Olhar Direto

Sábado, 19 de outubro de 2019

Opinião

A insustentável leveza dos ataques à Operação Lava-Jato

Autor: Julio Cezar Rodrigues

17 Jul 2019 - 08:00

O perito Ricardo Molina afirmou ser impossível periciar os áudios divulgados pelo “jornalista” militante da esquerda Glenn “Verdevaldo” Greenwald (disponível em www.oantagonista.com, acessado em 12/07/2019). De acordo com Molina “as mensagens de texto estão sendo divulgadas estão sendo redigitadas, isso é uma loucura. Tanto é assim que colocaram data de 25 de outubro de 2019”. Afirmou ainda que “os textos são impericiáveis. Nunca serão autenticados”.  Consequentemente, ficam impossibilitados para uso como prova em eventual processo judicial. Mas ainda não é tudo. O perito assevera que, na hipótese de comprovar-se a autenticidade do áudio atribuído a Dallagnol, não estaria automaticamente autenticado os textos, pois, nas palavras de Molina, “NÃO EXISTE AUTENTICAÇÃO PERICIAL POR ANALOGIA. Cada coisa é uma coisa”.

Estamos assistindo de camarote a um ataque ao Estado de Direito perpetrado por um pseudo-jornalista reconhecidamente militante de um partido da esquerda radical (PSOL, o partido que acredita ser possível conciliar socialismo com liberdade). Este Senhor, cuja credibilidade em seu país de origem (EUA) é nula, divulga em um site mensagens editáveis, colhidas via ação de hackers nos celulares do ex-juiz Moro e procuradores da operação lava-jato. Outras mídias de porte como a Folha de São Paulo e a Revista Veja embarcaram na onda e também estão divulgando o produto do crime. Nos bastidores, analistas e políticos que ocupam mandatos esquerdistas, agem despudoradamente já condenando o juiz Moro de prática de crimes com base no produto de um crime, receptado por um site e outras mídias e impericiável. É o rabo abanando o cachorro. 

Qual a finalidade de toda essa ópera bufa? Constranger o STF a soltar o criminoso Chefe da maior quadrilha de assalto ao erário da história. Em última instância, anular “ab-initio” os processos que o condenaram e recomeçar a partir da denúncia, o que, fatalmente, resultará em prescrição. Contribui para este juízo o simples fato de que tudo o que é divulgado pelo Senhor Verdevaldo diz respeito aos processos de Lula. É o “conteúdo jurídico” para preencher o despudorado, desavergonhado, cínico e também ILEGAL, sob o ponto de vista de recursos, do movimento intitulado “lula-livre”. Uma vergonha nacional e, pasmem, de acordo com a Revista Istoé (https://istoe.com.br/dinheiro-publico-banca-o-lula-livre, acessado em 13/07/2019), essa mobilização dos militantes da seita petista, iniciada em abril do ano passado, é PAGA COM RECURSOS DO FUNDO PARTIDÁRIO, cujos valores podem chegar a 1 milhão de reais. Acorda MPF eleitoral!

O Brasil é um país fascinante! Gozamos da desconfortável fama de não ser um país sério e valorizarmos em demasia futebol e carnaval. E os fatos apontados ilustram didaticamente porque padecemos desse mal. Por estas bandas, grandes conquistas civilizatórias, como, por exemplo, o direito à liberdade de expressão e acesso à informação (Art. 5º, IV, IX e XIV, CF/88) são utilizados para fins execráveis. O citado pseudo-jornalista utiliza o direito constitucional que assegura a todos o acesso à informação com o resguardo do sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional (Art. 5º, XIV, CF/88) para divulgar informações obtidas com prática criminosa, dado a inviolabilidade do sigilo das correspondências e das comunicações telefônicas (Art. 5º, XII, CF/88). É como se você, Leitor, postasse uma carta nos Correios, a agência postal viesse a ser assaltada, sua carta furtada e os ladrões entregassem ela a um jornalista que a divulgasse e escondesse o autor do assalto sob o manto da proteção da fonte. Essa conduta pseudo-jornalística poderia ser equiparada ao crime de receptação (Art. 180, CP): “adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime (...)”. Substitua “coisa” por mensagens telefônicas e ter-se-á a conduta amoldada ao tipo penal. 

Em que pese existirem algumas vozes isoladas à esquerda do espectro político e poderiam ser consideradas até intelectualmente honestas, a esmagadora maioria ambiciona apenas e unicamente a volta ao poder político e a imunidade aos crimes perpetrados. O butim do roubo da quadrilha petista e comparsas, em seus treze anos de poder, foi distribuído para muita gente importante. A lava-jato incomoda e muito essa turma. Assim, todas as ações que puderem praticar para que o novo governo fracasse, serão amplamente asseguradas. A principal arma da esquerda, historicamente falando, é a construção de narrativas utilizando-se da chamada “novilíngua”, para reescrever a história independente dos fatos. A realidade deve ser adaptada ao discurso e não o contrário. É assim que deputados e senadores, cujos nomes estão nas planilhas da Odebrecht, arrogam-se no direito de inquirirem um Agente público da qualidade do Juiz Sérgio Moro. É preciso ter estômago forte (ingerir um plazil antes) para assistir ao show de horror dessa turma no Congresso. Lula é criminoso! Esta afirmação é um dado da realidade objetiva e independe de juízo de valor. Lula é um perseguido político! Esta é uma narrativa construída sem base na realidade unicamente para salvar o líder do ocaso político. 

Em que pese o fato inconteste de que as mensagens até agora divulgadas e supostamente atribuídas aos operadores da lava-jato não haverem demonstrado a inocência do presidiário de Curitiba, o circo continua armado e os malabaristas da imoralidade e da desfaçatez atuam no picadeiro da indecência moral. A ideia de sempre é minar o senso comum dos incautos para a fixação da narrativa falsa. Felizmente, acredito que o país vive outro momento. A esquerda não mais detém o monopólio do pensamento político. Cada vez mais, pessoas comuns e uma intelectualidade de viés conservador tem se apresentado com um discurso coerente e que faz um contraponto contundente a cada nova narrativa esquerdista.

Julio Cezar Rodrigues é economista e advogado (rodriguesadv193@gmail.com) 
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