Olhar Direto

Quinta-feira, 16 de julho de 2020

Opinião

Amigos: pessoais ou profissionais

Autor: Francisney Liberato Batista Siqueira

22 Jun 2020 - 08:00

A amizade nunca é uma conveniência para obtenção de benefícios próprios. A verdadeira amizade é um elo atemporal e livre de interesses.

Todos nós, para sermos pessoas melhores e mais felizes, precisamos ter uma ocupação ou profissão, visto que traz sentido à nossa existência. Desde o Gênesis, Deus inseriu uma ocupação aos nossos primeiros pais, pois uma vida desocupada resulta em transtornos, além de potencializar a preguiça que, à espreita, aguarda uma oportunidade para reinar em nossa vida.

Ao buscar um trabalho, e se engajar em uma profissão, sempre é bom lembrar que essa escolha, além de trazer o seu sustento e de sua família, tem que tornar você uma pessoa melhor e mais feliz.

Escutando a Rádio CBN do dia 13/05/2020, no podcast sobre “Lições do Max Gehringer”, ele mencionou alguns estágios que toda carreira profissional proporciona a cada indivíduo. Creio que seja algo relevante para nos atentarmos sobre os aspectos da profissão.

Os estágios mencionados sobre a carreira são: cara de crachá; vinculado ao departamento da empresa; reconhecido fora da empresa; inclusão de um título hierárquico e um amigo profissional.

O primeiro estágio é o cara de crachá, quando as pessoas não conhecem o novo funcionário, portanto é imprescindível que ele circule pela empresa de crachá para passar a ser, assim, identificado. Então, a imagem que os funcionários têm sobre ele está de acordo com o seu crachá, isto é, uma pessoa desconhecida.

No segundo estágio, o funcionário começa a ser conhecido dentro da empresa, a qual é vinculado ao seu nome o departamento em que ele trabalha, por exemplo, Maria do setor de compras. Perceba que o seu nome está atrelado ao lugar aonde trabalha, ambos estão indissociáveis. Veja: o funcionário ainda continua crescendo, claro que a depender de sua dedicação e profissionalismo pelo trabalho.

O terceiro estágio, com a evolução do funcionário, começa a ser conhecido e reconhecido fora da empresa em que trabalha, por exemplo, Maria da construtora “X”. Aqui vale uma ressalva: é óbvio que se o funcionário continuar se aprimorando, sendo uma pessoa ética, é provável que trará bons resultados ao nome da empresa em que trabalha, contudo, uma atitude negativa, não moral, pode ser destrutível à entidade.

No quarto estágio é acrescentado um título hierárquico, em outras palavras, Maria diretora-geral da construtora “X”. Aqui mais uma vez, consolida-se o nome da pessoa física ao da pessoa jurídica. Se Maria cometer qualquer falha, as pessoas a julgarão pelas falhas praticadas, que, automaticamente, se repercutirão ao nome da empresa.

No quinto estágio, as pessoas começam a ter uma aproximação maior com aquela pessoa, isto é, a Maria diretora-geral da construtora “X”, que é a minha amiga, e que nem sempre se conhece Maria de verdade. Veja que nesse estágio já não falamos apenas do aspecto profissional, mas há um avanço para o aspecto pessoal e familiar, que podemos denominar de amigos profissionais, que muitas vezes é até contra a vontade da Maria citada no texto.

Já que percorremos ao último estágio, vale distinguir os “amigos profissionais” dos “amigos pessoais”, que todos nós estamos sujeitos a ter e a ser no percurso de nossa carreira profissional.

Amigos profissionais trocam cartões de visita; a amizade temporária dura apenas enquanto permanecer o negócio empresarial ou cargo; solicitam favores e preferências; eles estão relacionados numa planilha ou no sistema; é muito bom ter muitos amigos profissionais, que é o chamado network; são amigos necessários para a sobrevivência do profissional; no final da sua carreira, saiba que dificilmente você poderá contar com esse grupo de “amigos”.

Amigos pessoais trocam sentimentos; a amizade é permanente, ou seja, dura para sempre; há reciprocidade; há apoio verdadeiro e confiança. Os únicos amigos com que poderemos contar são as amizades que fizemos quando ainda éramos “amadores” da vida profissional.

É sempre bom percorrer por todos os estágios e chegar ao topo da carreira, porém, é importante atentar-se quanto aos amigos que teremos: se os genuínos ou pessoais, ou apenas aqueles amigos profissionais. Tenha sabedoria e cautela no trato com a sua profissão.




Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso e Chefe de gabinete de Conselheiro do TCE-MT. Palestrante Nacional, Professor, Coach e Mentor. Bacharel em Administração, Bacharel em Ciências Contábeis (CRC-MT) e Bacharel em Direito (OAB-MT). Autor dos Livros: “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência”, “A arte de ser feliz” e “Singularidade”.
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