Olhar Direto

Quinta-feira, 04 de março de 2021

Opinião

A hora e a vez do etanolduto

Autor: Carlos Avallone

18 Fev 2021 - 08:00


Mato Grosso será em breve o maior produtor de biocombustíveis do Brasil, mas precisará resolver um grande gargalo: a logística para fazer chegar o etanol e o biodiesel a outros estados, notadamente os não produtores, e a outros países.

Em 2008 estivemos na sede da Transpetro, no Rio de Janeiro, onde nos reunimos com sua diretoria, tendo em vista que o etanolduto havia sido incluído no PAC – Programa de Aceleração do Crescimento - do Governo Federal, e cujas obras estariam a cargo daquela empresa. Algum tempo depois, a diretoria da Transpetro veio a Mato Grosso onde, na FIEMT, fez a apresentação dos projetos que estavam sendo analisados.
Existiam, então, dois projetos de álcooldutos que poderiam atender aos anseios de nosso estado:

1. Porto de Paranaguá-PR a Nova Olímpia-MT, passando pelas regiões produtoras do Paraná e Mato Grosso do Sul, que levaria etanol combustível daquelas regiões ao Centro de Distribuição da Petrobrás na grande Curitiba-PR, visando o mercado interno do sul do país, e ao Porto de Paranaguá, para exportação;
 
2. Porto de São Sebastião-SP, Paulínia-SP, região produtora de Minas Gerais, chegando ao centro de distribuição em Senador Canedo-GO, de onde poder-se-ia construir um ramal que atenderia àquelas regiões que queremos incorporar ao processo produtivo, e as atuais;

Se analisarmos a história do álcoolduto São Sebastião-SP a Senador Canedo-Go, que passará pelas regiões produtoras de SP, MG, GO e poderia chegar a MT, vemos que foi lançado em 2007 e depois assumido pela LOGUM Logística, após ficar claro que a Transpetro não faria a obra, mas só avançou até Uberaba – MG, onde foi paralisado. Agora poderá ser retomado, haja vista que a empresa está otimizando a rede de dutos em São Paulo para possibilitar a recepção da produção que será embarcada na continuação do duto após Uberaba.

Faz-se necessária a união de esforços do Poder Público, Executivo e Legislativo, com o setor produtivo, para que a redenção da logística para o etanol, cuja produção atingirá 3,6 bilhões de litros na safra 2020/2021, que se encerra em 31/03/2021, possa avançar de Uberaba a, pelo menos, Cuiabá ou melhor ainda, a Lucas do Rio Verde, com coletores ao longo desta rota.

Não há dúvida, considerados os diversos projetos de novas unidades produtoras utilizando milho como matéria prima, já licenciados ou em fase de licenciamento pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, que poderemos alcançar a produção de 10 bilhões de litros de etanol, em prazo não superior a 6 anos, etanol este que terá, necessariamente, que ser enviado a outros estados e exportado.
 
Cumpre salientar que de Uberaba a Cuiabá há uma distância de 1.000 km e, se considerarmos o custo por km de etanolduto no trajeto Ribeirão Preto/Uberaba, R$  4,5 milhões, veremos que é uma obra de baixo custo para resolver não só o problema de Mato Grosso, mas também dos estados não produtores, que também querem utilizar a preços competitivos, combustível de baixo impacto ambiental, bem como chegar ao Porto de São Sebastião.

O setor sucroalcooleiro de Mato Grosso está absolutamente convicto que somente pela implantação de álcooldutos será possível ser o maior produtor brasileiro de etanol combustível para atender à crescente demanda nacional e ao mercado internacional, com custos de transporte que serão reduzidos a 30% dos atuais.


Carlos Avallone é Deputado Estadual pelo PSDB-MT e Presidente das Comissões de Indústria, Comércio e Turismo e de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa.
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