Olhar Direto

Terça-feira, 27 de outubro de 2020

Opinião

De novo, novamente o pantanal

Autor: Eduardo Póvoas

03 Ago 2020 - 08:00

Resolvi me esconder do “corongo” vírus em um pesqueiro dentro do nosso santuário, o pantanal.

Na ida, ao me aproximar da cidade de Poconé, deparo-me com uma barreira sanitária montada pela Prefeitura. Fui impedido de entrar pois rebocava eu um pequeno barco conhecido como voadeira, e a Prefeitura achou que os barcos estariam levando aglomeração e o vírus para o Pantanal. O Prefeito não sabe que o vírus entra no seu município com as pessoas dentro de seus automóveis e até pelas Vans que levam turistas ao Porto cercado para lá embarcarem em uma lancha com mais ou menos 20 a 30 pessoas e descerem, às vezes, mais de uma vez por semana.

Ali no Porto cercado caberia uma barreira sanitária e não na entrada da cidade rotulando pequenas embarcações de vilães.

Fiz no pesqueiro uma pequena ceva para tentar comer uma pacupeva e matar o desejo. Na ceva o dourado não deixava os pequenos peixes em paz, mas como não quero pegar trinta anos de cadeia, resolvi não tocar em nenhum. Descendo rio abaixo, na região da Ilha Camargo, impressionou-me a imensa população de jacarés. Já escrevi sobre isso e tal qual a Pôncio Pilatos, lavo minhas mãos. Nunca vi ou ouvi alguém dizer que o Jacaré é sim, um predador de peixe. Sempre a culpa cai nas costas do pescador amador.

Um dos meus amigos pantaneiros perdeu em um só dia, seis bezerros, pela ação predadora da onça pintada. Disse-me que hoje em dia é mais fácil se deparar com uma onça pintada no pantanal do que avistar uma cobra.

A onça coloca a mão dentro da boca do bezerro retira sua língua junto com a traqueia, come tudo e deixa para os urubus o corpo.

E vai além, me dizendo assim: “Dotô, eles querem encher um barco de turista com máquina fotográfica na mão pra tirar foto de onça. Isso é “fazê” gentileza com chapéu “aieio”. Então paga nós!”

Tem ONGs para defender quem cria gado no pantanal? Tem ONG pra defender quem com um suor miserável adquire seu gado e os entrega às onças? Há proteção de alguém ou de alguma forma a esses micro pecuaristas?

Ninguém está aqui para defender a incineração do felino, mas sim para defender quem não tem voz e muito menos perna pra procurar um amparo.

Chega de demagogia e de excesso de frescura nestas causas. Como nós cidadãos urbanos, o pantaneiro também tem seus direitos e deveres.

O dourado, o Jacaré (um quis na semana passada comer uma máquina fotográfica de uma turista dentro do barco), e a Onça pintada, logo logo formarão a trilogia do mal da planície pantaneira.

Ao homem pantaneiro, aquele que realmente sabe cuidar desse paraíso, meus reconhecimentos pela bravura e senso de equilíbrio ecológico.


EDUARDO PÓVOAS- ODONTÓLOGO


















 
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