Olhar Direto

Segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Opinião

Heróis & Lobos

Autor: Diogo Egidio Sachs

24 Jan 2020 - 08:00

Hegel, em seus escritos sobre os Homens da História Universal os chama de fundadores de Estados, são os HERÓIS: aqueles a quem é lícito aquilo que não é lícito ao homem comum.

Esta eleição suplementar, com data marcada pelo TRE/MT para o dia 26 de abril do corrente ano, para repor vaga no Senado da República, por Mato Grosso, em razão da cassação de Selma Arruda, exige Heróis Lobos como candidatos! 

Não é uma vereda para cordeiro ou catitu.

No Senado congregam-se os Heróis da política brasileira, lá têm assento quem venceu no mundo político — é o lugar de quem venceu mesmo, e ainda vence qualquer parada política —, Senador(a) mais ou menos não fica esquentando a cadeira azul, pois não se mantém ou não volta em novo mandato ao cargo se foi um suplente que, por um acaso, tropeçou para dentro.

Alguns veículos de imprensa afirmaram que a eleição suplementar do dia 26 de abril é um boqueirão para Senador — uma alusão à suposta facilidade de se eleger Senador —, parece que é fácil, mas não será!

Diferentemente de 2018, onde era a disputa de tudo com todos, onde cada qual estava cuidando do dele, ou seja, tratando de eleger-se, agora, alguns pré-candidatos já estão eleitos deputado (estadual ou federal), havendo, pois, certa tranquilidade de fazer a conversa política, bem como, há outras evidentes vantagens em termos de eleições, tais como o prazo mais curto de campanha, baixo custo, prazo de desincompatibilização de 24 horas e, sobretudo, o baixo risco de perdas políticas com os efeitos da derrota, porque no dia seguinte à eleição podem retomar o exercício de mandato na Câmara Federal ou Assembléia.  

Enfim, alguns candidatos podem concorrer sem sequer sair do cargo: é o caso dos parlamentares e do atual Vice-Governador que é pré-candidato.

Mas não será um boqueirão essa eleição do Senado! 

Será boca quente a eleição, O LOBO vai devorar até quem se finge de cordeiro. O lobo é o animal político de Hobbes.

A nova e a velha política vão medir forças nessa antevéspera de eleição para Prefeito da Capital e de todos os outros Municípios do Estado,

O tradicional representado pelos candidatos da família Campos junto com o grupo de Emanoel Pinheiro querem mostrar para a turma nova na política de Mato Grosso, ou seja, para o Grupo do Governador e para os candidatos do Agronegócio (para essa Gauchada), quem manda em Cuiabá e no Estado.

O “P”MDB busca um espaço político pós Temer, o PT também, está com a ressaca do impeachment, mas ambos são de luta

O fato de outsider ter ganho eleição para o Senado com quase 700 mil votos está entalado na garganta de muita gente : ninguém aceitou o resultado!!!

O tradicional, os partidos políticos e o Agronegócio não se agradaram por conta da audácia da outsider Selma Arruda; não pediu benção para ninguém. Ganhou eleição com pouco dinheiro e sem acerto político. 

Enfim, Selma sai do cargo de Senadora baixo de ordem judicial! Detalhe: os gastos astronômicos de Carlos Fávaro e do PSD com honorários advocatícios, em Brasília, é coisa nunca vista antes na política mato-grossense.

O Agronegócio precisa urgentemente da vaga do Senado para ter um legítimo porta voz político, um representante político na Câmara Alta do Congresso que seja visceralmente ligado a esse setor econômico Mato-grossense, pois é justamente nesse Governo, Bolsonaro, que estão discutindo mudanças na Lei Kandir, com a manifesta vontade de tributar Commodities de exportação.

De qual grupo político saíra o Herói/Lobo que vai à Brasília como Senador? Da política tradicional, do Agronegócio, da Assembléia Legislativa? Do PMDB? Do campo popular: PT/PC do B?

Pivetta será candidato? É ele representante raiz do Agronegócio? Sendo candidato tem ele o apoio do Governador?

Barbudo, Medeiros e Gisela Simona podem concorrer? Ou é eleição de Barão, Coronel e Patrão, sem chance para o povão?


Diogo Egidio Sachs - advogado.
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