Olhar Direto

Terça-feira, 21 de maio de 2019

Opinião

O Nero Brasileiro

Autor: Marcelo Ferraz

11 Mai 2019 - 08:00

Está decretada a morte e o sepultamento da social democracia no Estado brasileiro, que agora se transformou no monstro antirrepublicano e pró, a qualquer tipo de negócio, seja lítico ou ilícito, da iniciativaprivada. Esta conclusão, não pode levar ao ávido leitor a pensar que seja uma visão de um esquerdista radical, mas, uma interpretação devido às inúmeras ações do atual governo, que por sua vez, estão seguindo à risca a cartilha ultra neoliberal da direita conservadora.

Senão vejamos:    

Perceba que o atual governante do país é apenas um fantoche nas mãos de meia dúzia de aristocratas banqueiros, monocultores ruralistas, donos de fábricas de armas e dos proprietários das grandes redesde "faculdades" e "colégios" privados que se multiplicam pelo país a fora entupindo a mente dos alunos com "estudos" (online) sem nenhum tipo de fiscalização institucional, com a ressalva àqueles institutos devidamente registrados junto aoMinistério da Educação (MEC), que já têm a tradição de ensino reconhecida há anos – de prestação de serviço ao país.

Por conta disso, qualquer área pública que ofereça serviços de qualidade aos cidadãos e concorra com a área privada – seja na área da educação, segurança, ou, da seguridade social (saúde pública, assistência social e previdência social) – será minada e desestruturada pelo próprio comando do governo, pois o interesse maior deles é desmontar e inverter a visão constitucional de cidadania do Estado Democrático de Direito.

Isto está nitidamente claríssimo para qualquer um que acompanha os decretos inconstitucionais do nascimento da serpente, já conhecido e chamado nas universidades como o Nero insano... que está incendiandoliteralmente o patrimônio histórico-cultural, ambiental e a própria CF/88 da República brasileira. Parece soar com um tom exagerado, mas pasmem! Caros leitores, a coisa toda pode ficar ainda mais esquizofrênica, dado os inúmeros decretos anticonstitucionais que vêm tentando legalizar o caos nesta pátria.

Senão vejamos, mais uma vez:   

Qual o objetivo de enfraquecer os órgãos de fiscalização ambiental? Muito simples...promover a legalização forçada do latifúndio, que só produz monocultura através do desmatamento ilegal e generalizado, com devidas ressalvas às empresas rurais e propriedades agrícolas que, de fato e de direito, cumprem a função social e estão atuando regularmente, de forma sustentável, sob a tutela das leis ambientais e da legalidade deste país.

A consequência de um governo proteger uma aristocracia do latifúndio, que ainda atua à margem das leis, é catastrófica para o meio ambiente (flora e Fauna), para o pequeno produtor rural, para as minorias de povos tradicionais, enfim, para agricultura familiar como um todo. Ou seja, a economia solidária é tragada pelo "demônio" leviatã capitalista de forma brutal e desumana, promovendo, com isso, infelizmente, a exclusão social e a guerra velada entre as classes sociais brasileiras. A sustentabilidade econômica vira uma utopia inacessível diante de um quadro desses – de instabilidade constitucional generalizada.  

Foi por isso mesmo que na última semana todos os ex-ministros do Meio Ambiente ainda vivos desde que a pasta foi criada, em 1992, assinaram um comunicado em conjunto e se reuniram em São Paulo para lançar um alerta à sociedade brasileira. E para o mundo. Rubens Ricupero, Gustavo Krause, José Sarney Filho, José Carlos Carvalho, Marina Silva, Carlos Minc, Izabella Teixeira e Edson Duarte acusaram o Governo do ultradireitista Jair Bolsonaro (PSL) de colocar emprática em pouco mais de quatro meses uma "política sistemática, constante e deliberada de desconstrução e destruição das políticas meio ambientais" implementadas desde o início dos anos de 1990, além do desmantelamento institucional dos organismos de proteção e fiscalizadores, com o Ibama e o ICMbio.  

Enquanto os países desenvolvidos investem pesado em pesquisa, enfim, no ensino universitário, aqui o "Nero mitológico" está enterrando a Ciência sob o obscurantismo do fundamentalismo religioso. O país está se transformando em uma caverna escura, como descreve a "A República" – "O mito ou "Alegoria" da caverna é uma das passagens mais clássicas da história da Filosofia, sendo parte constituinte do livro VII de "A República" onde Platão discute sobre teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação do Estado ideal".

Mas aqui, no Brasil, a Filosofia e a Sociologia estão sendo decapitadas em um processo inquisitorial irrevogável, ao menos, até o povo brasileiro tomar a tocha flamejante do Nero da contemporaneidade brasileira – "Nero Cláudio César Augusto Germânico foi um imperador romano. O reinado de Nero é associado habitualmente à loucura, à tirania e à extravagância. É recordado inclusive por uma série de execuções sistemáticas, incluindo a da sua própria mãe ea do seu meio-irmão Britânico, e sobretudo pela crença generalizada de que, enquanto Roma ardia, ele estaria compondo com a sua lira".

Ao cortar os recursos de áreas de suma importância –  que tinham a missão de salvar o país do subdesenvolvimento – agora o senhor das armas "decretou" que o Estatuto do Desarmamento passará a se chamar "Estatuto do Armamento", pois, ao passo que desestrutura a visão constitucional de inclusãosocial, a insegurança pública aumenta, mas agora, conforme a percepção deles, é cada um por si nessa guerra urbana. Isso tudo está contribuindo para sociedade brasileira virar um campo minado explosivo ao liberar indiscriminadamente o porte de armas; a fim de se criar um mercado consumidor desse tipo de produto anti-humano.

O decreto publicado no dia 08 de maio de 2019  facilita o porte para 19 categorias, como para políticos, defensores públicos, caminhoneiros e repórteres policiais. Segundo o Instituto Sou da Paz, organização não governamental (ONG) criada a partir da campanha pelo desarmamento de 1997, estimativas apontam que ao menos 19,1 milhões de brasileiros poderão solicitar porte de arma de fogo, conforme as novas regras do decreto assinado pelo presidente.

"É uma crônica de uma morte anunciada. A medida descaracterizou completamente o Estatuto do Desarmamento. Na prática, este decreto volta a liberar a arma no Brasil", lamenta Alcadipani, professor da FGV. "Vários policiais que são muito bem treinados são mortos, imagine essas pessoas que não têm esse treinamento? O Brasil vai virar um bang bang tropical", disse o educador. 
 
Contudo, diante dessa metralhadora de decretos antirrepublicanos, nunca é demais alertar que as consequências – dessas políticas eivadas pelo vírus ideológico de uma corrente fundamentalista da direita – está trazendo prejuízos colossais para Nação brasileira. São decretos de lesa-pátria, que em nada têm contribuído para equilibrar as instituições deste país, bem como a economia, pois, conforme os últimos dados divulgados pelos IBGE, atualizado em 30/04/2019, cerca de 13,4 milhões de brasileiros ainda estão à procura de emprego. E não é incendiando a república que os gestores públicos e os agentes políticos conseguirão equacionar esse gravíssimo problema.

Então, que os cidadãos de bem e conscientes possam apagar a chama da insanidade política neste país, manifestando-se contra essas ações antidemocráticas, que só visam promover o caos social e a derrocada para a desordem pública e institucional. Entretanto, fica esta mensagem positiva:

Por amor à pátria, destituam o Nero do poder, antes que seja tarde demais para salvaguardar o Estado Democrático, o Patrimônio e a Cidadania do povo brasileiro.  


Marcelo Ferraz é jornalista e escritor.         
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