Olhar Direto

Terça-feira, 20 de outubro de 2020

Opinião

Por que se tornar servidor público estadual deixou de ser uma opção óbvia?

Autor: Max Campos

22 Ago 2020 - 08:00

Quem ainda acredita naquela história que ser servidor público é viver num paraíso? Será que isso ainda existe no imaginário de algumas pessoas? Se sim sinto lhe dar uma péssima informação. TRATA-SE DE UM VERDADEIRO ENGODO.

Aquela historinha de ESTABILIDADE. INAMOVIBILIDADE E IRREDUTIBILIDADE SALARIAL sabe? Pode esquecer.

É claro que a questão salarial – a baixa remuneração – é decisiva no julgamento dos próprios servidores.

Mas não é apenas isso, ressalte-se.

Já faz muito tempo que a condição de "SERVIDOR PÚBLICO" deixou de ser economicamente e socialmente atraente. Me recordo da faculdade de direito no começo de uma aula de direito administrativo o professor questionou a todos com a célebre pergunta: QUEM AQUI DESEJA SEGUIR COMO ADVOGADO E QUEM DESEJA SEGUIR UMA CARREIRA PÚBLICA? Poucos levantaram a mão para a primeira opção. Hoje apesar da "estabilidade" que o servidor possui não se eximindo de suas responsabilidades pois há uma Lei ordenando seu comportamento inclusive fora do ambiente de trabalho o mito de ficar "rico" foi desmistificado inclusive pelo próprio governo: Hoje 88% dos servidores públicos Estaduais do executivo recebem como Subsídio menos de CINCO MIL REAIS LIQUIDOS, e 80% estão com algum tipo de dívida entre empréstimos consignados e cartões e ainda são responsáveis pela manutenção familiar principalmente os Aposentados. 

É aí que se acentua a sensação de injustiça para aqueles que estão no dia a dia das repartições públicas, pois investiram em graduação, pós-graduações, mestrados e doutorados e onde as condições de trabalho – para quem quer de fato trabalhar – são precárias e revoltantes.

Junte-se a isso o fato de que os chamados cargos comissionados são ocupados, muitas vezes, por cabos eleitorais e ainda se beneficiam de uma melhor remuneração.

É comum o entorno de uma autoridade pública – em qualquer nível – ser formado por seus amigos de 'copo e de cruz' ou por bajuladores profissionais, persuasivos do erário, que se alimentam das sobras do poder.

O Estado brasileiro, patrimonialista, que carrega a herança do colonizador português, afeito a uma burocracia sem causa e sem efeito – positivo – para a sociedade, precisa urgentemente se reinventar.

A valorização dos que atuam na ponta do serviço público, com direito a uma carreira e a salários decentes, só há de acontecer com a transformação que pede passagem, mas que não consegue se estabelecer.

Ganhar mal, com exceção das carreiras jurídicas e do legislativo – inclusive no Executivo – e na arrecadação de tributos, são a marca e a sina dos servidores públicos, nos três níveis.

O ressentimento e a consequente sensação de injustiça ainda haverão de perdurar por algumas décadas. A deterioração da remuneração dos trabalhadores do serviço público não é uma obra recente e vem sendo construída há décadas – desconstruí-la há, também, de exigir tempo e determinação política, inclusive dos que exercem essa atividade.

Uma das muitas amplamente debatidas em grupos de formadores de opinião e estudiosos são os chamados "penduricalhos" que INFLAM o TETO CONSTITUCIONAL que faz com que muitos servidores ultrapassem tranquilamente 100,200,300 mil em seus holerites e os incautos acabam por colocarem todos numa vala comum o que é lamentavelmente uma "burrice" e desconhecimento. 




Os responsáveis por ela – a deterioração – são aqueles que incharam a máquina pública sob os aplausos de uma sociedade que não enxergava que esta prática haveria de comprometer o futuro, inclusive dos próprios servidores beneficiados. Se estamos a margem da LRF como continuar criando gabinetes e cargos comissionados concedendo verba indenizatória ou aumentando os tributos estaduais da indústria e comércio disparando o preço da cesta básica, combustíveis, energia elétrica.

A conta é muito simples, e o mais triste é ver instituições privadas acusarem os servidores mesmo sabendo que os subsídios dos servidores públicos ficam praticamente no comércio local gastos em educação, alimentação, vestuário, água, luz, moradia, etc. Há um verdadeiro malabarismo para se chegar ao fim de um mês que se esticou para 40 dias aqui em Mato Grosso. 

Acontece que este futuro chegou e há de demorar a virar passado.

A injustiça é real, vai além da sensação dos servidores pois o EFEITO CSCATA alcança a todos os setores, menos crédito menos consumo. Mas o pior é não enxergar a porta de saída dessa tragédia cotidiana.

E se ainda assim sonhar seguir uma carreira pública vai umas DICAS VALIOSAS: ESTUDE, ESTUDE E ESTUDE, passara por concursos cada vez mais criteriosos, procure saber mais sobre a profissão que deseja, qual sua possibilidade de após passar anos de aprimoramento ter de esperar mais alguns anos para subir de classe caso é claro não responder nenhum processo administrativo que desabone sua conduta, cuide de sua saúde pois não terá plano de saúde incluso, faça de imediato uma Previdência Privada pois a alíquota previdenciária fatalmente irá aumentar cada vez mais, exija caso seja sindicalizado transparência da mensalidade que você contribui nas prestações de contas, faça uma poupança tendo em mente que em caso de atraso salarial o corte na carne será sempre primeiro aos servidores do executivo, faça um seguro de vida a justiça é lenta e sua família é prioridade. Feito isso LUTE SEMPRE POR SEUS DIREITOS SEREM MANTIDOS pois o que ocorre é a destituição de muitos destes estarem sendo retirados. Boa Sorte.


Max Campos é Servidor Público Estadual do INDEA, Secretario Sindical Executiva Estadual do PSB e Pré-Candidato a vereador por Cuiabá.
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