Olhar Direto

Segunda-feira, 24 de junho de 2019

Opinião

Dois Presentes

Autor: Eduardo Póvoas

26 Dez 2018 - 08:00

Dia 23 de dezembro, enquanto esperava minha mulher terminar algumas coisinhas em casa para sairmos a almoçar, eis que toca meu telefone.

Número sem registro e vou atender sem saber de quem se trata.

Do outro lado da linha um amigo, companheiro de república em Uberaba Mg, companheiro de futebol e de Centro Acadêmico.

Ele se identifica e confesso-lhes, minha voz começa a ficar tremula. Tremula pois há muitos anos nós não nos falávamos e, nas suas primeiras palavras rodava na minha mente tudo aquilo que um estudante que além de estudar, poderia fazer.

Fomos “adversários” por todo nosso período estudantil nos jogos Universitários do Triangulo Mineiro, evento que começava a mexer com a cidade muitos meses antes de se iniciar, pois ele cursava Medicina e eu Odontologia.

Era disputa “pau a pau” em todas modalidades.

Invariavelmente após as partidas de futebol, futebol de salão (aquele que não se podia fazer gol de dentro da área, tinha que sair de lá para fazer), natação, vôlei etc, a reunião de vencedores e vencidos, invariavelmente era na república dos Cuiabanos, modéstia à parte, ponto de convergência de todos.

Falo do meu amigo Heber Hamilton Quintela, o popular chupeta como era tratado por nós, pois chorava reclamando de tudo e de todos nas quadras e nos gramados. Hebinho vai para Guaxupé MG exercer sua profissão e se elege por duas vezes Prefeito da cidade. Atualmente ocupa o cargo de Vice Prefeito, aceito para fazer com que, o candidato que lhe parecia melhor, fosse eleito.

Acabo de desligar o telefone depois de um longo papo, eis que nova ligação aparece.
Desta vez identificada pois constantemente nos falamos.

Para minha alegria na ponta da linha estava Almiro Antonio Gonçalves, colega de escola e de futebol nas fileiras do Mixto Esporte Clube, no Colégio Estadual de Mato Grosso e no Presidente Dutra.

Almiro, crack como poucos que vi jogar, chegou à Vila Belmiro em 1965 e jogou inúmeras vezes com Pelé.

Lá carinhosamente tinha o apelido de Mug, e em 1966 sai de Uberaba e fui visita-lo na Vila Belmiro, onde ele em um imenso salão, jogava sinuca com um cidadão e curioso como sou, perguntei à ele: Almiro quem é esse? Respondeu-me: “É um tal de Clodoaldo que veio fazer teste aqui”. Mal sabia eu que na minha frente estava um cidadão que anos depois seria um dos responsáveis diretos pelo nosso tricampeonato no México.

Gente Deus me proporcionou isto tudo. Deus me dá muita coisa.

Amigos com raríssimas exceções, você faz até os trinta anos, depois você faz muitos conhecidos. Eu fiz muitos amigos e recebi de Deus um grande presente de Natal que foi ouvir a voz de dois deles, estes guardados no coração e na lista de “AMIGOS”.
Obrigado Jesus, mas uma vez o senhor foi generoso comigo dando-me esse maravilhoso presente.


EDUARDO PÓVOAS É PÓS GRADUADO PELA UFRJ.
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