sul (RS) por tráfico internacional de drogas e de armas.
 
Divida crescente
Fernando informava aos funcionários que o restante do valor era retido por ele para pagar as dívidas que os trabalhadores contraíam ao usar a estrutura da propriedade e a alimentação que consumiam, porém nunca mostrou aos contratados notas fiscais ou detalhou as supostas dívidas. Um dos exemplos de preços abusivos que teriam sido repassados por Fernando era o da gasolina, que cobrava R$ 10, o litro.

No começo da noite, os funcionários contaram que usavam a bateria de uma motocicleta para conseguir iluminar o alojamento, distante cerca de 04km da sede da fazenda. Eles também dormiam em camas improvisadas (colchões sobre tijolos) ou redes, e não tinham acesso a banheiro. Também eram impedidos de sair do "emprego" antes de quitar todo o débito com Fernando.
 
Investigação
De acordo com a delegada à frente do trabalho, Lizzia Kelly Ferraro Noya, o ponto de partida para a ação na fazenda, e a representação pelo mandado de busca e apreensão, foi a fundada suspeita de que Fernando continuasse a possuir armas de fogo no local, mesmo após ações pretéritas que aprenderam armamento no local. O cumprimento do mandado foi realizado por equipe coordenada pelo delegado André Rigonato, da Delegacia de Polícia de Confresa, que também acompanha as investigações.

Os trabalhos prosseguem na Delegacia de Polícia de São Félix do Araguaia, especialmente no intuito de identificar outros trabalhadores que teriam sido submetidos à condição análoga de escravidão.

O suspeito foi encaminhado para unidade prisional (Cadeia Pública) ficando à disposição do Judiciário

5 comentários

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  • Arnaldo Leite Albquerque
    10 Nov 2018 às 14:44

    Eu não sei porque tais comentário, se o MPT existir e não haver as devidas fiscalizações é melhor acabar, por outro lado 56% dos eleitores elegeram legalmente o DD. Presidente e deste 80% são trabalhadores necessitados da jabuticabas, segundo o IBGE, então está para mim encerrado qualquer tipo de discussão e aceito a minha derrota assim como o DD Drº Joaquim Barbosa, B runa Marquesine, etc. Vocês acham que quando foi assinado a Lei Áurea agradou todos os escravos?

  • Lisandro Peixoto Filho
    10 Nov 2018 às 01:20

    Trabalhador sempre tratado não como ser humano de deveres , direitos e oportunidades iguais, mas sim como mão de obra a produzir e manter patrimônio alheio. Agora até o único Órgão estatal que o protege querem extinguir que o Ministério do Trabalho. Lerê-lerê , querem a volta do tronco.

  • Luís Lima
    09 Nov 2018 às 16:30

    Aos idiotas de plantão os esquerdiopatas o ministério do trabalho não acabou apenas foi remanejado juntos com outras pastas dá forma que se encontravam o mtb era bom somente para cabide de empregos e sindicalistas

  • Zeca
    09 Nov 2018 às 16:03

    Lisandro Peixoto Filho, quem disse que não haverá mais o Ministério do Trabalho? Aprenda a ler e entender senhor!

  • Lisandro Peixoto Filho
    09 Nov 2018 às 15:08

    Em Pleno século XXI, ainda a função do Gato, e do Senhor. Sem o Ministério do Trabalho também reviveremos a função " Capitão do Mato"!

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