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Opinião

Dom Francisco de Aquino Corrêa: 133 anos

Autor: Germano Aleixo Filho

03 Abr 2019 - 08:00

Já vai longe o ano de seu nascimento: 1885. À beira do rio Cuiabá, num 2 de abril, vinha ao mundo aquele que haveria de cantar, como nenhum outro, as belezas de sua terra natal. Em suma, um cuiabano bafejado por um misto de inteligência e encanto, talhado para empresas as mais sublimes.
 
Tinha 19 anos quando escolheu Roma como destino. Ali, por cinco inesquecíveis anos, se entregou aos estudos na Universidade Gregoriana, onde se doutorou em Filosofia e Teologia. Dotado de sucesso, a toda prova.
 
Já contava com 24 anos quando, em 17 de janeiro de 1909, se ordenou sacerdote. Veio então trabalhar no Liceu São Gonçalo, hoje Colégio Salesiano São Gonçalo, tornando-se diretor. Curioso é saber que, na altura de seus 29 anos, foi consagrado bispo, o mais jovem do mundo. Um portento! E mais: passados outros três anos, com 32, é eleito governador de seu Estado natal.
 
Fundador da Academia Mato-Grossense de Letras, foi-lhe o primeiro presidente. Famoso por seus discursos – galvanizando a todos –, o Brasil inteiro o conhecia. Bem por isso, foi guindado à Academia Brasileira de Letras.
 
Decorrência disso: um sentimento de ufania se esparramava por todos os cantos de Mato Grosso. À época, tinha ele 42 outonos. No discurso de posse, acentua: Venho de longe, dos sertões de sol e de flores.
 
Não havia quem não estimasse o arcebispo cuiabano, tido como o mais precioso patrimônio de Mato Grosso. Ao lado do marechal Cândido Rondon, são-lhe os dois grandes expoentes.
 
Faleceu em 22 de março de 1956, numa Quinta-Feira Santa. E saber que seu nascimento também se deu numa Quinta-Feira Santa.
 
Por certo, coube a ele escrever a mais bela página da história deste Estado. Seu nome – Dom Francisco de Aquino Corrêa – jamais poderá ser esquecido, sobretudo pelo muito que amou aquela que seria – em suas palavras – sua mimosa flor do sertão, Cuiabá.
 
Que esta data – 133 anos de seu nascimento – seja um prenúncio aos festejos do tricentenário de Cuiabá, em 8 de abril. Cidade que mereceu de Dom Aquino estes versos:


Minha terra é pindorama
De palmares sempre em flor,
 Quem os viu e não os ama,
Não tem alma nem amor.
 

 Prof. Germano Aleixo Filho é Assessor da Presidência do TJMT.
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