Olhar Direto

Sexta-feira, 01 de julho de 2022

Opinião

Ei político, você está realmente comunicando algo?

Parece algo inocente, mas a comunicação é a principal ferramenta de trabalho de qualquer agente político. Afinal, um político representa um povo e é sua missão saber ouvir e entender o que as pessoas realmente precisam, para então reproduzir essas necessidades nas instâncias políticas. Podemos dizer, que a comunicação é o elo do político com a população, e quando isso acontece de forma efetiva, todos ganham.

Mas fico me perguntando, será que os políticos têm a noção desta importância? Tenho observado que muitos têm se centrado em sua própria linguagem, é ele o centro da sua própria comunicação. Vemos agentes em postura de púlpito, falando para pessoas que compactuam de suas ideias, em constante "excesso" de conteúdo.

É preciso entender que uma comunicação efetiva demanda intensidade, verticalidade, e não um volume, de forma horizontal. Se eu souber os elementos da comunicação que trabalham esta intensidade, eu posso usá-los com muita precisão. Ainda mais agora que o prazo é curto para uma campanha política, a comunicação deve ser ainda mais assertiva e é preciso o uso de técnicas que possibilitam e potencializam resultados.

Gosto do exemplo de Abraham Lincoln, 16º presidente dos EUA. Muitas pessoas não sabem, mas Lincoln tentou se eleger em outros cargos por muito tempo. Até que a sua última equipe, a que o fez se eleger, traçou uma estratégia de marketing político muito interessante, unindo a linguagem visual, auditiva e sinestésica.

A primeira etapa consistia na pesquisa, conhecer a comunidade, ver como as pessoas se vestiam, do que falavam, os tipos de linguagens, os jargões, as palavras mais utilizadas. Em um segundo momento, buscou-se uma pessoa referência na comunidade, com quem Lincoln passou a trocar informações. E então, o futuro presidente passou a se vestir, falar e seposicionar como um membro daquela sociedade. Ele passou a ser um deles, e bingo, venceu!

Essa história tem muito a dizer. A primeira dica, e a de maior impacto na minha opinião, é a importância de o político entender que o centro da comunicação é o outro, e esse outro é muito diverso. Recentemente escrevi um capítulo para o livro "Trabalho, Amor e Propósito" que uso da música para referenciar essa situação.

Na abordagem do livro eu uso a diversidade dentro da música de notas diferentes, de tempos diferentes, para compor um todo. "A carga positiva que vem com a emoção de ouvir uma música nos faz enxergar o quanto é incrível a diferença, porque a harmonia não está na igualdade. Ela mora na diversidade".

Então, compreender essa diversidade de linguagem, também é algo importante para a harmonia de um processo. A comunicação está exatamente nas diferenças. Quando o agente político se comunica, seja candidato ou já eleito, seu centro é o outro, em sua diferença. Quanto mais entendermos esta diversidade, melhor será o alcance da comunicação.

Outra dica é compreender que, segundo a programação neurolinguística, o nosso cérebro funciona com três elementos, que é o que eu vejo, o que eu ouço e o que eu sinto. Então trabalhar com técnicas de uso da comunicação pensando nessas três linguagens gera um maior alcance, até mesmo porque o cérebro funciona nessas três nuances e só 7% é conteúdo, os outros são a psicodinâmica da voz, a linguagem do corpo, dos olhos, de tudo isso. É nisso que eu trabalho.

Diferente do media training, que trabalha o que o político vai falar, o texto, enfim, o meu trabalho é como ele vai falar, são as mensagens subliminares. O conteúdo fica a cargo do media, já as deixas e as técnicas, o trabalho pontuado no cérebro trino, fica a cargo de outros profissionais, como é o meu caso. Saiba que as pessoas não só ouvem o candidato, mas também observam como ele se posiciona, e isso direciona para muitas mensagens implícitas.

Aliás, como fonoaudióloga e especialista, eu observo uma diferença grande nas dezenas de pessoas públicas que já passaram pelo meu consultório. Os resultados são incríveis para aqueles que investem tempo para aplicar as técnicas físicas, de fala, de respiração, de oratória e toda a reprogramação neural envolvida. Quem já recebeu a minha capacitação sabe!

Acrescento que pensar os processos comunicativos também impactam outras instituições, sejam elas do setor público ou privado. Comunicação efetiva gera uma equipe mais eficiente, e isso se aplica ao gabinete de um político como a uma equipe empresarial. Na realidade, entender a comunicação faz diferença em todos os campos da nossa vida, mas no atual percurso, ainda é preciso fazer com que políticos entendam a importância do processo.

 
 Sônia Mazetto é Gestora de Potencial Humano, Terapeuta Integrativa, Fonoaudióloga e Palestrante
 
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