Olhar Direto

Terça-feira, 15 de outubro de 2019

Opinião

Ignomínia a brasileira

Autor: MARCELO AUGUSTO PORTOCARRERO

26 Nov 2018 - 08:00

A renovação acima das espectativas do Senado e Câmara Federal, dos Governos estaduais, das Assembleias Legislativas e das Câmaras de Veradores nas eleições deste ano expôs a ignomínia ou a grande desonra infligida pelo julgamento público daqueles que foram derrotados. Entretanto, contrariando o bom senso que tomou conta das urnas alguns daqueles que desrespeitaram seus cargos foram reeleitos ou mesmo eleitos para continuar atuando em outras instâncias.

Para decepção de muitos de nós a fórmula pela qual conseguiram infelizmente ainda funciona e vai continuar a eleger essa gente desprezível por mais que saibamos que em algum momento eles também serão afastados, quer seja pela justiça, quer seja pelo voto conciente e honesto da maioria.

É por essas e outras razões que precisamos permanecer atentos para que o destino dos que sobreviveram politicamente seja o mesmo dos que agora foram afastados pelas urnas. Temos que continuar lutando para que as nefastas influências que ainda detêm junto a seus currais eleitorais sejam eliminadas através da permanente exposição de seus atos e esquemas de corrupção. Será difícil, mas quando esse momento chegar as migalhas que oferecem em troca dos votos de cabresto de nada servirão.

Por enquanto estamos obrigados a aturar as sabotagens daqueles derrotados que beneficiados pelas circunstâncias do tempo ainda detêm mandatos eletivos. São políticos que se mostram cada vez mais despreziveis a medida em que põem à mostra suas verdadeiras índoles, seus malcaratismos, suas reais intenções em relação ao país e o claro desrespeito aos cidadãos que os elegeram. Eles agiram e ainda agem como sanguessugas beneficiados que são pelas estruturas coniventes e corruptas que construiram ano após ano através de seus ignóbeis mandatos.

Em fevereiro esse virus maléfico que nos infectou desde a promulgação da Constituição de 1988 passará pelo segunda fase do tratamento de seu expurgo eleitoral com a eliminação definitiva de boa parte dessa praga que se apossou do país.

Foi naquela Assembleia Constituinte que diversos políticos sociopatas tiveram a primeira oportunidade de explorar a boa fé dos brasileiros, quando então começaram a solapar nossa cultura pacifista, nossa educação, nossa saúde, nossa economia, nossa segurança e principalmente a família como instituição basilar da nação brasileira.

Parte da devastação que causaram e ainda causam está dentro da estrutura do ensino público superior. Foi através do aparelhamento gradual dos corpos docentes das universidade, do questionável preparo de boa parte daqueles que nelas ingressam por concurso vestibular e das cotas destinadas a corrigir injustiças sociais que atuaram para solapar os princípios básicos de nossa educação social, técnica e científica.

O mesmo pode ser percebido em relação aos meios culturais e de comunicação. Nestes, através da mesma estratégia de aparelhamento foram aos poucos inserindo em novelas, programas, filmes, séries, demais evento televisivos e impressos situações onde os locais de estudo, trabalho, lazer, esporte e diversão, mas principalmente o ambiente familiar passaram a ser apresentados como locais propícios a que situações de discriminação, preconceito, ódio, crime, além de outras atrocidades aparecessem como regra e não excessão.

O que mais será preciso dizer desses políticos corruptos que no âmbito de suas respectivas instâncias somente agora estamos conseguindo afastar?

Sim, porque grande parte deles também participou ou foi conivente com o danoso processo de degradação das estruturas dos três poderes que determinam o destino do país. Esses mesmos três poderes que em suas essências constitucionais deveriam estar cumprindo honestamente as resoluções públicas, produzindo leis justas e julgando com isenção nossos cidadãos.

Alijá-los da política será pouco!


Marcelo Augusto Portocarrero é engenheiro/civil ufmt.
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