Olhar Direto

Opinião

Como “um qualquer”

Autor: Marcelo Portocarrero

06 Jun 2019 - 08:00

As constantes e reincidentes falhas na interpretação e manipulação dos fatos estão tornando a incapacidade dos analistas políticos e econômicos cada vez mais evidente porque não conseguem se adaptar à evolução dos meios de comunicação e por não perceberem que as pessoas irão checar suas “notícias” com esse aparelhinho chamado celular que está ao alcance de todos.

Estão como que acometidos de uma doença crônica que além de tudo está se tornando incurável no ponto de vista do cidadão comum que “ainda” os lê ou assiste. As maquinações do mundo político passam por uma exposição dos fatos mais do que evidente e interpretá-los passou a ser uma atividade individual e não mais coletiva como teimam em tentar fazer prevalecer.

Hoje qualquer um pode expor seu ponto de vista sobre determinado assunto antes mesmo deste se tornar notícia ao ser publicado, basta um celular na mão.

Quem sou eu para estar falando sobre isso? Este é o âmago da questão a que me referi a pouco, sou “um qualquer” que tem celular e acompanha os fatos e não mais as notícias.

Essa realidade Também coloca em estado de estupefação catatônica economistas, sociólogos e políticos desorientados pela forma isenta, honesta e conservadora de fazer política que passou a vigorar . Não acreditam no que estão vendo e por isso mesmo não aceitam o óbvio e ululante sucesso de um governo que apenas e tão somente estão fazendo o que disse que iria fazer e por isso foi eleito.

As notícias, como continuam a ser transmitidas, estão sendo construídas a partir de interpretações de articulistas e analistas que em grande parte se submetem à linha editorial adotada pela empresa que lhes paga o salário, razão pela qual estão distantes da realidade, aquela mesma que as pessoas vivem em seu dia a dia.

Chega a ser ridículo assistir as projeções dos fatos sob a visão de profissionais que deveriam estar a repassa-los como o são e não como acham que deveriam ser. Erram em quase todas as interpretações do que entendem vai acontecer e são incapazes de reconhecer a verdade quando esta se estabelece.

Tudo cabe no celular, tudo e passado e repassado para amigos, parentes e até para os que não concordam com o que pensamos porque tudo, absolutamente tudo, está sendo visto e gravado por “um qualquer” que presencie o fato.

Como diz certo jornalista global: – Vamos aos fatos, mas por favor parem de interpretar o futuro como cartomantes.


Marcelo Portocarrero é Engenheiro Civil.
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