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Opinião

Alemanha e Países escandinavos seriam a "esquerda" que deu certo?

Autor: Julio Cezar Rodrigues

06 Jun 2019 - 08:00

Existe um mito narrativo propalado pelos ideólogos da esquerda política, notadamente os intitulados sociais-democratas, de que existem países onde políticas “de esquerda” são implementadas e, sendo assim, seriam elas as responsáveis pelos altos índices de prosperidade material, igualdade, enfim, de um estado de bem-estar social.  Ora, não duvidamos que morar na Alemanha, Suíça ou nos estados escandinavos (Noruega, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Suécia) deve ser muito bom. A pergunta que não quer calar é: tais países são ricos e prósperos por adotarem políticas econômicas sociais-democratas ou são ricos apesar de tais políticas? Tais países sempre foram ricos e prósperos? Tais países enriqueceram como estado de bem- estar social ou como estados liberais?

Os defensores da social-democracia sempre citam estes países para demostrarem a superioridade de seus modelos econômicos frente aos apoiadores de que somente com mais capitalismo, ou seja, liberalismo econômico, sairemos da crise e o estado nacional terá condições financeiras de “bancar” nosso incipiente “welfarestate” (organização política e econômica que coloca o Estadocomo agente da promoção social e organizador da economia). Ignoram ou fingem negligenciar que todos os países citados não enriqueceram com políticas keynesianas (intervencionistas) e com o estado-babá, antes, enriqueceram com o capitalismo de livre-mercado e, somente, depois, optaram por políticas de redistribuição de renda ou assistencialistas. Senão, vejamos.

Antes, ainda, é importante você saber porque um social-democrata jamais irá dizer o que realmente significa essa expressão política. Centro-esquerda, social-democracia, socialismo Fabiano e outras correntes alocadas à esquerda do espectro político, diferenciam-se de seus irmãos mais radicais (marxistas, leninistas, trotskistas) apenas em forma. Todos bebem na mesma fonte: o marxismo. Todos almejam a transformação da sociedade para um modelo igualitário (totalitário). A diferença é que enquanto estes ainda pregam a revolução via ditadura do proletariado (eliminação pela força da propriedade privada dos meios de produção), aqueles, desenvolveram a estratégia gradualista, via, Gramsci e escola de frankfurt. Defendem o aumento do Estado, via intervenção econômica e revolução cultural. Bem, e o estado de bem-estar social? Você pergunta. Vamos a ele.

Na análise do historiador Robert Paxton(1932 - cientista político e historiador americano especializado na França, no fascismo e na Europa da Segunda Guerra Mundial) no continente europeu, as fundações do Estado do bem-estar social foram elaborados por CONSERVADORES e LIBERAIS ECONÔMICOS no final do século XIX como alternativa ao socialismo. O fundamento utilizado era a argumentação pela existência dos direitos sociais indissociáveis qualquer cidadão, bem como para evitar a união dos trabalhadores que era então estimulada pelos ideais socialistas, muito fortes na época. Temos, portanto, um contexto histórico onde a ideologia socialista (notadamente o marxismo) já pregava abertamente a tomada do poder político, via implantação da ditadura do proletariado, ao tempo, em que, o livre-mercado já propiciava o necessário crescimento econômico para ser postulado um estado-providência. Perceba tratar-se de uma reação àquilo que a história mostrou ser a mais nefasta criação humana: o comunismo.

A Alemanha da primeira-ministra Angela Merkel, no quarto mandato pelo partido de centro-direita União Democrata-Cristã, está muito bem, obrigado! Foi eleita pela primeira vez em 2005, mantendo-se no cargo mesmo em grave crise econômica mundial. Mesmo assim, a economia alemã comportou-se muito bem. Por quê? Para entender como a Alemanha superou a crise mundial é preciso dizer que ela herdou as condições macro-econômicas construídas pelo seu antecessor, Gerhard Schroeder (no cargo de 1998-2005). Até meados da década de 2000, a Alemanha era considerada uma das nações mais doentes da Europa. Conforme dados disponíveis em www.mises.org.br/Article.aspx?id=2776, Schroeder implantou uma agenda de austeridade que atacou frontalmente o estado de bem-estar social (paradoxalmente ele pertencia ao partido social-democrático). Fez cortes em programas de seguro desemprego, previdência a saúde. Mas fez mais ainda: flexibilizou o mercado de trabalho e reduziu as alíquotas do imposto de renda de pessoa jurídica (de 56,8% para 38,7%; hoje está em 29,7%, menor que a brasileira, que chega a 34%.). Reduziu também a alíquota máxima do imposto de renda de pessoa física (de 57% para 44,3%). Como tais medidas foram implantadas no ultimo ano de mandato, não colheu seus frutos. Em economia é assim mesmo, ajustes macro-econômicos são colhidos a médio e longo prazo. O governo de Lula colheu frutos dos ajustes implantados por FHC (embora o PT jamais admita). Assim, Merkel deve muito a Schroeder.

Para os economistas keynesianos, a única forma de uma economia superar rapidamente uma crise é aumentando os gastos e estímulos governamentais. Nossa esquerda tem isso como um mantra. Mas a Alemanha praticou crescimento econômico com austeridade, e não com déficits perdulários. Qualquer semelhança com o discurso do Ministro da Economia do governo Bolsonaro não é mera coincidência. Ou, recentemente, com a diminuição da carga tributária por Trump nos EUA. Nossa centro-esquerda, sedentae saudosa da gastança governamental do lulo-petismo, onde lambusaram-se em verbas estatais para bancarem a permanência no poder, escondendo-se atrás de um pseudo estado de bem-estar social, irão boicotar todas as tentativas de implantação de medidas austeras que promovam o crescimento econômico. Por quê? Estaria garantida a reeleição de Bolsonaro, uma vez que haveria recursos para garantir e até ampliar programas sociais, além de que construíram outro mito narrativo: a esquerda é pelos pobres, a direita contra eles! Se tem uma coisa que intelectual esquerdista não gosta é de pobre.

Estimado Leitor, não ceda ao canto da sereia esquerdista com sua narrativa de que os países citados são prósperos porque implantaram políticas econômicas da social-democracia ou porque são “de esquerda”. Isso é desonestidade intelectual. A social-democracia é um arranjo paradoxal: embora ela seja vista como a salvação dos pobres, ela só pode funcionar — e ainda assim temporariamente — em países de população rica.Para efeitos de comparação, onde você acha que seria mais fácil manter um estado de bem-estar social: na Suíça ou no Haiti? É por este motivo que você nunca encontra um esquerdista narrando como determinado estado social construiu sua riqueza. Tais países não possuem, por exemplo, uma CLT aos moldes da nossa. Não são hostis ao empreendedorismo, possuem segurança jurídica e uma legislação tributária decente. Além do mais, como já discorri em outro artigo, o Brasil ainda não possui maturidade ética para ser um estado de bem-estar social. Nossa política é sórdida e a corrupção endêmica.

Nós, que acreditamos no capitalismo como o único arranjo viável para a criação de riqueza, costumamos dizer aos nossos esquerdistas-caviar para mudarem-se para Cuba ou Venezuela quando reclamam do Brasil. Não os mandamos para Alemanha ou países escandivavos por um motivo muito simples: a maioria deles não gosta de trabalhar, um imperativo em tais países.
 

Julio Cezar Rodrigues é economista e advogado (rodriguesadv193@gmail.com)
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