Olhar Direto

Sábado, 14 de dezembro de 2019

Opinião

Um paradigma jornalístico

Autor: Marcelo Portocarrero

16 Fev 2019 - 08:00

É o que se constata ao ver que parte da imprensa permanece em campanha, agora fazendo seu jogo de interesses. Como não tem competência legal nem legitimidade eletiva para representar politicamente quem quer que seja só lhe resta fazer politicagem.

Rebaixa-se aeticamente através de desinformações criadas a partir de dados obtidos por meio de colaboradores cooptados nas organizações públicas e políticas, verdadeiros informantes (muitas vezes políticos em mandado), com o objetivo sistêmico de buscar nos assuntos polêmicos sinais de necessários ajustes para expô-los como se desavenças fossem. A essas situações corriqueiras de trabalho em qualquer instituição, seja pública ou privada, classificam de tropeços e disputas pelo poder.

Como aconteceu no significativo caso das fake news plantadas em certo jornal paulista quando da campanha presidencial continuam a publicar matérias ditas exclusivas, mas que não passam de ilações de bastidores pois trazem a possibilidade de serem refutadas a qualquer momento já que se fundamentam em especulações e em valorizar o mal feito, desprestigiando propositalmente as boas notícias.

Uma ocasião que bem caracteriza os critérios utilizados (ou a falta deles) para decidir qual informação passar ao cidadão foi o reconhecimento ao vivo pelo jornalista Pedro Bial de que notícia boa não dá primeira página. Um verdadeiro escárnio, uma manifestação ostensiva de desdém para com o público.

A justificativa para que isso continue a acontecer parece ser um paradigma jornalístico onde permanece constante a incoerência de preferir destacar o mal em detrimento do bem. Como para os meios de comunicação notícia boa não vende jornal tudo leva a crer que continuarão a investir no que é pior para nós porque é melhor para eles.

Neste mesmo diapasão, sites que deveriam ser imparciais só fazem por em prática a máxima anarquista que diz: – “Hay gobierno? Se hay soy contra. Se no hay, también soy”. Será que não percebem que assim acabam por expor ainda mais suas ligações políticas e/ou a falta que fazem as metas financeiras alcançadas no passado através de seus contratos com os governos anteriores?

Parece que não, posto que permanecem usando como instrumentos de pressão as mesmas formas de manipulação das notícias quando estas se referem ao governo e seus dirigentes, inclusive familiares e amigos.

É o que se vê desde que foi encerrada a cobertura da campanha presidencial e parecem estar a trabalhar para obstruir os planos e projetos que vêm sendo desenvolvidos na intenção de resgatar um país que estava mergulhado em sua mais profunda crise socioeconômica.

A continuar assim logo estarão pagando o preço justo pela falta de bons critérios para a venda de seus serviços de informação a um público que, ao contrário do que imaginam, aprendeu a filtrar suas informações através das várias fontes disponíveis. Isso mostra como é importante separar o joio do trigo e que somente após as diversas etapas de apuração é que se chega aos diamantes ou, se quiserem, às notícias verdadeiras.

Seria fácil declarar essa parte da imprensa a única culpada, mas infelizmente não estão sós. Somos seus cúmplices na medida em que aceitamos pacificamente o cabresto que nos oferecem diuturnamente. Guiados pelas rédeas da má informação ou pela informação do mal, neste caso a ordem dos fatores não muda a notícia, permanecemos surdos, cegos e mudos diante da televisão e do aparelho celular.


Marcelo Portocarrero é Enhengeiro civil/ UFMT.
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