Olhar Direto

Terça-feira, 15 de outubro de 2019

Opinião

13 anos sem Dante

Autor: Carlos Avalone

08 Jul 2019 - 11:00


Ao longo dos últimos 14 anos, escrevi muitos artigos destacando a trajetória política de Dante de Oliveira e as transformações que ele fez em Mato Grosso, preparando o estado para o futuro. Hoje resolvi escrever sobre o amigo Dante. Quanta falta ele faz. Conheci ele no início de 1993, logo depois da eleição para seu segundo mandato de prefeito de Cuiabá. Cumprindo compromisso de campanha, decidiu criar a secretaria de Indústria, Comércio e Turismo da Capital.

Eu e Maria, minha esposa, estávamos nos preparando para fazer nossa primeira viagem internacional. Cancún era o destino e estávamos em Brasília para tirar os vistos. Nisso, recebi um telefonema da secretária dele, Vanda. "Bom dia, o prefeito Dante de Oliveira gostaria de tomar um café da manhã com o senhor aí em Brasília amanhã". Desliguei o telefone na cara dela, achando que fosse um trote. Ela insistiu e, ainda desconfiado, aceitei o convite.

Dante se hospedava no Hotel das Américas e bem cedo fui ao encontro do homem das Diretas. No café, ele foi objetivo: "vou criar a Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo, e preciso de um nome jovem, um empresário que não tenha filiação partidária". Eu era Presidente do Sinduscon, tinha 32 anos, havia sucedido o amigo Catonho e juntos começamos projetos sociais como os de alfabetização e atendimento médico em canteiros de obras, ações que tiveram grande repercussão. 

Dante me surpreendeu: "quero convidá-lo para ser o secretário". Surpreso, argumentei que só o conhecia da mídia, e não acreditava que alguém que não participou da campanha, não ajudou, poderia ser secretário. A resposta dele: "serei candidato a governador na próxima eleição, a classe empresarial me tem como de extrema esquerda, e preciso me aproximar, porém sem os vícios destes relacionamentos de políticos com empresários. Acredito que juntos podemos fazer esta aproximação".

Eu sempre fui eleitor de Rodrigues Palma, tinha e tenho um carinho muito grande por toda a família Garcia e disse ao prefeito: preciso ouvir minha esposa, minha família e alguns amigos, não posso deixar de viajar, senão posso perder a esposa. Ele riu, perguntou quantos dias ficaria fora, respondi 15 dias e ele me deu uma semana para responder ao convite. Liguei de Cancún aceitando a missão, sem imaginar que aquela decisão mudaria a minha vida. Três meses depois, Maria pegava o elevador da prefeitura para um encontro com Thelma de Oliveira e começava ali uma grande amizade. Quando as esposas são amigas, os maridos se aproximam. Foram 13 anos de muita convivência, respeito e admiração. Trabalhamos muito, viajamos e participamos dos sonhos de Dante, que passaram a ser nossos, de uma Cuiabá próspera e um Mato Grosso mais justo e melhor para todos.

Quando Dante partiu, um mês depois de ter perdido meu pai, perdi o chão. Não havia perdido ninguém até então, fiquei 6 meses sem dormir direito. Só voltei a dormir bem depois que recebi uma mensagem do Dante através dos amigos espíritas, Marina e Ari. Nela, ele dizia que estavam bem, tanto ele quanto meu pai. Alguns poucos amigos que conhecem esta mensagem me perguntam: você acredita? Minha resposta é simples, a partir desta mensagem voltei a dormir bem.

Dante foi meu amigo, meu ídolo, meu líder e um irmão. Tentei entender a sua morte, não consegui. Percebi que tinha que aceitar. E ser grato por ter conhecido a maior liderança política de todos os tempos em Mato Grosso, por ter trabalhado com ele e por ter sido um grande amigo.


Carlos Avallone é deputado estadual e foi secretário municipal e estadual nas gestões de Dante de Oliveira
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