Olhar Direto

Quinta-feira, 16 de julho de 2020

Opinião

Onde está você?

Autor: João Edisom de Souza

24 Jun 2020 - 08:00

“Onde está você, que levou toda verdade, que só deixou saudade, tirou a minha paz?”. Este é um verso de uma romântica música do compositor Marquinhos, muito bem interpretada por Tim Maia que, com uma licença poética, pode ser interpretada para as relações políticas e sociais deste momento. O que aconteceu com o brasileiro, que do amor passou ao ódio pelo outro apenas porque interpreta o mundo de forma diferente da sua?

O que é um xingamento? É uma ação cometida por alguém que já não tem mais argumentos para combater as supostas “verdades” de seu oponente, principalmente quando o erro cometido é obvio e faltam os argumentos para defesa de uma ideia ou de uma pessoa. É o último estágio para a agressão física é o limite do descontrole emocional verbalizado.

Dai vêm os termos rotulantes; fascistas! Golpistas! Comunistas! Esquerdalhas! Tão usados por aqueles que temem perder, ou já estão perdendo algo. O uso de tais expressões demostram o desespero ensandecido que a pessoa traz dentro de si.

Rotular alguém com tais expressões sem o aprofundamento exigido de conhecimento sobre a causa/semântica, ou mesmo simplesmente usar como mero xingamento, é demonstrar uma limitação entre o intelecto e o emocional que pode ser momentânea ou perene. São pessoas que precisam de ajuda, de afeto, carinho, ou de um profissional da psicanálise, da psicologia ou, nos casos mais graves, da psiquiatria mesmo.

Deste as passeatas de junho de 2013 que entramos nesta paranoia do “nós contra eles” que tem adoecido o país como um todo e levado junto aquilo que temos de melhor: amor e tolerância para com os pensamentos distintos.

Voltando a letra da música interpretada por Tim Maia, será que as pessoas são essas mesmas que se apresentam com tanto ódio? “Não, eu não mudei, só despertei pra certas coisas que eu não quis acreditar, te magoei, te desprezei, agora sei que fui feliz”. E se foi feliz, pergunto se não é hora de religar as pessoas ao invés de espalhar.

A solidão que as pessoas estão atingindo já tem o peso de uma bomba mortal (sarcasmo, alfinetadas, provocações, agressão, solidão, depressão e morte). São seres humanos que estão se desligando da vida real e se ligando a robôs muito bem articulados e programados para interagir através de postagens com seus mais perfeitos desejos ou mesmo aproximação com pessoas ou grupos políticos desumanizados e apenas articulados com uma causa: usufruir ou destruir o poder.

Neste caso, você não é impulso e sim pedra na mão que têm objetivos nem sempre republicanos. Mas com isso você vai se afastando das pessoas reais apenas por bobas discordâncias que fazem parte de nossa evolução. Coisas que se você soubesse morreria de vergonha.

As minhas perguntas são: Você é só isso em que se transformou ou tem uma história real e verdadeira para defender? Uma história que envolve parentes, amigos, velhos conhecidos, história cheia de amor, mas também de lutas e labutas? Saiba que estes (os amigos, os amores, os parentes) são os ÚNICOS remédios profiláticos para a nossa existência. Se religue enquanto é tempo!

Cante sem medo: ‘Onde está você, que não vê o meu sufoco, assim eu fico louco, bem que eu quis te esquecer, mas me envolvi demais. “Onde está você?”. e resolve dar o último grito ou se perder.


João Edisom de Souza é professor universitário e analista político em Mato Grosso.

 

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