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Efeito coronavírus na economia: momento exige calma e carteira variada

Autor: Marlon Maschio

28 Fev 2020 - 08:00


Apesar das quedas registradas, empresas reguladas merecem atenção do investidor

Enquanto o mercado brasileiro estava fechado, por conta do feriado de Carnaval, as bolsas lá fora não pararam e o que se viu nos últimos dois dias pode assustar aqueles menos adeptos ao risco: um alvoroço nas bolsas dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia, causado pela rápida disseminação do coronavírus fora da China.

Nos EUA, o índice Dow Jones registrou perda 3,56%, o S&P 500 caiu 3,24% e a Nasdaq queda de 3,71%. Foi o pior pregão do mercado americano em dois anos.

Os principais recibos de ações (ADRs) de companhias brasileiras acompanharam o movimento de queda, com o ADR da Petrobras e da Vale chegando a cair 6% e 7% ao longo do dia.

A abertura da bolsa brasileira nesse momento é marcada pelo pessimismo global e pelo primeiro caso de coronavirus confirmado no país. Empresas consolidadas como Itaúsa (ITSA4) e Bradesco (BBDC4) estão com 4% de queda. Nosso principal Índice (IBOV) acumula um declínio próximo de 5%.

O governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, e as secretarias estadual e municipal de São Paulo investigam novos casos da doença.

O que fazer nesse momento?

Os analistas da XP disseram que, como sempre é orientado, o importante é manter uma carteira diversificada, principalmente neste cenário de elevada incerteza.
Segundo o relatório da corretora de valores, pensando no mercado de ações especificamente, momentos como esse podem levar a fortes baixas nos papéis no curto prazo, mas empresas com bons fundamentos devem se manter sólidas no longo prazo.

Para a equipe de análise, no curto prazo, a principal preocupação para as empresas se refere ao potencial impacto que uma desaceleração econômica pode ter sobre seus resultados.

"Caso os impactos do surto se prolonguem no médio prazo, poderemos continuar vendo pressão nos preços de ações brasileiras ligadas à economia global, como empresas de commodities (Suzano, Vale), frigoríficos exportadores (JBS, Marfrig, BRF), companhias aéreas e de turismo (Gol, Azul, CVC), além de empresas domésticas de consumo que possam ter seus resultados deteriorados a depender do impacto para a economia brasileira", avaliam os analistas.

Por outro lado, ações de empresas reguladas, como elétricas e saneamento, podem ser boas oportunidades, já que não são dependentes da economia e pagam dividendos robustos.

Importante nesse momento é o investidor ficar calmo e conversar com seu assessor, procurar entender que em renda variável estamos expostos a esses riscos de curto prazo.


Marlon Maschio é assessor de investimentos da XP/EQI Investimentos em Cuiabá  
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