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Domingo, 25 de outubro de 2020

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Agrônomo defende uso de fertilizante sem arsênio para não causar problemas ambientais

Da Redação - José Lucas Salvani

24 Set 2020 - 15:40

Foto: Reprodução

Agrônomo defende uso de fertilizante sem arsênio para não causar problemas ambientais
O agrônomo de vendas técnicas Flávio Cardoso, defende o uso do borato refinado Tetraborato de Sódio Pentahidratado, que praticamente não possui arsênio como contaminante, considerado como elemento tóxico. Um exemplo de produto comercial a base desse borato é o fertilizante Granubor, 100% solúvel em água, com taxa adequada de dissolução para suprir a demanda das plantas, e é listado para o uso na agricultura orgânica. 

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A contaminação pelo arsênio tem causado problemas ambientais e de saúde no mundo. Classificado como cancerígeno de classe 1 pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer, o arsênio é considerado o elemento tóxico mais perigoso para a saúde humana.

Na natureza, existem arsênico inorgânico e orgânico. Entre as formas inorgânicas, o arseniato predomina nos ambientes aeróbicos, enquanto o arsenito é a forma predominante nas condições anaeróbicas. Segundo o agrônomo, diversos pesquisadores apontam em 5 mg kg-1 a média da concentração de arsênio em solos que nunca foram submetidos a cultivos e raramente excedendo 10 mg kg-1. Em solos agrícolas essa média pode ser mais alta devido ao uso constante de insumos agrícolas contaminados com arsênio.

A presença e mobilização de arsênio ocorrem devido a reações biogeoquímicas naturais e atividades antropogênicas como combustão fóssil, mineração, uso de pesticidas, herbicidas e fertilizantes contendo arsênio aumentam a concentração e a mobilização de arsênio no ambiente. Embora muito tenha sido estudado na América Latina a respeito da exposição de seres humanos ao arsênio através da ingestão de água (água superficial ou subterrânea) e alimentos contaminados, pouca atenção foi dada aos solos contaminados.

Na agricultura o uso indiscriminado de fertilizantes que contém arsênio como impureza tem ocasionado elevado acúmulo deste elemento nos solos. Nos últimos anos, nos países mais desenvolvidos, grande parte dos insumos agrícolas contendo arsênio tem sido banido da agricultura. Repetidas fertilizações causam a longo prazo acúmulo de arsênio nos solos principalmente os fertilizantes boratados (ulexitas) que podem conter quantidades elevadas de arsênio na forma de impurezas.

A origem dos depósitos de boro podem ser de duas formas: sedimentar ou metamórfica, sendo os depósitos de origem sedimentar os de maior interesse econômico. Dependendo da origem dos boratos, eles podem ser acompanhados por outros minerais como quartzo, silicatos, carbonatos, estrôncio e arsênio.

O agrônomo explica que é importante gerenciar as concentrações de arsênio nos solos e os efeitos nas plantas, porque elas podem absorver e acumular arsênio em partes comestíveis, o que representa um caminho para a exposição ao arsênio.

Antes do arsênio por em risco a saúde humana contaminando os frutos das plantas, o elemento pode estar afetando a “saúde do bolso” dos produtores por ser extremamente tóxico as plantas, podendo diminuir a produção de qualquer cultura se estiver em níveis considerados fitotóxicos para as plantas.

As raízes são geralmente o primeiro tecido vegetal a ser exposto a elementos tóxicos nos solos. Dados recentes de pesquisa mostram que a extensão e proliferação das raízes é inibida como consequência da exposição ao arsênio. Esse metalóide também inibe o crescimento de toda a planta, alterando os processos metabólicos, resultando em menor germinação, crescimento e desenvolvimento, vasos menores do xilema foliar e estômatos anormais, além de comprometer a produção da planta. 

No Brasil, tem crescido a aplicação do micronutriente boro em todos os cultivos. Sua importância nos ganhos de produção esta mais que comprovada pelas inúmeras pesquisas realizadas no Brasil e no mundo. A fonte de boro mais utilizada no Brasil ainda é a ulexita. Porém, já é sabido que esta fonte de boro dependendo da mina e/ou local de extração na mina pode conter quantidades baixas ou altas de As para uso na agricultura. O produtor precisa ficar atento a esse fato e sempre exigir um laudo daquele lote específico atestando a ausência ou apenas quantidades baixas de As como contaminante.

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